Medo. Devia ser isso que ela sentia. Medo de que tudo acabasse e não voltasse mais, como sabia que aconteceria o tempo todo e já estava acontecendo. Medo de que o encanto se quebrasse e as coisas voltassem a ser apenas a realidade, crua. Tinha medo de que aquilo fosse apenas um sonho e que um dia se esquecesse de tudo. E, acima de qualquer coisa, que ela própria fosse esquecida. Não que ela fosse algo digno de ser lembrado, não. Mas tinha medo do esquecimento, assim como da solidão e , algumas vezes do escuro.
Não sabia se estava fazendo a escolha certa, ela era tão insegura de si mesma. Sempre fazia mil promessas, nunca cumpridas. Desejava sempre fazer algo mais, mas como? Queria ser muito mais que aquelas besteiras que caracterizava seu perfil, mas o que conseguia era se odiar ainda mais. Onde estava "ouvir mais, falar menos"? Resumindo, era uma horrível pessoa que queria mostrar-se boa. Para conhecê-la, deveriam mergulhar muito mais afundo. Era tão terrível, e lhe retribuíam com tanta bondade.
Isso tudo. E talvez fosse apenas difícil aceitar. Ela tinha medo.
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