No seu quarto, ela sorria, feliz e sozinha. colocou as grandes argolas que pouco usava, passou delineador nos olhos e soltou os cabelos curtos. aumentou o volume do som quando sua música favorita começou e pôs-se a mexer nos cabelos, ora bagunçando ora alisando-os.
Ria de si mesma ao fazer caretas no espelho. Procurava seu melhor ângulo ao sorrir, o melhor jeito de arrumar os cabelos. No espelho, procurava o seu melhor, talvez conseguisse mostrar aos outros. Mas o quarto estava vazio, o que, na verdade pouco parecia lhe importar.
Pulo, dançou, cantou.. e cansou. Jogou-se na cadeira a pensar, embora seus olhos vivos e marcantes nunca dessem a entender que estava cansada. E em meio minuto, colocou-se em pé novamente e tudo recomeçou. Parou em frente ao espelho e olhou no fundo dos próprios olhos como se visse algo que não era visível a mais ninguém. Depois dos olhos, observou o nariz e em seguida a boca pintada de carmim e os pés descalços.
Decidiu calçá-los escolhendo seu maior salto, todo cravejado com lantejoulas prateadas. E assim, interpretou milhares de personagens, rindo sempre ao mudar de um para outro. foi a pessoa mais esnobe, depois a mais rica e poderosa. No fim, riu, se sentindo a mais boba, e agradeceu por estar sozinha.
A noite estava escura e sem Lua, e ele observava a vizinha através da janela em frente a dela. Com a luz apagada para que não fosse descoberto. Sem duvidas havia encontrado a pessoa mais engraçada, mais viva, mais delicada, mais linda...e acima de tudo, a mais feliz que já vira na sua vida.
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