sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Companheirismo

A única ação que estava ao seu alcance era abraçá-lo, tê-lo ali consigo. Queria muito poder dizer-lhe que ficaria tudo bem, que eles resolveriam tudo, mas ela sabia que as coisas não eram bem assim.
Os olhos vermelhos, o respirar fundo, o tentar se acalmar e logo em seguida deixar-se tomar pela angústia e um leve toque de desespero eram a prova de que até o mais imponente algum momento torna-se frágil, mas nunca fraco.
Sem palavras, nem exatidão ele demonstrava os sentimentos na frente da garota pela primeira vez. Abraçava-a, envolvendo-a completamente. Encostava a cabeça em seu pescoço procurando explicações sem retorno.
Ela, impossibilitada talvez de fazer qualquer outra coisa abraçava-o, acariciava o pescoço e os cabelos louros. Queria tirar dele toda a tristeza, toda a dor. Queria-o bem. Queria dizer que estava ali com ele pra tudo. Não conseguiu. Não por faltar com a verdade, mas por aquele momento não necessitar de palavras, talvez por não existirem.
Sentia-se feliz em poder acalmá-lo, em abraçá-lo. Mostrava que não era totalmente inútil, e que tinha sentimentos. A respiração dele se acalmava, junto com o bater do coração que ela conseguia sentir pela aproximação.
Fechou os olhos e encostou a cabeça na dele.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Invenções.


Ela queria que não tivessem inventado tantos parâmetros, tantas definições e limites. Queria que pudesse não olhar mais aquelas fotos, e que não chorasse mais. Queria que não tivessem inventado a saudade. A menina sabia que teria que mudar e crescer alguma hora, mas naquele momento ela não era nada mais que isso, uma menina.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Micrônica: Sobre o amor.

- Será que é amor?
- Acho que não, deve ser só uma afeição passageira. Nem sempre que dizem "eu te amo" é real, as pessoas falam e nem sabem o que é.
- Mas, se for amor?
- Não sei. Não sei nem o que é, nem se existem mesmo isso de "amor"... E tenho acreditado a cada dia menos. Pode ser que eu pague a minha língua um dia. Mas quer saber?
- O quê?
- Estou rezando a cada dia pra que isso aconteça.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Eu sei

Eu vivo com saudade. Eu vivo por saudade. Eu vivo de saudade. Eu morro de saudade. Sinto saudade do eu, do meu, do seu. Eu sinto saudade do nosso. E  do vosso também.
Sinto vontade do que não sei. Se soubesse, haveria definição e agradeço por isto  não ter limitações. Quero viver, reviver e sobre viver. Quero muito mais que a vã consciência pode dar.
Sei que falo coisas sem sentido, mas o que são os erros? Há definição, ou são mais coisas criadas?
E eu tenho mais saudade. Saudade do meu verdadeiro lugar, do meu eu, do eu teu. Saudade intensa e constante. Saudade presente e incentivadora. Saudade que não se mata facilmente. Saudade do que já passou e do que ainda virá. Saudade, simples saudade.. eterna e infinita.

"Se cuida",
porque eu já não posso cuidar.

domingo, 28 de outubro de 2012

Cores e novos horizontes.


Viviam em uma casa cor de rosa com plantas penduradas da varanda. Cuidavam dos jardins todas as tardes, e a hortelã perfumava a casa. Faziam sua própria comida, e tinha uma vida simples. Mas ela se sentia sozinha.
Presenciava acontecimentos e não tinha para quem contá-los. Gostava do seu quarto cor de céu, mas ele apenas espelhava a sua solidão. Apesar da vida sossegada, o seu ser não estava tão tranquilo assim, o estresse e o mau humor a dominavam. Sentia-se irritada consigo mesmo por ser grossa e não gentil com os outros. O que havia de errado afinal? Estava a se acostumar com a vida atual, o processo que vivia era o de guardar os sentimentos antigos para que pudessem dar lugar a novos. Guardar, sem nunca esquecer, e como havia escrito uma vez sempre que sua saudade não houvesse fim, os tiraria do armário, lembrar, e chorar sorrindo. Ter lembranças tão belas e tão profundas, sem a que a vida lhes desse oportunidade de revivê-las, como ela não dá a ninguém.
Forçava-se a aceitar o presente, mas a solidão sempre parecia estar em algum lugar muito próximo. Sentia-se na obrigação de melhorar seu comportamento, e andar adiante, procurando coisas com o que ocupar a mente, usufruir o que a sua cidade tinha de melhor a oferecer. Tentar novas oportunidades, almejar novos horizontes. Sentia-se, por dentro, deprimida por ter que deixar o que tanto a fazia bem, mas, seguiria. Os sentimentos cresciam em seu íntimo, e podia sentir a força a revigorando. Tais experiências a faziam forte. Sabia que a vida lhe reservava muitas situações, e ela não podia deixar de vivê-las. E apesar de todas as falsas aflições, ela era feliz.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Pele ou Rápida história boba


Das belas e imponentes asas só restaram cicatrizes brancas e lisas. Os dedos dela deslizavam suavemente pelas marcas simétricas que, frias, contrastavam com a pele quente ao redor. Ele contava-lhe seus sentimentos e tudo o que se passara pela sua cabeça quando o prenderam e, sangrentamente, arrancaram as partes diferentes de seu corpo que carregava as costas.  Contava a ela tudo o que havia escondido por medo, e principalmente, por tristeza e dor.
Ela ouvia tudo em silencio tomada por uma tristeza inexplicável. Chorava desesperadamente sem exprimir som ou mudança de fisionomia. Continuava a acariciar as costas bem talhadas da criatura mutilada a sua frente, desejando de todo o seu ser que nenhuma daquelas palavras tivesse acontecido, mesmo que isso significasse não tê-lo em sua vida. Apoiou a testa nas cicatrizes bem marcadas fechando os olhos para que pudesse apenas sentir. A pele dele contra a sua, o movimento de sua respiração, seus batimentos cardíacos tão próximos. As lagrimas escorreram pela sua face, correram e também o tocaram causando arrepios na pele nua. Ele a abraçou sem saber o que falar para consolá-la por inteiro. Porem, ao perceber o que acontecia, o medo lhe tomou. Tentou rapidamente se afastar-se da pele dela, mas era tarde demais. O amor que ela sentia por ele já havia transformado tudo.

sábado, 15 de setembro de 2012


Ela, com toda certeza, sentiria uma enorme falta deles. De todos; cada um em particular e juntos como um todo. Juntos.
Juntos, era como ela achava que deveria ficar. Mas a vida não tem piedade e acaba sempre por afastar a todos. Afastar não, separar. Ou seria mesmo afastar? Sim, era realmente afastar. Porque para ela, nada poderia separa-los. Nada mudaria o que ficara na memoria. Cada memoria guardada e bem guardada. Risadas de piadas sem graça. Apelidos reveladores porem carinhosos. Conversas sérias e descontraídas. Micos e dias depressivos de chuva. Fotos engraçadas e “espontâneas” que fazem todos se divertirem. A força que os unia ate nas provas finais. Os novatos que já conquistaram afeição. Os veteranos que, como verdadeiros companheiros, estiveram aqui sempre. As aulas à tarde e os “estudos” da tarde. As paqueras e rolos. As lagrimas e as flores.
Quanto a eles, nada tinha a reclamar ou a esquecer, apagar. Eles eram maravilhosos, faziam os seus dias mais radiantes. Cada um com seu jeito, sua marca registrada. Um se importando com o outro. Abraçando quando era ou não necessário. Desejando um “bom dia” animado nas provas das manhas de domingo. Todos.
Como ela sentiria falta. O mundo mandara cada um para um lugar diferente. Afastou-os fisicamente, e ate emocionalmente. Afastou um do convívio do outro. Mas não conseguirá apagar das lembranças tempos de tanta felicidade mútua que só quem ama guarda com carinho: os verdadeiros amigos.

O falso dono da casa


Elas riam por falarem coisas que nunca pensariam em falar pra ninguém e por serem também tão parecidas. Eles por sua vez, achavam graça das besteiras sobre as quais discutiam e mantinham seus pensamentos em segredo. Acomodavam-se nas cadeiras e em cima dos moveis da cozinham, enquanto os dois cozinhavam o almoço, embora um deles fizesse mais coisas que o outro.  Divertiam-se comendo creme de chocolate 10 minutos antes de a refeição estar pronta.
Fora sem duvidas uma tarde bem agradável. Depois de comer e lavar a louça, foram pro quarto se espalhando na lentidão de depois de almoço. Escutaram musicas, falaram sobre a faculdade, e sobre oportunidades, e também sobre o que cada um faria da vida a seguir. Sabiam que se separariam em breve, porem, ninguém gostava muito de pensar nisso, e quando o assunto chegou, trocaram palavras de possíveis reencontros futuros.
Riram, brincaram, se alongaram. Fumaram e comeram doces. O final da tarde se aproximava e sabiam que com ele, chegava também a partida de todos, um deles ainda mais para longe do que os outros, que por enquanto, ainda moravam na mesma cidade. E chegou a despedida, se arrumaram, desceram a rua e chamaram o taxi. Despediram-se gentilmente por alguns minutos, com acenos como “você faz falta” ou então, “espero que nos vejamos em breve”, e sem mais partiu o mais velho deles para a rodoviária. Os outros se encaminharam para o ponto de ônibus e as garotas foram embora no mesmo veiculo, deixando para trás o dono da casa sozinho.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Últimas promessas


E foi embora com a promessa de um dia voltar. Com a mochila as costas, ela sorria para segurar as lagrimas. Segurava as alças da bolsa a fim de esconder as mãos tremulas. Controlava a respiração para que não ficasse muito aparente que seu coração estava a mil e já batia com saudades de sua terra. E ao se afastar fechou os olhos para se certificar de que havia guardado tudo o que queria: o que seus olhos viram e fotografaram nas caminhadas solitárias pela cidade que tanto amava, e principalmente, a última visão de seus amigos olhando para ela enquanto ela entrava na sala de embarque. Cena que jamais queria esquecer, e que com certeza guardaria ate que a promessa feita para si mesma estivesse cumprida.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Laços


Sim, ela estava ali, mas já sentia saudades de tudo aquilo. Sabia que a partida estava perto, embora estivesse bem mais tranquila do que da primeira vez que partira. Sabia agora que sempre ao voltar, seria como se nada houvesse acontecido. Tinha o conhecimento de que poderia contar com eles sempre que quisesse, mesmo estando a 3000 km de distancia. Sabia que embora não se falassem sempre, e que não convivessem no dia-a-dia como tinha sido algum tempo antes, eles estariam sempre ali para ela. Sempre. Com todas as suas qualidades e imperfeiçoes, todos os seus dilemas e experiências. E tudo isso acontecia, simplesmente porque eram verdadeiros, seus irmãos de alma, a família escolhida por ela e por eles para ser o seu porto seguro. Um ambiente livre de quaisquer sentimentos invejosos, ou repressivos, apenas aquela implicância boba que sempre se tem com quem se ama muito. E ela os amava demais. Amava tanto, tão inexplicavelmente, tão intensamente. O que havia entre eles não se explica, não se vê, e não precisa ser falado pois todos que estão envolvidos por aquele laço invisível, tem a plena e nítida certeza do que se sente uns pelos outros. Uma relação altamente complexa e, muitas vezes, a mais simples possível.
 Todas as vezes que partia, deixava com eles um pedaço de si, para só se sentir completa novamente quando os reencontrasse. E sabia que isso nunca aconteceria novamente. Porque afinal a vida é assim, se deixa pedaços seus com as pessoas que se ama, e você por sua vez, também leva consigo partes delas.
 E assim, caminhando pela vida e partindo seu coração sempre que podia, ela seguia em frente sabendo acima de tudo que nada, muito menos uma simples distancia, pode acabar com sentimentos tão poderosos, bonitos e fortes como esse que ela tinha pelos seus amigos.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Adeus novamente


Lá estava aquele sentimento de novo, o ar de adeus que ela já conhecia. Sentia o coração apertar forte, queria aproveitar cada ultimo instante que ainda pudesse. Queria chorar de forma inconsolável nos braços daqueles que não veria por mais um longo tempo. E ela os amava tanto... Mas nunca teve coragem de dizer. Talvez se sentisse como uma boba por dizer o que lhe era obvio demais.
Sabia que tinha de ir, ao contrario de antes, sua vida agora era vivida em dois lugares ao mesmo tempo. Vivia lá, e estava aqui. E quando estava lá, sentia seu coração presente aqui. Tinha conhecimento bastante sobre si mesma para dizer que seria feliz onde estivesse, pois sua felicidade dependia apenas dela mesma, mas... Como odiava a separação! Porque isso tinha de acontecer? Porque parti-la ao meio dessa forma? Essas e mais milhares de perguntas; respostas que sempre estaria à procura. Mas, quem sabe um dia elas lhe viessem sem pedido e sem culpa, ou simplesmente ela parasse de procurar, conformada com a realidade, e, possuindo entendimento suficiente, apenas sorrisse quando a vida lhe pregasse mais e mais peças.
Não podia nem tentou de impedir as lagrimas de lhe escapar pelos olhos e caminhar pela face diante de seus pensamentos. Tinha vontades, ela sabia. Tinha vontade de escrever, de correr pela praia, de escutar uma musica apoiada em alguém conhecido, e que ela amasse loucamente. Mas ela estava sozinha ali, e entendia que aquele momento era só seu, embora quisesse muito compartilha-lo. Calou os olhos, fechando-os, e deixou que o coração falasse, desabafasse para o tudo e o nada que estavam ambos a sua frente. O que viria a seguir? Não sabia, e a essa pergunta, talvez nunca obtivesse resposta. Mas, mesmo assim sorriu, tranquila e nervosa. Tranquila porque sabia que nada estaria mudado quando, um dia, pudesse retornar ate ali. E nervosa porque sabia que tudo muda o tempo todo.

domingo, 9 de setembro de 2012

Apenas verdadeiros


Os acontecimentos só comprovavam o que a deixava mais quieta, tranquila, e acima de tudo, feliz. Adorava saber que nada havia mudado, mesmo em sua ausência. Ou melhor, haviam, sim, mudado afinal tudo muda o tempo todo, mas nada a tal ponto de mudar os seus sentimentos em relação a todos os quais deixara longe de si.
Adorava o modo como eles se relacionavam com ela, o jeito sem interesse, o modo igual como a tratavam. Adorava não precisar de nada, a não ser ser ela mesma sem véus, sem maquiagem ou nada que escondesse seus defeitos e aumentasse suas qualidades. Eles a apreciavam assim, e talvez a apreciassem por ser assim. Gostava do modo como riam dela sem pudor, e o modo doce com que faziam suas piadas só entendidas pelo grupo diferente de todos os outros que era o deles. Afinal, ali, todos os excluídos se enturmavam, e nada era considerado anormal diante dos olhos de quem a ali pertencia. E era isso que a fascinava, poder conviver com as diferenças sem as considerar como métodos de segregação, mas o contrario, de união. Como ela os amava e eles a faziam bem apenas por existirem. Como gostava de estar ali, e além de tudo, como se envergonhava de sentir vergonha de assumir para eles que fizeram suas recordações muito mais felizes.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Certeza das recordações


E no fundo, tudo aquilo mais lhe parecia um daqueles sonhos que se tem vontade de viver, mas apenas com a certeza de que se acordará logo em seguida. Entretanto, tudo estava invertido. Ela vivia o seu sonho agora, e logo mais acordaria do que desejava que fosse a sua realidade, pois um dia já a fora.
Sabia que o conformismo chegaria juntamente com a saudade que seria cotidiana e contínua, mas não gostava de pensar nisso, pois tinha a leve, porem precisa impressão que isso estaria presente durante o resto de sua vida.  Isto, sabia, não significava que seria menos feliz, embora existisse um “talvez”. Todos esses sentimentos faziam-na bem, mesmo através de um jeito mau, já que traziam recordações de tempos em que fora muito feliz e a certeza de nunca mais esquecê-los.

Amar demais



E no fundo, ela não achava nada daquilo que as pessoas viam. Ela tinha muito mais sentimentos do que aparentava ter, muito mais do que mostrava. Sentia um aperto forte no coração sempre ao ver aqueles que lhe eram especiais decepcioná-la. Porém, nada sairia de sua boca, nenhuma repreensão, nenhuma dor, a não ser que seus sentimentos estivessem por demais acumulados e ela lhes deixassem escapar por exaustão de segurá-los.
E sentia que ele, mesmo prometendo não desapontá-la, seguiria o mesmo caminho de todos os outros. Nenhum deles merece ser comparado, ou mesmo encaixado numa generalização, afinal, ninguém é igual a ninguém por mais que existam semelhanças. Entretanto, a ela, por mais que as coisas fossem diferentes, por mais que ela tentasse mudar-se a si mesma para que os erros não se repetissem, parecia que sempre escolhiam o mesmo rumo, os mesmo passos, as mesmas ações... Os mesmos tipos de ferimentos lhe causavam. Julgava que não conseguiria suportar por mais tanto tempo.
Seu corpo tremia, mas a tristeza não lhe escorria pelos olhos. A garota sabia que os fatos se repetiriam, como sempre. Quando tudo terminasse, e apenas ela se machucasse, ai sim, as lágrimas rolariam pela face, só fazendo com que as coisas piorassem. E a dor permaneceria, oculta, somente dela. Porem... Por quanto mais aquele ser humano aguentaria? Por mais quanto ela iria permanecer calada, e com o seu silencio protegendo os outros do mesmo que ela sentia? Não sabia. Mas permaneceria ate que não houvesse ninguém mais envolvido, ninguém que pudesse se machucar, porque, apesar de tudo, ela preferia a automutilação ao flagelamento alheio. Conhecia-se demais pra saber o que poderia acontecer, mas não o bastante para saber o que aconteceria. E sim, ela era apenas uma garota, que, às vezes, amava demais.

terça-feira, 4 de setembro de 2012


Vem,
Vamos sair
A rua nos chama
O dia nos chama
Não me deixe ir sozinha
Quero ver você feliz, quero ver seu sorriso
Vem,
Vamos sair
Que a rua nos chama
O dia nos convida
Vem,
Que o tempo não para
O azul dos céus nos aguarda
E a vida não perdoa
Quem não quer viver
Vem,
Segura na minha mão
E não me deixe sorrir sem ter você aqui.
Vem,
vamos ver as nuvens
Vamos correr pela rua
Vamos sorrir para a Lua
Respirar esse vento que vem de longe
Vamos ver o que há pra se viver
Vem,
vem comigo.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Aleatoriedade


Era um sentimento bom que ela sentia. Um bem-estar consigo mesma um tanto inexplicável. Não sabia ao certo se já conhecia aquilo ou se era novata neste assunto. Mas gostava. Gostava de querer algo que não sabia o que era, algo como abrir a geladeira e não saber o que deveria pegar, ou escolher, ir a algum lugar e não saber o que queria fazer ali. Sensações diferentes e que a muitos seria considerado ações um tanto loucas.
E essa vontade de fugir pra um lugar inexistente continuava. Uma vontade ensandecida de algo que não estava ali, e ela sabia, que não existia. Mas, como se pode querer algo que ainda não existe? Como ter vontade de algo não conhecido? Não sabia. Sabia apenas que queria. E olhava pela janela a noite, contemplando as luzes, que ao se acender iluminavam a sua cidade, deixando a garota ainda mais apaixonada por ela. Devaneava, e perdida em pensamentos perguntava-se a si mesma, coisas que não sabia a resposta, e lembrou-se depois que não sabia as perguntas também. Pensamentos soltos, aleatórios que bailavam na sua imaginação. Gostava de fazer isso, mesmo não sabendo a logica de fazê-lo.  E ali, naquela janela gradeada do quarto escuro, ela sabia apenas que queria sair e ao mesmo tempo ficar. Ver a cidade na qual a sua pessoa fora criada, e ir pra dentro de um livro, pra uma historia paralela. Mas sabia que no fundo, nada faria. Nada faria pela imensa dúvida que estava em si mesma, pela falsa confusão presente na mente, camuflada pelos pensamentos aleatórios e diferentes.
Pensamentos que eram apenas seus. Tão seus que não poderiam ser sentidos e muito menos explicados por mais ninguém.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Diferente de todos os dias.


E hoje, mais que tudo, queria sorrir sem ter motivos. Andar pelas ruas sem destino, se sentir a mais linda de todas, mesmo sem admiradores. Queria menos preocupações, menos brigas, menos rugas no rosto. Mais pipas no céu da tarde, mais jantares a luz de velas no meio da semana. Queria mais brigadeiros nas quartas-feiras, e menos balanças nas segundas. Gostaria que as pessoas fossem mais alegres e afetuosas, e menos turbulentas e barulhentas.
Naquela noite, sentia-se bem consigo mesma. Sentia-se bem com seu corpo, mesmo que desejasse muitas vezes muda-lo. Pela primeira vez, gostava imensamente que ele estivesse fora dos padrões, que fosse diferente. Gostou da expressão dos cabelos rebeldes.  Da cor da sua pele, nem bronzeada nem pálida, como gostaria que fosse. A personalidade do seu rosto. Olhar no espelho e lembrar que tanto havia se criticado... Mas, por quê? Seu nariz poderia ate não ser o mais bonito, mas trazia a marca de sua família, o traço marcado de tantas gerações. Seus olhos, não eram verdes e muito menos de outra cor bonita e que fosse apreciada pela sociedade, mas lhe serviam muito bem, funcionavam de forma perfeita, saudáveis e sem erros. E, ao olha-los mais atentamente, eram ate bem marcantes, como um dia lhe disseram. Aquela era ela, sem a maquiagem de cada dia, sem truques de beleza, sem roupas caras, sem futilidades. E ali, naquele momento tão seu o que descobriu? Que era, sim, bela.
Aquela era a verdadeira mulher que se escondia todos os dias atrás de uma imagem formulada. Era mais que bela. Era linda. Era linda porque era mulher e tinha sua própria opinião. Era linda porque não tinha personalidade e ideais que eram apenas dela. Era linda porque naquele momento diferente de todos os outros gostou de ser ela mesma e não quis ser mais ninguém. Sim, a mulher que ela enxergava no espelho, bem ali na sua frente, com roupas folgadas, cabelos desgrenhados e com as mãos dadas a frente do corpo por falta de lugar onde coloca-las era a mais bonita que já havia visto. E a partir daquele momento, ela não deixaria ninguém mais dizer o contrario.

sábado, 4 de agosto de 2012

Cheia de utopias



E a garota, que a tanto se sentia vazia e sem lugar no mundo, voltara a sorrir. Voltara a se sentir cheia, viva. Sentia os sentimentos percorrerem lhe a pele, sem saber expulsá-los de si. Sentia a inspiração subir à cabeça, os arrepios vagarem pela espinha, a quentura no pescoço lhe pedir um pouco mais de calor. Sentia que deveria aplicar aquilo tudo em algum lugar, fazer algo antes que aquela sensação se perdesse e demorasse a voltar, como sempre acontecia. E logo ela, a inspiração, que pouco a visitava recentemente e que lhe proporcionava tantas saudades.
Saudades? Saudades não lhe traziam também a inspiração? Sim. Traziam. Saudades de um passado que não volta e que ela desejava profundamente que voltasse. Desejava o passado de volta, todos os momentos deliciosos, alegres, profundos, de amizade, de amor, de historias e de tristeza... Sim, de tristeza, afinal, essa também faz parte da vida, e, de certo modo, lhe fazia bem, porque sem a tristeza, não se pode conhecer a felicidade. Essa tese clichê, que alguém um dia pensou era um dos pensamentos que ela almejava trazer para sua vida, escreve-lo na agenda mental diária e dificilmente esquece-lo. Queria coisas inteligentes e não intencionadas a partir de agora. Coisas simples e bonitas, coisas naturais. Coisas descomplicadas, pois de complicações já estava farta. Estava farta do pseudo-lirismo, do pseudo-intelectualismo, do pseudo romantismo, e de todos os outros pseudos. Estava cansada de tudo que era falso. Queria mais carpe diem, queria mais carpe noche. Queria algo puro, algo simples. Algo que bastasse em sua essência. Esse algo que ainda não tinha sido inventado, e para sua alegria, não tinha definição, pois também se cansara delas, definições que nada mais eram do que limitações disfarçadas.
Sentiu falta do papel e do lápis, mas eles estavam muito longe naquele momento, bem guardados, mas longe. Sentiu falta do que as pessoas haviam sido para ela em um tempo passado, e sentiu falta do que ela havia sido antes. Sentia falta do seu eu antigo. Sentia que queria poder falar tudo o que viesse a sua mente, sem que fosse julgada. Queria ser ela mesma, sem ser alvo de críticas maldosas e fofocas sem base. Queria um mundo mais limpo e justo. Mas querer nem sempre é ter o que se quer. O que lhe trazia tristeza, pois acreditava que aquele mundo imaginário era melhor que esse. Pensar assim poderia fazer dela uma pessoa muito cheia de si ao afirmar que o que ela tinha guardado na cabeça era melhor. Mas também a podia fazer uma boba por acreditar em contos de fadas.

domingo, 15 de julho de 2012

Acumulo.

E aquilo que estava dentro dela só crescia mais e mais, consumindo-a a cada instante. As palavras fugiam de sua mente para logo em seguida surgir milhões de sensações. Queria colocar aquilo para fora...mas nada adiantava. Sentia a tristeza por dentro, se acumulando, as lágrimas presas, travadas. Ela gritava mas ninguém ouvia. Queria que o mundo visse u que se passava, mas não havia ninguém perto dela.
Tinha a sensação de que tudo aquilo que vivia naquele momento era passageiro. Que aquela situação era temporária. Seu inconsciente dizia que nada daquilo era seu, nada do que estava ali lhe pertencia. No entanto, ela teria que aceitar.
Fingia para todos que tudo estava bem, agia como se estivesse, mas não estava. Na sua mente, ela só queria voltar a ser ela mesma. Pedia ajuda mas ninguém entendia o seu chamado. Queria alguém a quem confiar todos os sentimentos, todo o seu coração e pensamentos, besteiras e filosofias. Mas as pessoas que a faziam bem estavam muito longe dali. Os momentos mais felizes da  sua vida, tinham ficado guardados na sua mente, foram vividos a tempos e longe de onde estava agora.
O lugar onde ela nascera era lindo, intensamente apaixonante, mas não pertencia a ela. E tudo o que ela sentia eram saudades e lágrimas salgadas.

domingo, 13 de maio de 2012

Paixão cruel

Em meio a um turbilhão de pensamentos embaralhados, ela pensava incansavelmente nele. Fora apenas uma noite e alguns beijos, como apaixonara-se em apenas um momento?
O toque doce e macio dos lábios, a firmeza gentil de suas mãos nas costas dela. Momentos esquecidos intercalavam-se com os que mais lembrava em uma sequencia que se repetia em sua mente fazendo-a sonhar inocentemente.
Talvez tenha surgido do modo galante e diferente com o qual ele a tratava. Não haviam muitos agindo assim no seu pequeno mundo. Mas fora apenas uma noite...a qual poderia acrescentar na lista das melhores da sua medíocre vida.
O modo como ele interrompera sua procura ágil. cada traço do seu rosto ao sorrir desviando o olhar para os lados antes de beijá-la. O jeito como se aproximara dela. Os beijos protegidos pela enorme coluna ao lado deles. Os galanteios e por último, a promessa jamais cumprida de encontrarem-se naquela mesma noite.
Porém, além de tudo, ele não era o rapaz encantado que aparentava ser. Era no mínimo um cafajeste conquistador. Mas porque essa era a característica que mais a atraía?

Passado presente

E na noite fria e chuvosa de Outono, ela lembrava do passado. Lembrava de sorrisos e lágrimas passados juntos. Momentos que a faziam sorrir enquanto a saudade escorria, quente, pela sua face.
Cada segundo que passaram juntos valiam mais que uma vida inteira. Cada detalhe, cada abraço, cada besteira falada, cada implicância, cada almoço e banho de  chuva : tudo muito bem guardado nela.
A garota se apegava fielmente ao passado. Tinha medo de deixar que o tempo apagasse as coisas que eram tão importante para ela. Medo de deixar tudo passar, medo de deixar que a vida seguisse sem que se pudesse reviver tudo o que tinha passado, e que para sua tristeza, não voltariam mais. Tinha medo do esquecimento, embora já sentisse as lembranças se esvaindo pela mente como areia pelos dedos. Mas não, não queria pensar nisso. As pessoas, os momentos, e principalmente, os sentimentos estariam sempre presentes em sua mente. Em sua mente e nas ações que a regiam.

sábado, 5 de maio de 2012

Medo. Devia ser isso que ela sentia. Medo de que tudo acabasse e não voltasse mais, como sabia que aconteceria o tempo todo e já estava acontecendo. Medo de que o encanto se quebrasse e as coisas voltassem a ser apenas a realidade, crua. Tinha medo de que aquilo fosse apenas um sonho e que um dia se esquecesse de tudo. E, acima de qualquer coisa, que ela própria fosse esquecida. Não que ela fosse algo digno de ser lembrado, não. Mas tinha medo do esquecimento, assim como da solidão e , algumas vezes do escuro.
Não sabia se estava fazendo a escolha certa, ela era tão insegura de si mesma. Sempre fazia mil promessas, nunca cumpridas. Desejava sempre fazer algo mais, mas como? Queria ser muito mais que aquelas besteiras que caracterizava seu perfil, mas o que conseguia era se odiar ainda mais. Onde estava "ouvir mais, falar menos"? Resumindo, era uma horrível pessoa que queria mostrar-se boa. Para conhecê-la, deveriam mergulhar muito mais afundo. Era tão terrível, e lhe retribuíam com tanta bondade.
Isso tudo. E talvez fosse apenas difícil aceitar. Ela tinha medo.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Mais

No seu quarto, ela sorria, feliz e sozinha. colocou as grandes argolas que pouco usava, passou delineador nos olhos e soltou os cabelos curtos. aumentou o volume do som quando sua música favorita começou e pôs-se a mexer nos cabelos, ora bagunçando ora alisando-os.
Ria de si mesma ao fazer caretas no espelho. Procurava seu melhor ângulo ao sorrir, o melhor jeito de arrumar os cabelos. No espelho, procurava o seu melhor, talvez conseguisse mostrar aos outros. Mas o quarto estava vazio, o que, na verdade pouco parecia lhe importar.
Pulo, dançou, cantou.. e cansou. Jogou-se na cadeira a pensar, embora seus olhos vivos e marcantes nunca dessem a entender que estava cansada. E em meio minuto, colocou-se em pé novamente e tudo recomeçou. Parou em frente ao espelho e olhou no fundo dos próprios olhos como se visse algo que não era visível a mais ninguém. Depois dos olhos, observou o nariz e em seguida a boca pintada de carmim e os pés descalços.
Decidiu calçá-los escolhendo seu maior salto, todo cravejado com lantejoulas prateadas. E assim, interpretou milhares de personagens, rindo sempre ao mudar de um para outro. foi a pessoa mais esnobe, depois a mais rica e poderosa. No fim, riu, se sentindo a mais boba, e agradeceu por estar sozinha.
A noite estava escura e sem Lua, e ele observava a vizinha através da janela em frente a dela. Com a luz apagada para que não fosse descoberto. Sem duvidas havia encontrado a pessoa mais engraçada, mais viva, mais delicada, mais linda...e acima de tudo, a mais feliz que já vira na sua vida.

Inexistente.Ou apenas solidão.(04.01.2012)

Não se lembrava o momento exato e nem como deixara que as lágrimas caíssem. Diante de rudes palavras sem necessidade e a não oportunidade de se explicar, o choro a alcançou. Em meio a investidas injustas contra ela tiraram-lhe o direito de falar. E ela tinha muito o que expressar.
Chorava de raiva diante da impotência que vivia. Talvez devesse entrar nos livros para nunca mais sair. Viver na solidão do seu quarto era bem melhor. Era a ela mais agradável, só seu. Lá ela não era chamada de irresponsável, mesmo não sendo. Lá não tinha medo de contar a verdade, porque o que quer que falasse no seu mundo seria a verdade plena ou talvez apenas mentiras inventadas. Um lugar de sonhos onde seus personagens preferidos habitavam juntos um mesmo ambiente. Porém um lugar inexistente.
Mas talvez não caiba no saber humano uma forma que faça o mundo acreditar. E talvez ela só quisesse sair de casa para nunca mais voltar. Sim, modernismo.

domingo, 29 de abril de 2012

E como as pessoas podem conseguir fazer isso? Ficar sem falar com alguém que um dia representou tanto na  sua vida pessoal? Como conseguir dizer que não sente saudade de tudo o que passou? Tudo o que se viveu, tudo tão marcante e indescritível e maravilhoso...tão presente. Sentimentos tão fortes. E é como se faltasse algo aqui, bem aqui. em mim.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tomei um copo enorme de coragem misturado com cara-de-pau pra poder voltar aqui depois de muito tempo e postar algo. Mas aqui estou.
Tenho que tentar colocar na minha cabeça a promessa de vir aqui sempre. Nao abandonar, se quiser levantar  e manter de pé essa pagina de historias/estorias.