sábado, 21 de maio de 2011

Angústia e Felicidade

A angústia a consumia mutilando-a por dentro. Os pensamentos fluiam como a água jorrando de uma fonte, porém uma água es

Amar

Ela sentia saudades imensas dele. Sentia falta das conversas, das risadas, das confidências à meia voz. Sentia falta dos dedos se tocando e do olhar desviado, incapaz de persistir no seu. Queria poder abraçá-lo, como se nada houvesse acontecido e chorar em sua camisa, mas não tinha coragem. As coisas haviam mudado. Ele parecia nem notar. Parecia não sentir falta de nada.
Sem sombra de dúvidas as coisas haviam mudado. Ele arranjara alguém para suprir suas necessidades. Esta pessoa certamente supria entre tantas, a da sua amizade. Se é que um dia essa amizade fôra necessária.
Ela o observava de longe, sem esperar nada, sem dizer nada. Observava os seus gestos de afeto, seus sorrisos. Ela o queria assim, feliz. A felicidade dele a deixava feliz. Mesmo ele a tendo machucado profundamente com seus atos, ela o queria feliz.
Nunca sentira isso. Queria demais a felicidade dele. Os sorrisos dele a deixavam feliz mesmo estando triste. Não se importava consigo. As lágrimas rolaram e foram secadas rapidamente.

sábado, 14 de maio de 2011

Alegria apenas

A garota corria de um lado para o outro, pulando nas poças que a chuva deixava. Sorria sozinha. Desejava ardentemente que os vizinhos vissem os seus atos das janelas fechadas e com isso tivessem certeza da sua loucura. Estava feliz. Isso bastava.
Os cabelos cacheados e negros grudavam no seu rosto. ela parava, esticava os braços e girva o corpo, desenhado piruetas tortas até ficar tonta e cair no gramado. Um sorriso moleque brincava em seu rosto. Estava extremamente feliz. Queria pular, dançar, cantar, gritar, sorrir. Tudo ao mesmotempo. Desejava que o mundo todo partilhasse da sua alegria.
Felicidade. Estava totalmente anestesiada. Não existiam problemas nem preocupações. Não havia espaço para tristeza ou angústia. Seus olhos verdes espelhavam os raios e trovões que ocorriam no céu. As nuvens pareciam partilhar de sua alegria. Ela realmente adorava  a chuva e o barulho dos relâmpagos. Eles só completavama perfeição do momento.
Uma música começou a tocar. Rapidamente ela levantou-se, e, fazendo uma reverencia para o seu cavalheiro, começou a dançar. Deixava que ele a guiasse, fechando os olhos. A grama macia acariciava a ponta dos seus pés, causando-lhe cócegas. Não havia ninguém que pudesse tirar do seu rosto aquele sorriso.

Presente

Com os braços envoltos em seu pescoço ela cantava baixinho ao pé do ouvido. Pronunciava palavra por palavra saboreando cada uma delas. Mudava o ritmo da música transformando a canção em versos que são declamados.
Os braços dele envolviam sua cintura, obrigando-a a ficar bem próximo. Seus pés se mexiam lentamente sobre a grama molhada como se dançassem. Ela equilibrava-se nas pontas dos dedos, descalça.
A canção acabou. Sorrisos. Ele a beijou no pescoço causando arrepios.
- O seu afeto é o melhor presente que se pode ter sem comprar.
Ela sorriu embora ele não pudesse ver. Fechou os olhos e as lágrimas escorreram pela sua face.
- Como disse o poeta, verbo amar não se conjuga no passado.O amor não acaba, apenas muda de forma.
Silêncio. Tomou coragem e terminou:
- Eu amo você. Muito.
A noite ficava ainda mais escura com as nuvens carregadas que brigavam por espaço no céu.
A garota beijou-lhe o pescoço. Percorreu um caminho até o queixo. Afastou o rosto para olhá-lo nos olhos.
-Posso dar meu presente?
As primeiras gotas começaram a cair. Ambos olharam para cima. Ela o beijou. A chuva ficava cada vez mais grossa e não dava sinais de que cessaria.
Em poucos minutos estavam completamente molhados. Ela sorriu mais uma vez, encostou seu rosto no dele e recomeçou a cantar.

Aqui

As mãos quentes em seu pescoço eram aconchegantes. Desejou que não saissem dali. Deitada em seu colo sentia-se segura. Nada a afetaria.
Fechava os olhos sonhadora e, sem medo, deixava-se perder em devaneios e delírios, sem pressa de voltar à realidade. Sonhava, enaquanto os dedos carinhosos mexiam em seus cabelos finos.
A noite estacva linda embora estivessem no inverno e não no verão ou na primavera. Quando voltou a abrir os olhos, deparou-se com os dele. Castanhos e profundos como céu em tempestade. Como ela o amava. A sua felicidade se resumia a vê-lo. Seus sorrisos, mesmo que não direcionados a ela, a faziam sorrir. suas lágrimas se tornavam a tristeza dela. Ele a fazia bem. Ele era o seu bem.
Esticou o braço a fim de alcançar as mechas escuras que caiam em sua testa. Decidida a olhá-lo diretamnete nos olhos, sentou-se. Quando seus rostos estavam bem próximos, ela sorriu. Amava e odiava ser o foco do seu olhar. Sentia-se envergonhada e especial ao ser alvo de tanta ternura.
Com um movimento ágil agarrou-lhe as mãos com a intenção de não mais soltar. Queria ter a certeza de que estava ali e que dali não sairia. Encostou os lábios levemente nos dele , sem ação alguma. Fechou os olhos. Podia senti-lo: sua respiração acariciando a pele, suas mãos quentes nas dela. Sim, ele estava ali. Para ela isso bastava.

domingo, 8 de maio de 2011

Sentimentos furtados

No fundo do ônibus, entre chacoalhadas e conversas, uma garota sorria sozinha. Simplesmente sorria. Sentia-se feliz, achava. Usufruia porém de uma felicidade que não era sua, uma felicidade adquirida, uma felicidade furtada.
Fixava o nada mas prestava atenção a tudo. As risadas alheias a faziam sorrir. Sorria. Sabia o porque e ao mesmo tempo não sabia. Conhecia a origem de sua felicidade mas, às vezes, preferia não conhecê-la. Estava feliz, era um fato. Sorria, talvez por lembranças, remotas ou recentes.
De um momento para o outro, mudou. Estava terrivelmente triste. A tristeza tomou o lugar da alegria que abrasava o coração. As lágrimas que não eram suas acabavam por tomar lugar em seus olhos. O choro alheio a entristecia.
Tentou buscar o sorriso novamente mas só o que conseguiu foram olhos encharcados. Era verdade, talvez convivesse melhor com a tristeza. Quanto à felicidade, não se lembrava quando tinha sido realmente sua.
Felicidade e tristeza, opostos, distintos. Porém, quem garantia que não andavam lado a lado? Queria muito que o sorriso voltasse, não queria se acostumar à tristeza, desejava mudar novamente. Procurou deseperadamente por um sorriso alheio mas não conseguiu enxergar nenhum. Não tinha mais para onde fugir. A felicidade não lhe pertencia, era furtada. Mas a tristeza era sua.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Seu e de mais ninguém

Ele a olhava com carinho. Com os olhos cheios de lágrimas, ela retribuiu o olhar. Não queria que ele fosse embora. Segurava sua mão entrelaçando seus dedos aos dele. Sorrindo, ele a beijou.
Beijou-a como se fosse a primeira. Seus lábios quentes pressionavam os dela delicadamente porém com uma apreensão aparente. Ela sabia que ele iria. Contra a sua vontade e contra a vontade dela mas iria.
ele não queria ir. Desejava que suas mãos nunca deixassem de tocar as dela, que seus lábios nunca ficassem a uma distância tão grande como esta a qual ficariam sujeitos.
Ela não pôde contê-las. Não queria quie ele as visse. Elas escorreram pelo seu rosto deixando-o salgado. As lágrimas. ele secou-as com os dedos e mais uma vez beijou-a.
Já sentia saudades dela. Colocou uma mão em sua cintura enquanto a outra acariciava sua nuca e os cabelos lisos e dourados. Beijou-a como se fosse a ultima vez que o fazia. Sentiu o seu calor . Quando a abraçou sentiu-a ali, pequena, delicada entre os seus braços.
Queria com aquele abraço afastar todas as mágoas e tristezas que a aflingiam. Queria protegê-la. Ela era a sua pequena.
Ela se deixou ser abraçada pelos braços fortes que queriam protegê-la. As lágrimas escorreram pela sua face novamente.Não deixou que ele as visse afundando o rosto no seu uniforme.
Ele abraçou-a com mais força e beijou a sua cabeça. Naquele momento ela percebeu que ele era seu e ninguem poderia tirá-lo dela.