domingo, 13 de maio de 2012

Paixão cruel

Em meio a um turbilhão de pensamentos embaralhados, ela pensava incansavelmente nele. Fora apenas uma noite e alguns beijos, como apaixonara-se em apenas um momento?
O toque doce e macio dos lábios, a firmeza gentil de suas mãos nas costas dela. Momentos esquecidos intercalavam-se com os que mais lembrava em uma sequencia que se repetia em sua mente fazendo-a sonhar inocentemente.
Talvez tenha surgido do modo galante e diferente com o qual ele a tratava. Não haviam muitos agindo assim no seu pequeno mundo. Mas fora apenas uma noite...a qual poderia acrescentar na lista das melhores da sua medíocre vida.
O modo como ele interrompera sua procura ágil. cada traço do seu rosto ao sorrir desviando o olhar para os lados antes de beijá-la. O jeito como se aproximara dela. Os beijos protegidos pela enorme coluna ao lado deles. Os galanteios e por último, a promessa jamais cumprida de encontrarem-se naquela mesma noite.
Porém, além de tudo, ele não era o rapaz encantado que aparentava ser. Era no mínimo um cafajeste conquistador. Mas porque essa era a característica que mais a atraía?

Passado presente

E na noite fria e chuvosa de Outono, ela lembrava do passado. Lembrava de sorrisos e lágrimas passados juntos. Momentos que a faziam sorrir enquanto a saudade escorria, quente, pela sua face.
Cada segundo que passaram juntos valiam mais que uma vida inteira. Cada detalhe, cada abraço, cada besteira falada, cada implicância, cada almoço e banho de  chuva : tudo muito bem guardado nela.
A garota se apegava fielmente ao passado. Tinha medo de deixar que o tempo apagasse as coisas que eram tão importante para ela. Medo de deixar tudo passar, medo de deixar que a vida seguisse sem que se pudesse reviver tudo o que tinha passado, e que para sua tristeza, não voltariam mais. Tinha medo do esquecimento, embora já sentisse as lembranças se esvaindo pela mente como areia pelos dedos. Mas não, não queria pensar nisso. As pessoas, os momentos, e principalmente, os sentimentos estariam sempre presentes em sua mente. Em sua mente e nas ações que a regiam.

sábado, 5 de maio de 2012

Medo. Devia ser isso que ela sentia. Medo de que tudo acabasse e não voltasse mais, como sabia que aconteceria o tempo todo e já estava acontecendo. Medo de que o encanto se quebrasse e as coisas voltassem a ser apenas a realidade, crua. Tinha medo de que aquilo fosse apenas um sonho e que um dia se esquecesse de tudo. E, acima de qualquer coisa, que ela própria fosse esquecida. Não que ela fosse algo digno de ser lembrado, não. Mas tinha medo do esquecimento, assim como da solidão e , algumas vezes do escuro.
Não sabia se estava fazendo a escolha certa, ela era tão insegura de si mesma. Sempre fazia mil promessas, nunca cumpridas. Desejava sempre fazer algo mais, mas como? Queria ser muito mais que aquelas besteiras que caracterizava seu perfil, mas o que conseguia era se odiar ainda mais. Onde estava "ouvir mais, falar menos"? Resumindo, era uma horrível pessoa que queria mostrar-se boa. Para conhecê-la, deveriam mergulhar muito mais afundo. Era tão terrível, e lhe retribuíam com tanta bondade.
Isso tudo. E talvez fosse apenas difícil aceitar. Ela tinha medo.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Mais

No seu quarto, ela sorria, feliz e sozinha. colocou as grandes argolas que pouco usava, passou delineador nos olhos e soltou os cabelos curtos. aumentou o volume do som quando sua música favorita começou e pôs-se a mexer nos cabelos, ora bagunçando ora alisando-os.
Ria de si mesma ao fazer caretas no espelho. Procurava seu melhor ângulo ao sorrir, o melhor jeito de arrumar os cabelos. No espelho, procurava o seu melhor, talvez conseguisse mostrar aos outros. Mas o quarto estava vazio, o que, na verdade pouco parecia lhe importar.
Pulo, dançou, cantou.. e cansou. Jogou-se na cadeira a pensar, embora seus olhos vivos e marcantes nunca dessem a entender que estava cansada. E em meio minuto, colocou-se em pé novamente e tudo recomeçou. Parou em frente ao espelho e olhou no fundo dos próprios olhos como se visse algo que não era visível a mais ninguém. Depois dos olhos, observou o nariz e em seguida a boca pintada de carmim e os pés descalços.
Decidiu calçá-los escolhendo seu maior salto, todo cravejado com lantejoulas prateadas. E assim, interpretou milhares de personagens, rindo sempre ao mudar de um para outro. foi a pessoa mais esnobe, depois a mais rica e poderosa. No fim, riu, se sentindo a mais boba, e agradeceu por estar sozinha.
A noite estava escura e sem Lua, e ele observava a vizinha através da janela em frente a dela. Com a luz apagada para que não fosse descoberto. Sem duvidas havia encontrado a pessoa mais engraçada, mais viva, mais delicada, mais linda...e acima de tudo, a mais feliz que já vira na sua vida.

Inexistente.Ou apenas solidão.(04.01.2012)

Não se lembrava o momento exato e nem como deixara que as lágrimas caíssem. Diante de rudes palavras sem necessidade e a não oportunidade de se explicar, o choro a alcançou. Em meio a investidas injustas contra ela tiraram-lhe o direito de falar. E ela tinha muito o que expressar.
Chorava de raiva diante da impotência que vivia. Talvez devesse entrar nos livros para nunca mais sair. Viver na solidão do seu quarto era bem melhor. Era a ela mais agradável, só seu. Lá ela não era chamada de irresponsável, mesmo não sendo. Lá não tinha medo de contar a verdade, porque o que quer que falasse no seu mundo seria a verdade plena ou talvez apenas mentiras inventadas. Um lugar de sonhos onde seus personagens preferidos habitavam juntos um mesmo ambiente. Porém um lugar inexistente.
Mas talvez não caiba no saber humano uma forma que faça o mundo acreditar. E talvez ela só quisesse sair de casa para nunca mais voltar. Sim, modernismo.