sábado, 29 de março de 2014

Seus

Meus pensamentos são todos seus, moço. Já lhe disse que não quero ir embora? Não quero. Ou melhor, quero, sim. Mas quero você com a mão na minha. Quero a sua companhia, a sua atenção, seus dedos enrolados nos meus, assim como seus olhos, sorriso e tudo mais que eu tiver direito.
Mas antes de tudo, moço, quero também a sua sinceridade, se eu puder tê-la. Preciso saber se você quer vir comigo. Quero saber se quer a minha companhia como eu quero a sua. Quero saber se eu lhe faço bem como você me faz. Porque você me faz um bem tão grande, que o coração quer se expandir além do possível, e ao mesmo tempo quer bater pequenininho.
Não lhe prometo nada, moço. Não tenho nada pra lhe oferecer, fora toda a minha atenção, os meus sonhos e aspirações, além de uma vida inteirinha pela frente. Pronto, nada mais. Só isso.
Eu tinha muitas coisas pra lhe falar mais, mas vou esperar você se decidir vir, pra contar-lhe. Se você vier, se você quiser. Se não quiser, tudo bem, meu bem, meus pensamentos vão continuar sendo seus, até que alguém os roube de você.

Um cheiro, meu bem, nesse seu pescoço lindo, e que ele lhe cause arrepios e risadas de nervoso.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Eu gosto do gosto

Eu gosto do gosto
De você do meu lado
Num domingo gelado
De um frio Agosto.

Eu gosto do gosto
Da tua pele fria
Da tua boca macia
E da beleza misteriosa do teu rosto.

Eu gosto do cheiro
Do sabor
E da cor
Que tem o sorriso faceiro.

Eu gosto do gosto
Do desgosto que me provoca
Não te ter todo o mês
Mas a tua calidez
No carinho que tu me dá
Me faz querer te mais
E tudo outra vez.



segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Verdades

Queria a verdade,
Ela apareceu.
Tinha esperança
E se perdeu.
Não queria a tristeza
Nem lágrima
Pois a beleza
Do conto que não se ouvia
Estava prestes a se transformar em lástima.

domingo, 7 de julho de 2013

Sentir

Deixou. Deixou que ele sentisse sua falta. Que sentisse falta dos seus olhos e dos olhos que ela só tinha pra ele. Deixou que sentisse necessidade do seu sorriso sem graça quando ele a olhava. Até que ele precisasse do ar que ela dava às coisas. Diferente. Esperou que ele notasse sua ausência nos almoços e nos intervalos durante o dia. Que notasse a falta do bem que ele a fazia. Da sua admiração por ele. E deixou. Já lhe dissera que estaria sempre por ali, ele saberia achá-la. Que gostava da sua conversa. E quando isto lhe disse, não obteve resposta, apenas indiferença. Ela já começava a acostumar-se com a falta dele. Já tentava ocupar o seu lugar nos pensamentos com coisas banais, mesmo que depois de escrito é possível apenas clarear até o ponto de sombra, mas nunca apagar completamente. Queria mesmo um todo, mas não conseguiam dar-lhe nem partes. Gostava de ser narradora da própria história, em algumas situações preferia ser somente personagem.

Agora, se ele realmente sentiu isso tudo, ela não saberá até que ele resolva lhe dizer.


sábado, 29 de junho de 2013

Eu sempre soube

Aquela velha frase que sempre faz sentido ou fará apenas mais uma vez. eu sempre soube. Sempre soube que ao pensar em você no caminho para casa não conseguiria falar-lhe quando o visse. Nem que fosse só pela  internet. Sempre soube que um "você é interessante, mas" era apenas uma tentativa de consolo. Sempre soube que com você nada aconteceria. Quanto mais a caneta desliza sobre o papel, mais as palavras somem. E é triste.
A tristeza permaneceu desde que a tua ausência se fez parecer presença. E  a presença mais parecia alucinação. Sempre soube que seria assim, com uma ou duas conversas apenas, algumas considerações pela metade. Algumas músicas, poucos poemas seus, muitos meus. E fim. Sem mais esperanças, sem mais olhares. Sem mais.
No fundo, tentava acreditar que não. Mas sempre soube que acabaria assim. Palavras, sem elas. E eu apenas peguei a caneta e escrevi.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

De sempre, ou perder-se, ou frio plantar.

Destruída. Destroçada. Desconjuntada. Desativada por um milésimo de segundo. Até que as lágrimas surgissem, suas velhas e frias amigas.
Há tempos não as via. Há tempos não lhes permitia que acariciassem sua face, e sua alma. Tinha um tumulto de informações e ideias e opiniões sobre algo que não era concreto. Dentro de tanto alvoroço e expectativa pela verdade, ela apareceu. Tinha esperanças, que se foram. A sinceridade a castigou. Ele a bombardeou usando sua pior qualidade. Calou-lhe gentilmente falando que a gentileza não existia nele. E ela se sentiu criança novamente, sendo mandada ao quarto depois de contar mentiras. Mentiras inventadas, ela querendo acreditar, fossem reais.
Com as mãos silenciosas, precisas e ainda assim trêmulas, chorou como alguém que perde. Perde algo que nunca foi seu, e nem nunca será. Chora por perder esperanças. Chora depois do açoite de elogios seguidos por frases que lhe tiravam toda a graça de imaginar oportunidades.
Pediu desculpas, que lhe foram proibidas, mais uma vez, com gentileza. Sentiu-se reprimida. Nada mais falou. De sua boca, de seus dedos, só saíam besteiras. Nada que ela se sentisse bem em falar. Nada que ela quisesse a não ser se esconder e de lá não mais sair. Fugir pra onde não a conheciam. Mas se manteve. Mandou-lhe um beijo ao final da conversa, prometendo não mais incomodar, depois de tanto se sentir infantil aos olhos dele.
Pegou a caneta, escreveu e se controlou para não rasgar o papel e cada folha preenchida e contida naquele bendito caderno. Passava por uma fase triste da vida, que há muito havia começado e não tinha perspectivas de que terminasse.
E no final do texto, depois de grande parte da inquietação vomitar, agradeceu ao homem sincero, em sincero pensamento, pelos curtos momentos em que ele a fizera voltar à literatura, e lhe devolvera a inspiração. Coisas que ela tanto amava, mas que escorriam pelos dedos feito areia fina, sem chances frequentes de recoloca-las em si mesma. Ao vento.

Depois de se curar de si mesma, até que se lembrasse do dano que ela própria lhe fizera, levantou-se e buscou um par de meias para tirar de si o frio das plantas dos pés, e se conseguia afastar o que restava de batimentos acelerados do seu coração. 

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Mudanças

Por dias eu lembrei de você. Por dias eu pensei nas nossas longas e ao mesmo tão curtas tardes de conversas inteligentes. Lembrei e me deu saudade. Deu saudades de quando éramos próximos, e de quando tudo o que eu mais me preocupava eram as tardse de estudo deixadas de lado apenas para ficarmos juntos. Você não tem ideia de como demorei pra me acostumar a não te ver todos os dias.
Mudei de cidade, mas você me abandonou muito antes disso. Mudei de quarto, de casa, de estado, de região. Mudei de vida e assim também de pensamentos e atitudes. Minha imaginação ainda ia até você sempre que eu colocava os fones de ouvido nos meus poucos momento livres, mas aos poucos isso também mudou. Eu mudei.
Por muitos meses abandonei meus livros, minhas músicas favoritas, minhas antigas ideologias, meu romantismo. Eu me abandonei. Passei a me autocriticar de uma forma tão forte que quase me destruiu. Não me importando com nada, e odiando cada dia mais as pessoas que me cercavam cheias de ignorância e egoísmo.
Até que a saudade me trouxe de volta e me lembrou que eu pertencia a outro local. E hoje, depois de tudo, a inspiração voltou a me visitar.