Não se lembrava o momento exato e nem como deixara que as lágrimas caíssem. Diante de rudes palavras sem necessidade e a não oportunidade de se explicar, o choro a alcançou. Em meio a investidas injustas contra ela tiraram-lhe o direito de falar. E ela tinha muito o que expressar.
Chorava de raiva diante da impotência que vivia. Talvez devesse entrar nos livros para nunca mais sair. Viver na solidão do seu quarto era bem melhor. Era a ela mais agradável, só seu. Lá ela não era chamada de irresponsável, mesmo não sendo. Lá não tinha medo de contar a verdade, porque o que quer que falasse no seu mundo seria a verdade plena ou talvez apenas mentiras inventadas. Um lugar de sonhos onde seus personagens preferidos habitavam juntos um mesmo ambiente. Porém um lugar inexistente.
Mas talvez não caiba no saber humano uma forma que faça o mundo acreditar. E talvez ela só quisesse sair de casa para nunca mais voltar. Sim, modernismo.
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