Dias de chuva eram para ela, antes de tudo, nostalgicos. Faziam-na recordar tempos, não longe mas recentes, dos quais já sentia uma saudade que para ela seria eterna. Tempos que não voltariam jamais.As gotas de chuva remexiam a terra em busca de algo desconhecido e traziam a sensação fria e ao mesmo tempo cálida na pele que se arrepiava. Um sentir-se bem.
Dias de chuva, em sua simplicidade, mergulhavam-na em uma multidão de pensamentos. Dias de chuva a levavam a pensar. Pensar nas suas amarguras guardadas, jogadas fora e vestigios que ainda permaniciam ali. Pessoas, pessoas e pessoas. Pessoas que a trocaram po outras sem ao menos pensar duas vezes. Pessoas que a fizeram se sentir no topo do mundo de tão especial. Pessoas maravilhosas que tivera tão pouco tempo para conhecer e conviver. Pessoas que pareciam muito com ela mesma. Pessoas que a surpreendiam ao se mostrar de uma forma diferente da qual ela achava que fossem. Pessoas , tão simples mas as quais muitas vezes teima-se em dizer complicadas.
Dias de chuva a lembravam de outros dias de chuva, passados em ótimas companhias. Já tinha aceitado que nunguém possui o poder para manter uma situação eternamente. E que a vida é muito curta para se viver tudo o que vale a pena ser vivido. Momentos bons devem ser arquivados na memória e recordados sempre que se sentir saudades imensas daquilo que , como todos sabem, não voltará jamais.
Sim, ela adorava dias de chuva. Traziam-na um sentimento inexplicável. A alegria, a tristeza, a nostalgia. O frio que abraçava e acariciava suavemente a pele. Por dentro, o calor que acalentava e fazi o coração bater mais rápido. A vontade de ir embora e deixar tudo para trás. E a dor que isso causa ao ser humano. Algo que a corroía por dentro e que, por fora, a impulsionava a seguir em frente.
E por último, a vontade de que nada mudasse. O querer que se pudesse continuar por um longo tempo o que era vivido no ano agora terminado.
Depois de um turbilhão de sensações, a garota chorou. Viu-se pequena diante do Universo. Inexperiente, e a vida que batia à sua porta, louca para puxá-la pela mão e mostra tudo o que havia de bom. Tirá-la do seu mindinho e dizer que há muito a se fazer, principalmente pelos que estariam próximos a ela. As lágrimas escorriam. Sim, ela iria, mas sabia: nunca esqueceria nada do que vivera, sem dúvidas, que se pudesse viveria tudo outra vez. Não se prenderia ao passado, a vida exigiria que vivesse o presente. Entretanto, quando a idade avançasse e com ela surgissem as tão famosas rugas e cabelos brancos poderá dizer que viveu intensamente tudo o que tinha para viver e sorrirá ao lembrar e contar suas histórias.
E a garota chorava calada. Lágrimas quantes de saudade do que passou e do que ainda viria.
Hoje deu vontade de ouvir Beatles. Quis correr atrás da inspiração e trazê-la pelo braço, nem que fosse arrastada. Quase fui.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Incostância
A garota chorava mas não conhecia o motivo. Ou tinha motivos demais para chorar apenas por um deles. Tremia, as mãos suavam, os olhos ora fixos ora extremamente agitados.
Tinha certeza que ele estava entre os motivos. Ele, os amigos, a baixa-autoestima, a escola, as pessoas que a olhavam atravessado sem aparente motivo. Não deveria ligar para elas, mas estava triste demais para pensar assim.
Sentia que não tinha nada a acrescentar à vida das pessoas que cruzavam seus caminhos. Beleza? Isso não serve para nada além de atrair pessoas em sua maioria fúteis, que não veem o que vale a pena ser visto, usufruido e amado.
Porque ver apenas o exterior? A garota chorava ainda mais em pensar nisso. Ela era ridícula, fútil, feia e sem graça. O que ganhariam em ficar ao seu lado? Nada.
As lágrimas rolavam em cascata sem fim. Não queria estar sozinha, mas estava. Queria muito alguém ali com ela, dizendo que entendia tudo, que isso iria passar, que a vida é muito mais que tudo aquilo, muito mais que o mundinho em que ela vivia agora. Que existem pessoas maravilhosas e que valem a pena. Queria que alguém a abraçasse e dissesse que já estavam longe de tudo.
Mas tal alguém estava bem longe dela e perto de outra garota, sendoseu melhor amigo, seu namorado e tudo o mais que ela desejasse. Naquele exato momento, enquanto seu corpo sangrava em lágrimas.
Tinha certeza que ele estava entre os motivos. Ele, os amigos, a baixa-autoestima, a escola, as pessoas que a olhavam atravessado sem aparente motivo. Não deveria ligar para elas, mas estava triste demais para pensar assim.
Sentia que não tinha nada a acrescentar à vida das pessoas que cruzavam seus caminhos. Beleza? Isso não serve para nada além de atrair pessoas em sua maioria fúteis, que não veem o que vale a pena ser visto, usufruido e amado.
Porque ver apenas o exterior? A garota chorava ainda mais em pensar nisso. Ela era ridícula, fútil, feia e sem graça. O que ganhariam em ficar ao seu lado? Nada.
As lágrimas rolavam em cascata sem fim. Não queria estar sozinha, mas estava. Queria muito alguém ali com ela, dizendo que entendia tudo, que isso iria passar, que a vida é muito mais que tudo aquilo, muito mais que o mundinho em que ela vivia agora. Que existem pessoas maravilhosas e que valem a pena. Queria que alguém a abraçasse e dissesse que já estavam longe de tudo.
Mas tal alguém estava bem longe dela e perto de outra garota, sendoseu melhor amigo, seu namorado e tudo o mais que ela desejasse. Naquele exato momento, enquanto seu corpo sangrava em lágrimas.
O sapo Gordo e a plantinha
Essa história é bem simples. Achei que devesse colocá-la aqui porque apesar de ser ingênua, e alguns poderão dizer infantil e boba, diz muito. Principalmente pra mim.
(Perdoem a má estrutura do texto e a terrível formação das frases. Essa história foi fruto de uma brincadeira, e é simplesmente pelo que ela representa que está aqui.)
Era uma vez um sapo chamado Ronaldo. Ronaldo era um sapo muito gordo, mas mesmo assim ele era feliz. Ele tinha uma amiga chamada plantinha. Plantinhaera muito emo, gostava de Coldplay e adorava fazer fotossíntese. Um certo dia o sapo tentou animar a "mudinha", tentou cantar, pular, contar piadas, falar inglês, mas não estava conseguindo. Ele estava quase desistindo quando teve uma brilhante idéia. Foi então que ele decidiu dar um presente para ela. Ele ficou muito feliz pois sua idéia era mesmo brilhante. Porém, hesitou alguns momentos,"será que a idéia era assim tão boa mesmo?". Não sabia, mas só tinha essa. Decidiu, além de tudo, arriscar. Neste instante lembrou-se da plantinha e se deu conta de que ela veria a intenção, não o físico. Animou-se.
A plantinha se aquecia ao Sol quando Ronaldo se aproximou com um pequeno embrulho nas mãos. A "mudinha" olhou bem para ele, o olhar de sempre. Ele retribuiu o olhar e entregou o presente. Ela aceitou meio desconfiada, abriu e logo ficou radiante: eram os dois pilotos que ela tanto queria.
A plantinha agradeceu imensamente o singelo presente, agradeceu por ele ter se lembrado dela. mas além de tudo, como ele já supunha, ela agradeceu a representação de carinho presente em suas ações e atitudes.
(Perdoem a má estrutura do texto e a terrível formação das frases. Essa história foi fruto de uma brincadeira, e é simplesmente pelo que ela representa que está aqui.)
Era uma vez um sapo chamado Ronaldo. Ronaldo era um sapo muito gordo, mas mesmo assim ele era feliz. Ele tinha uma amiga chamada plantinha. Plantinhaera muito emo, gostava de Coldplay e adorava fazer fotossíntese. Um certo dia o sapo tentou animar a "mudinha", tentou cantar, pular, contar piadas, falar inglês, mas não estava conseguindo. Ele estava quase desistindo quando teve uma brilhante idéia. Foi então que ele decidiu dar um presente para ela. Ele ficou muito feliz pois sua idéia era mesmo brilhante. Porém, hesitou alguns momentos,"será que a idéia era assim tão boa mesmo?". Não sabia, mas só tinha essa. Decidiu, além de tudo, arriscar. Neste instante lembrou-se da plantinha e se deu conta de que ela veria a intenção, não o físico. Animou-se.
A plantinha se aquecia ao Sol quando Ronaldo se aproximou com um pequeno embrulho nas mãos. A "mudinha" olhou bem para ele, o olhar de sempre. Ele retribuiu o olhar e entregou o presente. Ela aceitou meio desconfiada, abriu e logo ficou radiante: eram os dois pilotos que ela tanto queria.
A plantinha agradeceu imensamente o singelo presente, agradeceu por ele ter se lembrado dela. mas além de tudo, como ele já supunha, ela agradeceu a representação de carinho presente em suas ações e atitudes.
sábado, 1 de outubro de 2011
Ela nada podia fazer, apenas abraçá-lo e tê-lo ali consigo. Sentia-se inútil e o silêncio dele agravava ainda mais o seu sentimento. Através do seu abraço podia sentir o coração dele a bater, sua respiração quente no pescoço, seus dedos acariciando sua cintura. Os olhos vermelhos, a tristeza calada.
Em contradição, possuía um sentimento estranho e ainda sem explicação que se opunha a sua inutilidade. Sentia que podia acalmar, dizer sem palavras que tudo ficaria bem, que já estavam longe de tudo. Queria-o bem, palhaço e chato de sempre. Não sentia pena dele. Ela apenas o amava demais.
Em contradição, possuía um sentimento estranho e ainda sem explicação que se opunha a sua inutilidade. Sentia que podia acalmar, dizer sem palavras que tudo ficaria bem, que já estavam longe de tudo. Queria-o bem, palhaço e chato de sempre. Não sentia pena dele. Ela apenas o amava demais.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Simples ou Essencia
Fechava os olhos para se concentrar totalmente na audição. Fechava os olhos para não ver. Praticava essa ação até porque muitas vezes não queria enxergar a beleza física das pessoas. Queria ver muito mais que isso. Não queria ver o egoísmo e a frieza dos seres humanos. A humanidade é desumana.
Ela queria muito mais que isso. Muito mais do que esse mundinho em que vivia poderia oferecer. Não queria parecer boçal... ela queria poder enxergar a essência das coisas.
Ouvia ao longe as pessoas conversando. Conseguia ouvir o leve bater da cortina na janela. Escutava o vento balançando as folhas das árvores e ao mesmo tempo o apito dos ônibus que freavam na esquina. Sorriu.
Sorriu porque queria sorrir. Às vezes, sabendo sempre que não deveria querer tal coisa, desejava fechar os olhos para não mais ver as coisas ruins que o mundo oferecia todos os dias.
Porque o mundo era assim? Porque as pessoas agiam de tal forma? Não queria mais ver. Na inocência, achava cada dia mais que aquele não era o seu lugar. Queria sair dali. Conhecer pessoas novas. Estava saturada, embora se achasse extremamente ingrata e idiota por isso.
Desejava acima de tudo ser cega e enxergar. Enxergar o verdadeiro eu das pessoas, a essência. queria ir embora e ser livre. Estava necessitada de autenticidade.
Ela queria muito mais que isso. Muito mais do que esse mundinho em que vivia poderia oferecer. Não queria parecer boçal... ela queria poder enxergar a essência das coisas.
Ouvia ao longe as pessoas conversando. Conseguia ouvir o leve bater da cortina na janela. Escutava o vento balançando as folhas das árvores e ao mesmo tempo o apito dos ônibus que freavam na esquina. Sorriu.
Sorriu porque queria sorrir. Às vezes, sabendo sempre que não deveria querer tal coisa, desejava fechar os olhos para não mais ver as coisas ruins que o mundo oferecia todos os dias.
Porque o mundo era assim? Porque as pessoas agiam de tal forma? Não queria mais ver. Na inocência, achava cada dia mais que aquele não era o seu lugar. Queria sair dali. Conhecer pessoas novas. Estava saturada, embora se achasse extremamente ingrata e idiota por isso.
Desejava acima de tudo ser cega e enxergar. Enxergar o verdadeiro eu das pessoas, a essência. queria ir embora e ser livre. Estava necessitada de autenticidade.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Certeza ou verdade
Ela, com toda certeza, sentiria uma enorme falta deles. De todos; cada um em particular e juntos como um todo. Juntos.
Juntos, era como ela achava que deveriam ficar. Mas a vida não tem piedade e acaba sempre por afastar a todos. Afastar não, separar. Ou seria mesmo afastar? Sim, era realmente afastar. Porque para ela, nada poderia separá-los.
Nada mudaria o que ficara na memória. Cada memória guardada e bem guardada. Risadas de piadas sem graça. Apelidos reveladores porém carinhosos. Conversas sérias e descontraídas. Micos e dias depressivos de chuva. Fotos engraçadas e "espontâneas" que fazem todos se divertirem. A força que nos unia até na recuperação. Os novatos que já conquistaram a afeição. Os veteranos que, como verdadeiros companheiros, estuveram aqui sempre. As aulas a tarde e os 'estudos' da tarde. As paqueras e rolos. As lágrimas e as flores.
Quanto a eles, nada tinha a reclamar ou a esquecer, apagar. Eles eram maravilhosos. Faziam os seus dias mais radiantes. Cada um com seu jeito, sua marca registrada. Um se importando com o outro. Abraçando quando era ou não necessário. Desejando um "bom-dia" animado nas provas aos domingos. Todos.
Como ela sentiria falta. O mundo mandara cada um para lugar diferente. Afastou-os fisicamente, e até emocionalmente. Afastou um do convívio do outro. Mas não conseguirá apagar das lembranças tempos de tanta felicidade mútua que só quem ama guarda com carinho: verdadeiros amigos.
Juntos, era como ela achava que deveriam ficar. Mas a vida não tem piedade e acaba sempre por afastar a todos. Afastar não, separar. Ou seria mesmo afastar? Sim, era realmente afastar. Porque para ela, nada poderia separá-los.
Nada mudaria o que ficara na memória. Cada memória guardada e bem guardada. Risadas de piadas sem graça. Apelidos reveladores porém carinhosos. Conversas sérias e descontraídas. Micos e dias depressivos de chuva. Fotos engraçadas e "espontâneas" que fazem todos se divertirem. A força que nos unia até na recuperação. Os novatos que já conquistaram a afeição. Os veteranos que, como verdadeiros companheiros, estuveram aqui sempre. As aulas a tarde e os 'estudos' da tarde. As paqueras e rolos. As lágrimas e as flores.
Quanto a eles, nada tinha a reclamar ou a esquecer, apagar. Eles eram maravilhosos. Faziam os seus dias mais radiantes. Cada um com seu jeito, sua marca registrada. Um se importando com o outro. Abraçando quando era ou não necessário. Desejando um "bom-dia" animado nas provas aos domingos. Todos.
Como ela sentiria falta. O mundo mandara cada um para lugar diferente. Afastou-os fisicamente, e até emocionalmente. Afastou um do convívio do outro. Mas não conseguirá apagar das lembranças tempos de tanta felicidade mútua que só quem ama guarda com carinho: verdadeiros amigos.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Sempre
Ela costumava passar por ali sempre. O mesmo lugar, a mesma hora. E sempre ele estava ali. Não sabia o nome dele, muito menos de onde vinha. Se perguntassem a ela o que ele fazia da vida ou onde nascera não saberia responder. Mas poderia jurar que não havia ninguém na face da Terra que conhecesse seus olhos tão bem quanto ela. Não existia uma pessoa que detalhasse melhor o seu jeito de sorrir ou a mudança de corao ficar sem graça.
A garota escolhia o mesmo caminho há semanas na esperança de encontrar com os belos olhos os quais faziam com que ganhasse o dia. sonhava com quanto tomaria coragem parafalar-lhe um mero "boa-tarde" ou quando seria capaz de direcionar um simples sorriso timido. Mas ela acreditava que ele sempre estaria lá.
Até que um dia, ele sumira sem aparente explicação. Ela tentou em vão se controlar e não demonstrar aflição afinal, poderiam ser motivos banais os de sua ausência. Continuou seu caminho até a venda na esquina do quarteirão. Pediu os pães de costume e enquanto esperava ouviu o que procurava:
- sim, eu soube, apareceu até no noticiário. foi um acidente horrivel. um rapaz tão proximo, nunca ninguém pensava que isso fosse ocorrer. Injustiças do mundo... soube que o carro ficou totalmente estilhaçado.
-Pois é... Tão jovem! É revoltante. Morto pela irresponsabilidade de outros. Tão inteligente, bonito, com a vida toda pela frente. Não consigo pensar que ele não vai estar mais ali sentado todas as tardes... A familia está arrasada.
- Nossa, lembro de tê-lo cumprimentado ainda ontem, ali, no lugar de sempre, na hora de sempre. foi tão repentino..
Os olhos da garota se encheram de lágrimas. O senhor que falava olhos para os lados, e, não notando a presença dela continuou:
- Sabe aquela moça que vem sempre aqui a essa hora comprar o pão da noite? que mora na casa 184?
Ouvi dizer que foram encontrados no carro dele um bouquet de rosas e um possivel cartão que seriam entregues para ela por ele. segundo sua mão, ele estava apaixonadissimo.
-Formariam um belo par.
- E pensar que ele sentava naquele bacon todos os dias, na esperança de falar com ela, ou simplesmente vê-la passar...
A garota escolhia o mesmo caminho há semanas na esperança de encontrar com os belos olhos os quais faziam com que ganhasse o dia. sonhava com quanto tomaria coragem parafalar-lhe um mero "boa-tarde" ou quando seria capaz de direcionar um simples sorriso timido. Mas ela acreditava que ele sempre estaria lá.
Até que um dia, ele sumira sem aparente explicação. Ela tentou em vão se controlar e não demonstrar aflição afinal, poderiam ser motivos banais os de sua ausência. Continuou seu caminho até a venda na esquina do quarteirão. Pediu os pães de costume e enquanto esperava ouviu o que procurava:
- sim, eu soube, apareceu até no noticiário. foi um acidente horrivel. um rapaz tão proximo, nunca ninguém pensava que isso fosse ocorrer. Injustiças do mundo... soube que o carro ficou totalmente estilhaçado.
-Pois é... Tão jovem! É revoltante. Morto pela irresponsabilidade de outros. Tão inteligente, bonito, com a vida toda pela frente. Não consigo pensar que ele não vai estar mais ali sentado todas as tardes... A familia está arrasada.
- Nossa, lembro de tê-lo cumprimentado ainda ontem, ali, no lugar de sempre, na hora de sempre. foi tão repentino..
Os olhos da garota se encheram de lágrimas. O senhor que falava olhos para os lados, e, não notando a presença dela continuou:
- Sabe aquela moça que vem sempre aqui a essa hora comprar o pão da noite? que mora na casa 184?
Ouvi dizer que foram encontrados no carro dele um bouquet de rosas e um possivel cartão que seriam entregues para ela por ele. segundo sua mão, ele estava apaixonadissimo.
-Formariam um belo par.
- E pensar que ele sentava naquele bacon todos os dias, na esperança de falar com ela, ou simplesmente vê-la passar...
Tão Imperfeito
Frase inventadas de ultima hora e ditas aos sussuros no ouvido. Uma cidade feia e cheia de concreto numa noite sem luar.
Ainda lembrava do primeiro beijo e a constrangedora batida de dentes. As estrelas brilhavam meio apagadas pela enorme quantidade de luzes da rua e das casas vizinhas. As mãos se segurando quentes e suadas, na varanda da casa dela. De todo o quarteirão, só eles estavam no escuro.
sentados no chão frio para afugentar o calor do verão, conversavam sobre a escola, sobre os amigos e sobre o futuro. Tinham planos como todo casal revolucionário de 17 anos. Ela sorria das piadas sem graça que ele faziasobre a familia. Eram primos, afinal. Ele, mais velho que ela 5 meses, 3 semanas e 2 dias. Ela, com os cabelos extremamente cacheados, escuros e compridos.
Sozinhos. Ele, com a mão em sua cintura em um meio abraço, confessava ser apaixonado desde pequeno quando ainda tomavam banho juntos. Ela encostada em seu peito nu, com as bochechas queimando de vergonha ao lembrar da infância. Sim, tinham um sentimento mútuo desde pequenos.
O verão acabava, só se veriam agora nas próximas férias ou talvez antes, em alguma reunião de família. Prometeram se falar pela internet e pelo celular. A distância não os afastaria.
Não ficariam trsites. Sempre que batesse a saudade, sorririam ao lembrar de todos os detalhes dos dias passados juntos. Do quase afogamento dela e da respiração boca-a-boca. Da torção do braço dele e do beijinho que segundo ela o curaria. Lembrariam de todas as situações imperfeitas que tornaram tudo mais marcante... e mais perfeito.
Ainda lembrava do primeiro beijo e a constrangedora batida de dentes. As estrelas brilhavam meio apagadas pela enorme quantidade de luzes da rua e das casas vizinhas. As mãos se segurando quentes e suadas, na varanda da casa dela. De todo o quarteirão, só eles estavam no escuro.
sentados no chão frio para afugentar o calor do verão, conversavam sobre a escola, sobre os amigos e sobre o futuro. Tinham planos como todo casal revolucionário de 17 anos. Ela sorria das piadas sem graça que ele faziasobre a familia. Eram primos, afinal. Ele, mais velho que ela 5 meses, 3 semanas e 2 dias. Ela, com os cabelos extremamente cacheados, escuros e compridos.
Sozinhos. Ele, com a mão em sua cintura em um meio abraço, confessava ser apaixonado desde pequeno quando ainda tomavam banho juntos. Ela encostada em seu peito nu, com as bochechas queimando de vergonha ao lembrar da infância. Sim, tinham um sentimento mútuo desde pequenos.
O verão acabava, só se veriam agora nas próximas férias ou talvez antes, em alguma reunião de família. Prometeram se falar pela internet e pelo celular. A distância não os afastaria.
Não ficariam trsites. Sempre que batesse a saudade, sorririam ao lembrar de todos os detalhes dos dias passados juntos. Do quase afogamento dela e da respiração boca-a-boca. Da torção do braço dele e do beijinho que segundo ela o curaria. Lembrariam de todas as situações imperfeitas que tornaram tudo mais marcante... e mais perfeito.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Bem Querer
A música tocava no silêncio do quarto, reproduzida por um aparelho eletrônico. Porém fora ele quem tocara para ela. Eram os dedos longos e finos que fizeram aquele som existir. Fizeram para ela. Som esse que tocava não só seus ouvidos mas também sua alma. Cada nota um sentimento moldado, um bater mais forte do seu coração.
Como ela queria que ele estivesse ali junto de si. A saudade apertava muito. Desejava ardentemente sentir o calor da sua pele como quando a abraçava, e seus cabelos a acariciar sua face. Desejava poder segurar sua mão, sentir seus dedos. Queria deitar em seu colo e deixar que mexesse com carinho em seus cabelos. Queria roubá-lo para si e fugir sem deixar rastros. Ir para um lugar onge de tudo, onde ninguém os achasse, a não ser que um dia permitissem ser encontrados.
Queria tê-lo consigo sem nunca pensar em separação. Rir o riso dele. Queria-o como as flores anseiam pelo sol para só assim desabrochar. Queria, egoistamente, ter seus sorrisos só para ela.
jogar-se em seus braços e esquecer que existe maldade e infelicidade. Queria se sentir segura. Sorrir e chorar com a certeza de que ele estaria ali sempre, compartilhando dos sentimentos dela e dividindo os seus.
Num fechar de olhos desejou mais que tudo que ele pudesse tocar, naquele momento, a sua canção de ninar. Queria sonhar. E com os olhos bem fechados acreditar que não estava ali, mas em um lugar bem longe de tudo e bem perto dele.
Como ela queria que ele estivesse ali junto de si. A saudade apertava muito. Desejava ardentemente sentir o calor da sua pele como quando a abraçava, e seus cabelos a acariciar sua face. Desejava poder segurar sua mão, sentir seus dedos. Queria deitar em seu colo e deixar que mexesse com carinho em seus cabelos. Queria roubá-lo para si e fugir sem deixar rastros. Ir para um lugar onge de tudo, onde ninguém os achasse, a não ser que um dia permitissem ser encontrados.
Queria tê-lo consigo sem nunca pensar em separação. Rir o riso dele. Queria-o como as flores anseiam pelo sol para só assim desabrochar. Queria, egoistamente, ter seus sorrisos só para ela.
jogar-se em seus braços e esquecer que existe maldade e infelicidade. Queria se sentir segura. Sorrir e chorar com a certeza de que ele estaria ali sempre, compartilhando dos sentimentos dela e dividindo os seus.
Num fechar de olhos desejou mais que tudo que ele pudesse tocar, naquele momento, a sua canção de ninar. Queria sonhar. E com os olhos bem fechados acreditar que não estava ali, mas em um lugar bem longe de tudo e bem perto dele.
Luz dos olhos
A garota chorava desesperadamente. O rosto extremamente vermelho e os olhos inchados espelhavam a noite em claro derramando lágrimas por alguém que não estava ali. Alguém que não queria estar com ela. uma pessoa que a iludira com mentiras e carinhos que um dia a fizeram se sentir única.
Em seu coração ainda estava encravado o punhal com o qual foi ferida. Não, ele não estava mais com ela. Mas, o que havia de errado para que ele terminasse sem motivos aparentes? Seria algo de errado com ela?
Levantou-se rapidamente e olhou-se no espelho. Os cabelos louros e muito lisos estavam bem desgrenhados. Os olhos verdes estavam um pouco escondidos pelo inchaço. Observou a linha que delineava a boca fina. O nariz bem afilado. A pele de um moreno apagado pelo bom tempo sem se bronzear.
Passou as mãos pelo seu corpo fazendo a camisa folgada que vestia tocar a sua pele. Seios fartos, cintura, pernas firmes. Não podia dizer que possuía muitas curvas mas não era desprovida delas. Olhou para o conjunto todo. Se o espelho não estivesse mentindo, ela era realmente muito bonita.
Enxugou as lágrimas e correu a se arrumar. Vestido preto, acinturado e curto. Sapatos vermelhos e altos. Sim, estava linda. Coloriu os lábios de rosa e delineou os belos olhos verdes com lápis preto. Alongou os cílios. Penteou os longos cabelos dourados.
Parou novamente em frente ao espelho e observou. A tarde acabava, o Sol derramava seus últimos raios. Um deles tocou seus olhos, acendendo-os.
Um sorriso apareceu em seus lábios. Não iria mais chorar por alguém que não a merecia. Ela era muito mais que isso. Ele não era o único e não seria o ultimo que a faria feliz.
O céu escurecia. A tarde havia acabado, e junto com ela o dia. Mas a noite prometia.
Desculpas...
Bom, antes de postar qualquer coisa, acho que devo muitas desculpas, a vcs que vieram sempre aqui procurar algo e não encontraram por um longo tempo. Desculpem-me e espero não ter perdido nenhum dos poucos leitores...=/
Bom, vai aqui dois textos.
Bom, vai aqui dois textos.
sábado, 21 de maio de 2011
Angústia e Felicidade
A angústia a consumia mutilando-a por dentro. Os pensamentos fluiam como a água jorrando de uma fonte, porém uma água es
Amar
Ela sentia saudades imensas dele. Sentia falta das conversas, das risadas, das confidências à meia voz. Sentia falta dos dedos se tocando e do olhar desviado, incapaz de persistir no seu. Queria poder abraçá-lo, como se nada houvesse acontecido e chorar em sua camisa, mas não tinha coragem. As coisas haviam mudado. Ele parecia nem notar. Parecia não sentir falta de nada.
Sem sombra de dúvidas as coisas haviam mudado. Ele arranjara alguém para suprir suas necessidades. Esta pessoa certamente supria entre tantas, a da sua amizade. Se é que um dia essa amizade fôra necessária.
Ela o observava de longe, sem esperar nada, sem dizer nada. Observava os seus gestos de afeto, seus sorrisos. Ela o queria assim, feliz. A felicidade dele a deixava feliz. Mesmo ele a tendo machucado profundamente com seus atos, ela o queria feliz.
Nunca sentira isso. Queria demais a felicidade dele. Os sorrisos dele a deixavam feliz mesmo estando triste. Não se importava consigo. As lágrimas rolaram e foram secadas rapidamente.
Sem sombra de dúvidas as coisas haviam mudado. Ele arranjara alguém para suprir suas necessidades. Esta pessoa certamente supria entre tantas, a da sua amizade. Se é que um dia essa amizade fôra necessária.
Ela o observava de longe, sem esperar nada, sem dizer nada. Observava os seus gestos de afeto, seus sorrisos. Ela o queria assim, feliz. A felicidade dele a deixava feliz. Mesmo ele a tendo machucado profundamente com seus atos, ela o queria feliz.
Nunca sentira isso. Queria demais a felicidade dele. Os sorrisos dele a deixavam feliz mesmo estando triste. Não se importava consigo. As lágrimas rolaram e foram secadas rapidamente.
sábado, 14 de maio de 2011
Alegria apenas
A garota corria de um lado para o outro, pulando nas poças que a chuva deixava. Sorria sozinha. Desejava ardentemente que os vizinhos vissem os seus atos das janelas fechadas e com isso tivessem certeza da sua loucura. Estava feliz. Isso bastava.
Os cabelos cacheados e negros grudavam no seu rosto. ela parava, esticava os braços e girva o corpo, desenhado piruetas tortas até ficar tonta e cair no gramado. Um sorriso moleque brincava em seu rosto. Estava extremamente feliz. Queria pular, dançar, cantar, gritar, sorrir. Tudo ao mesmotempo. Desejava que o mundo todo partilhasse da sua alegria.
Felicidade. Estava totalmente anestesiada. Não existiam problemas nem preocupações. Não havia espaço para tristeza ou angústia. Seus olhos verdes espelhavam os raios e trovões que ocorriam no céu. As nuvens pareciam partilhar de sua alegria. Ela realmente adorava a chuva e o barulho dos relâmpagos. Eles só completavama perfeição do momento.
Uma música começou a tocar. Rapidamente ela levantou-se, e, fazendo uma reverencia para o seu cavalheiro, começou a dançar. Deixava que ele a guiasse, fechando os olhos. A grama macia acariciava a ponta dos seus pés, causando-lhe cócegas. Não havia ninguém que pudesse tirar do seu rosto aquele sorriso.
Os cabelos cacheados e negros grudavam no seu rosto. ela parava, esticava os braços e girva o corpo, desenhado piruetas tortas até ficar tonta e cair no gramado. Um sorriso moleque brincava em seu rosto. Estava extremamente feliz. Queria pular, dançar, cantar, gritar, sorrir. Tudo ao mesmotempo. Desejava que o mundo todo partilhasse da sua alegria.
Felicidade. Estava totalmente anestesiada. Não existiam problemas nem preocupações. Não havia espaço para tristeza ou angústia. Seus olhos verdes espelhavam os raios e trovões que ocorriam no céu. As nuvens pareciam partilhar de sua alegria. Ela realmente adorava a chuva e o barulho dos relâmpagos. Eles só completavama perfeição do momento.
Uma música começou a tocar. Rapidamente ela levantou-se, e, fazendo uma reverencia para o seu cavalheiro, começou a dançar. Deixava que ele a guiasse, fechando os olhos. A grama macia acariciava a ponta dos seus pés, causando-lhe cócegas. Não havia ninguém que pudesse tirar do seu rosto aquele sorriso.
Presente
Com os braços envoltos em seu pescoço ela cantava baixinho ao pé do ouvido. Pronunciava palavra por palavra saboreando cada uma delas. Mudava o ritmo da música transformando a canção em versos que são declamados.
Os braços dele envolviam sua cintura, obrigando-a a ficar bem próximo. Seus pés se mexiam lentamente sobre a grama molhada como se dançassem. Ela equilibrava-se nas pontas dos dedos, descalça.
A canção acabou. Sorrisos. Ele a beijou no pescoço causando arrepios.
- O seu afeto é o melhor presente que se pode ter sem comprar.
Ela sorriu embora ele não pudesse ver. Fechou os olhos e as lágrimas escorreram pela sua face.
- Como disse o poeta, verbo amar não se conjuga no passado.O amor não acaba, apenas muda de forma.
Silêncio. Tomou coragem e terminou:
- Eu amo você. Muito.
A noite ficava ainda mais escura com as nuvens carregadas que brigavam por espaço no céu.
A garota beijou-lhe o pescoço. Percorreu um caminho até o queixo. Afastou o rosto para olhá-lo nos olhos.
-Posso dar meu presente?
As primeiras gotas começaram a cair. Ambos olharam para cima. Ela o beijou. A chuva ficava cada vez mais grossa e não dava sinais de que cessaria.
Em poucos minutos estavam completamente molhados. Ela sorriu mais uma vez, encostou seu rosto no dele e recomeçou a cantar.
Os braços dele envolviam sua cintura, obrigando-a a ficar bem próximo. Seus pés se mexiam lentamente sobre a grama molhada como se dançassem. Ela equilibrava-se nas pontas dos dedos, descalça.
A canção acabou. Sorrisos. Ele a beijou no pescoço causando arrepios.
- O seu afeto é o melhor presente que se pode ter sem comprar.
Ela sorriu embora ele não pudesse ver. Fechou os olhos e as lágrimas escorreram pela sua face.
- Como disse o poeta, verbo amar não se conjuga no passado.O amor não acaba, apenas muda de forma.
Silêncio. Tomou coragem e terminou:
- Eu amo você. Muito.
A noite ficava ainda mais escura com as nuvens carregadas que brigavam por espaço no céu.
A garota beijou-lhe o pescoço. Percorreu um caminho até o queixo. Afastou o rosto para olhá-lo nos olhos.
-Posso dar meu presente?
As primeiras gotas começaram a cair. Ambos olharam para cima. Ela o beijou. A chuva ficava cada vez mais grossa e não dava sinais de que cessaria.
Em poucos minutos estavam completamente molhados. Ela sorriu mais uma vez, encostou seu rosto no dele e recomeçou a cantar.
Aqui
As mãos quentes em seu pescoço eram aconchegantes. Desejou que não saissem dali. Deitada em seu colo sentia-se segura. Nada a afetaria.
Fechava os olhos sonhadora e, sem medo, deixava-se perder em devaneios e delírios, sem pressa de voltar à realidade. Sonhava, enaquanto os dedos carinhosos mexiam em seus cabelos finos.
A noite estacva linda embora estivessem no inverno e não no verão ou na primavera. Quando voltou a abrir os olhos, deparou-se com os dele. Castanhos e profundos como céu em tempestade. Como ela o amava. A sua felicidade se resumia a vê-lo. Seus sorrisos, mesmo que não direcionados a ela, a faziam sorrir. suas lágrimas se tornavam a tristeza dela. Ele a fazia bem. Ele era o seu bem.
Esticou o braço a fim de alcançar as mechas escuras que caiam em sua testa. Decidida a olhá-lo diretamnete nos olhos, sentou-se. Quando seus rostos estavam bem próximos, ela sorriu. Amava e odiava ser o foco do seu olhar. Sentia-se envergonhada e especial ao ser alvo de tanta ternura.
Com um movimento ágil agarrou-lhe as mãos com a intenção de não mais soltar. Queria ter a certeza de que estava ali e que dali não sairia. Encostou os lábios levemente nos dele , sem ação alguma. Fechou os olhos. Podia senti-lo: sua respiração acariciando a pele, suas mãos quentes nas dela. Sim, ele estava ali. Para ela isso bastava.
Fechava os olhos sonhadora e, sem medo, deixava-se perder em devaneios e delírios, sem pressa de voltar à realidade. Sonhava, enaquanto os dedos carinhosos mexiam em seus cabelos finos.
A noite estacva linda embora estivessem no inverno e não no verão ou na primavera. Quando voltou a abrir os olhos, deparou-se com os dele. Castanhos e profundos como céu em tempestade. Como ela o amava. A sua felicidade se resumia a vê-lo. Seus sorrisos, mesmo que não direcionados a ela, a faziam sorrir. suas lágrimas se tornavam a tristeza dela. Ele a fazia bem. Ele era o seu bem.
Esticou o braço a fim de alcançar as mechas escuras que caiam em sua testa. Decidida a olhá-lo diretamnete nos olhos, sentou-se. Quando seus rostos estavam bem próximos, ela sorriu. Amava e odiava ser o foco do seu olhar. Sentia-se envergonhada e especial ao ser alvo de tanta ternura.
Com um movimento ágil agarrou-lhe as mãos com a intenção de não mais soltar. Queria ter a certeza de que estava ali e que dali não sairia. Encostou os lábios levemente nos dele , sem ação alguma. Fechou os olhos. Podia senti-lo: sua respiração acariciando a pele, suas mãos quentes nas dela. Sim, ele estava ali. Para ela isso bastava.
domingo, 8 de maio de 2011
Sentimentos furtados
No fundo do ônibus, entre chacoalhadas e conversas, uma garota sorria sozinha. Simplesmente sorria. Sentia-se feliz, achava. Usufruia porém de uma felicidade que não era sua, uma felicidade adquirida, uma felicidade furtada.
Fixava o nada mas prestava atenção a tudo. As risadas alheias a faziam sorrir. Sorria. Sabia o porque e ao mesmo tempo não sabia. Conhecia a origem de sua felicidade mas, às vezes, preferia não conhecê-la. Estava feliz, era um fato. Sorria, talvez por lembranças, remotas ou recentes.
De um momento para o outro, mudou. Estava terrivelmente triste. A tristeza tomou o lugar da alegria que abrasava o coração. As lágrimas que não eram suas acabavam por tomar lugar em seus olhos. O choro alheio a entristecia.
Tentou buscar o sorriso novamente mas só o que conseguiu foram olhos encharcados. Era verdade, talvez convivesse melhor com a tristeza. Quanto à felicidade, não se lembrava quando tinha sido realmente sua.
Felicidade e tristeza, opostos, distintos. Porém, quem garantia que não andavam lado a lado? Queria muito que o sorriso voltasse, não queria se acostumar à tristeza, desejava mudar novamente. Procurou deseperadamente por um sorriso alheio mas não conseguiu enxergar nenhum. Não tinha mais para onde fugir. A felicidade não lhe pertencia, era furtada. Mas a tristeza era sua.
Fixava o nada mas prestava atenção a tudo. As risadas alheias a faziam sorrir. Sorria. Sabia o porque e ao mesmo tempo não sabia. Conhecia a origem de sua felicidade mas, às vezes, preferia não conhecê-la. Estava feliz, era um fato. Sorria, talvez por lembranças, remotas ou recentes.
De um momento para o outro, mudou. Estava terrivelmente triste. A tristeza tomou o lugar da alegria que abrasava o coração. As lágrimas que não eram suas acabavam por tomar lugar em seus olhos. O choro alheio a entristecia.
Tentou buscar o sorriso novamente mas só o que conseguiu foram olhos encharcados. Era verdade, talvez convivesse melhor com a tristeza. Quanto à felicidade, não se lembrava quando tinha sido realmente sua.
Felicidade e tristeza, opostos, distintos. Porém, quem garantia que não andavam lado a lado? Queria muito que o sorriso voltasse, não queria se acostumar à tristeza, desejava mudar novamente. Procurou deseperadamente por um sorriso alheio mas não conseguiu enxergar nenhum. Não tinha mais para onde fugir. A felicidade não lhe pertencia, era furtada. Mas a tristeza era sua.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Seu e de mais ninguém
Ele a olhava com carinho. Com os olhos cheios de lágrimas, ela retribuiu o olhar. Não queria que ele fosse embora. Segurava sua mão entrelaçando seus dedos aos dele. Sorrindo, ele a beijou.
Beijou-a como se fosse a primeira. Seus lábios quentes pressionavam os dela delicadamente porém com uma apreensão aparente. Ela sabia que ele iria. Contra a sua vontade e contra a vontade dela mas iria.
ele não queria ir. Desejava que suas mãos nunca deixassem de tocar as dela, que seus lábios nunca ficassem a uma distância tão grande como esta a qual ficariam sujeitos.
Ela não pôde contê-las. Não queria quie ele as visse. Elas escorreram pelo seu rosto deixando-o salgado. As lágrimas. ele secou-as com os dedos e mais uma vez beijou-a.
Já sentia saudades dela. Colocou uma mão em sua cintura enquanto a outra acariciava sua nuca e os cabelos lisos e dourados. Beijou-a como se fosse a ultima vez que o fazia. Sentiu o seu calor . Quando a abraçou sentiu-a ali, pequena, delicada entre os seus braços.
Queria com aquele abraço afastar todas as mágoas e tristezas que a aflingiam. Queria protegê-la. Ela era a sua pequena.
Ela se deixou ser abraçada pelos braços fortes que queriam protegê-la. As lágrimas escorreram pela sua face novamente.Não deixou que ele as visse afundando o rosto no seu uniforme.
Ele abraçou-a com mais força e beijou a sua cabeça. Naquele momento ela percebeu que ele era seu e ninguem poderia tirá-lo dela.
Beijou-a como se fosse a primeira. Seus lábios quentes pressionavam os dela delicadamente porém com uma apreensão aparente. Ela sabia que ele iria. Contra a sua vontade e contra a vontade dela mas iria.
ele não queria ir. Desejava que suas mãos nunca deixassem de tocar as dela, que seus lábios nunca ficassem a uma distância tão grande como esta a qual ficariam sujeitos.
Ela não pôde contê-las. Não queria quie ele as visse. Elas escorreram pelo seu rosto deixando-o salgado. As lágrimas. ele secou-as com os dedos e mais uma vez beijou-a.
Já sentia saudades dela. Colocou uma mão em sua cintura enquanto a outra acariciava sua nuca e os cabelos lisos e dourados. Beijou-a como se fosse a ultima vez que o fazia. Sentiu o seu calor . Quando a abraçou sentiu-a ali, pequena, delicada entre os seus braços.
Queria com aquele abraço afastar todas as mágoas e tristezas que a aflingiam. Queria protegê-la. Ela era a sua pequena.
Ela se deixou ser abraçada pelos braços fortes que queriam protegê-la. As lágrimas escorreram pela sua face novamente.Não deixou que ele as visse afundando o rosto no seu uniforme.
Ele abraçou-a com mais força e beijou a sua cabeça. Naquele momento ela percebeu que ele era seu e ninguem poderia tirá-lo dela.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Anjinho
Já era o quinto teste que dava positivo. Havia uma chance muito pequena de cinco testes estarem errados. Ela estava grávida, tinha quase certeza. Essa seria a melhor notícia que poderia receber se ela não tivesse apenas 16 anos.
Os pensamentos fluiam em sua mente. Qual seria a reação do seu namorado? o que os seus pais diriam? E os seus amigos e parentes? Ela não sabia. Não sabia se deveria chorar ou sorrir porque seria mãe. Ela seria mãe! Um sorriso inconsciente apareceu em seu rosto. Sim, ela tinha escolhido sorrir.
E se os outros quisessem um aborto? Acariciou a pele da sua barriga em um ato protetor. Não, ela não abortaria. ninguém podeira obrigá-la. Aquele era o seu filho. Seu bebê. Seu pequeno bebê que naquele momento cabia na palma da sua mão de tão pequeno. Mas ele cresceria, ela o alimentaria com o próprio sangue enquanto ele estivesse ali dentro.
Seria menina ou menina? Não sabia. Porém, ela o amaria de qualquer jeito. Na verdade, já o amava. Assim como uma mãe ama o seu filho.
Em um ato de carinho, começou a cantar suavemente e baixinho para que apenas os dois ouvissem. As lágrimas escorreram pelo seu rosto. Seu filho, seu anjinho. Uma jóia que Deus havia enviado para que ela cuidasse, para que ela amasse.
Sim, ela cuidaria dele com todo o amor. Seu anjinho enviado por Deus, tão inocente e puro que nunca ninguém deveria ao menos cogitar fazer algum mal.
domingo, 20 de março de 2011
Desilusão
Ela corria o máximo que suas pernas podiam aguentar. Não queria que ninguém mais visse as suas lágrimas. Parou apenas quando não havia mais para onde ir: chegara à praia.
O mar estava extremamente sereno. Já passava da meia-noite e não havia muitas pessoas, apenas um casal solitário que trocava juras e carinhos ali próximo. Sentou-se na areia, encolhendo-se. Apoiou a cabeça entre os joelhos e deixou que o choro a dominasse.
Daquele dia em diante não machucaria mais ninguém ao deixar a mostraseus sentimentos bobos e sem graça. Não, não deixaria que mais ninguém mergulhasse tão fundo. Sua essência estava selada e o seu acesso era proibido a quem quer que fosse.
O vento acariciava suavemente seus cabelos lisos e louros como se quisesse consolá-la.
Os soluços ainda a sacudiam. Houve uma nova enxurrada de pensamentos e lembranças de cenas trazendo novamente as lágrimasque ela tanto odiava. Demonstrava sua fraqueza, sua fragilidade.
Tentou se acalmar. Era dificíl respirar, como se existisse agora uma força invisível comprimindo seu tórax. Obrigou lentamente seus pulmões a se encherem de ar e em seguida a expulsá-los. A angústia a consumia.
levantou o rosto e tentou em vã apagar os resquícios das lagrimas. Olhou em volta e percebeu que o casal havia partido. Não havia ninguém na areia.
Em alguns instantes o Sol nasceria e acordaria consigo a cidade. Fechou os olhos concentrando-se nobarulho das ondas que iame vinham calmamente.
Estava sozinha. Estava sozinha como, na realidade, sempre estivera.
O mar estava extremamente sereno. Já passava da meia-noite e não havia muitas pessoas, apenas um casal solitário que trocava juras e carinhos ali próximo. Sentou-se na areia, encolhendo-se. Apoiou a cabeça entre os joelhos e deixou que o choro a dominasse.
Daquele dia em diante não machucaria mais ninguém ao deixar a mostraseus sentimentos bobos e sem graça. Não, não deixaria que mais ninguém mergulhasse tão fundo. Sua essência estava selada e o seu acesso era proibido a quem quer que fosse.
O vento acariciava suavemente seus cabelos lisos e louros como se quisesse consolá-la.
Os soluços ainda a sacudiam. Houve uma nova enxurrada de pensamentos e lembranças de cenas trazendo novamente as lágrimasque ela tanto odiava. Demonstrava sua fraqueza, sua fragilidade.
Tentou se acalmar. Era dificíl respirar, como se existisse agora uma força invisível comprimindo seu tórax. Obrigou lentamente seus pulmões a se encherem de ar e em seguida a expulsá-los. A angústia a consumia.
levantou o rosto e tentou em vã apagar os resquícios das lagrimas. Olhou em volta e percebeu que o casal havia partido. Não havia ninguém na areia.
Em alguns instantes o Sol nasceria e acordaria consigo a cidade. Fechou os olhos concentrando-se nobarulho das ondas que iame vinham calmamente.
Estava sozinha. Estava sozinha como, na realidade, sempre estivera.
sábado, 5 de março de 2011
De longe
Era aniversário dele. Ela o observava de longe. Os cabelos dele pingavam, completamente encharcados de ovos. Ela apenas observava de longe.
Rodeado por amigos, ele sorria e brincava, provavelmente, muito feliz por completar 18 anos, a maioridade. Ela, infelizmente, observava de longe. Não teve coragem, durante toda a manhã de desejar-lhe um feliz aniversário. Apenas observava, de longe, o que não podia tocar. Aqueles olhos escuros que se ao menor sinal se aproximassemdos dela, já a faziam gelar. Aquele dorso suavemente entalhado, agora despido pra que os respingos de ovos não manchassem sua camisa. O rosto anguloso pelo qual ela suspirava. E finalmente, a pele clara levemente amarelada que tanto a atraía e a qual ela sonhava acariciar.
Observava-o de longe, mas antes que ela pudesse se dar conta, ele já se dirigia na sua direção por simples obra de uma das suas amigas.
- É su aniversário hoje? Parabéns - adiantou-se a amiga.
Ele sorriu olhando para a menina. Era sua vez.
- Feliz aniversário - ela tentou não corar.
Ele agradeceu e , sem mais, se afastou, indo embora com os amigos sem saber, talvez, que sem querer tinha partidoo coração da garota.
Ela continuou observando-o de longe, até que seus olhos não conseguiram mais vê-lo.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Asas
E lá estava ela, sentada confortavelmente no banquinho de pedra no jardim. Como fazia sempre, ou sempre que o tempo permitia. Era ótimo para pensar.
O Sol já havia começado a descer para que a Lua pudesse trazer a noite. A luz amarelada produzia um lindo efeito sobre as nuvens brancas, colorindo-as.
Sophia se perdia em pensamentos, olhando para as massas volumosas e sem forma, que se locomoviam preguiçosamente. Desde bem pequena sonhava em alcançá-las.
“- Vovó, de que são feitas as nuvens? Para que servem?”, as lembranças lhe invadiam a mente.
“- Elas são apenas algodão doce. Servem de abrigo para os anjinhos que gostam de brincar de se esconder.”
Ela lembra como ficava encantada com as histórias que sua avó contava.
Lá estavam as nuvens flutuando no céu. O pôr do Sol estava quase no fim. O céu já escurecia e assim as formas brancas e coloridas ganhavam um tom acinzentado.
“– Um dia eu ainda vou ter asas!”
Ela podia ouvir o som do riso de sua avó quando ela lhe disse isto. Lágrimas escorreram pelo seu rosto. Lágrimas de saudade que rapidamente foram enxugadas.
O vento frio balançou as folhas das arvores e Sophia se encolheu em seu moletom arrependendo-se de ter posto shorts ao invés de calças.
Era o fim do outono. O jardim estava repleto de folhas secas. Os postes de luz já estavam acesos. A rua estava calma e silenciosa.
Sophia ainda admirava as nuvens acinzentadas quando o rapaz parou em frente ao portão. Sorriu para ela enquanto abria a grade e atravessava o jardim para ir ao seu encontro.
Aproximou-se se sentando ao seu lado. Cheirou seu cabelo, beijando-lhe a testa carinhosamente.
Ela sorriu em resposta, um sorriso triste. Ele abraçou-a quando ela apoiou sal cabeça em seu peito. Entrelaçou sua mão na dela, aquecendo seus dedos gelados. Não disse palavra alguma. Afinal, ele sabia que não existia nenhuma que poderia ser dita.
Lembrou-se da flor que trouxera. Pôs o lírio delicadamente entre os cabelos cacheados dela.
Sophia não conseguiu conter mais uma vez as lágrimas que inundavam seus olhos. Escondeu o rosto na camisa do namorado. Ele puxou-a para perto, envolvendo-a com seus braços.
As primeiras estrelas já apareciam no céu. Aos poucos os soluços foram se amenizando e sumiram. Ele ainda a envolvia com seus braços.
Ela sentia o seu cheiro, o seu calor. Ele olhou-a nos olhos e seus lábios se tocaram. Ele a beijou com ternura.
Dimitri. Ele fazia com que ela se esquecesse de tudo. Sempre que precisou ele esteve ali ao seu lado. Ele era seu amigo, antes de tudo. O melhor. Ela o amava muito, principalmente o jeito como ele lhe dava asas e a levava para caminhar nas nuvens.
O Sol já havia começado a descer para que a Lua pudesse trazer a noite. A luz amarelada produzia um lindo efeito sobre as nuvens brancas, colorindo-as.
Sophia se perdia em pensamentos, olhando para as massas volumosas e sem forma, que se locomoviam preguiçosamente. Desde bem pequena sonhava em alcançá-las.
“- Vovó, de que são feitas as nuvens? Para que servem?”, as lembranças lhe invadiam a mente.
“- Elas são apenas algodão doce. Servem de abrigo para os anjinhos que gostam de brincar de se esconder.”
Ela lembra como ficava encantada com as histórias que sua avó contava.
Lá estavam as nuvens flutuando no céu. O pôr do Sol estava quase no fim. O céu já escurecia e assim as formas brancas e coloridas ganhavam um tom acinzentado.
“– Um dia eu ainda vou ter asas!”
Ela podia ouvir o som do riso de sua avó quando ela lhe disse isto. Lágrimas escorreram pelo seu rosto. Lágrimas de saudade que rapidamente foram enxugadas.
O vento frio balançou as folhas das arvores e Sophia se encolheu em seu moletom arrependendo-se de ter posto shorts ao invés de calças.
Era o fim do outono. O jardim estava repleto de folhas secas. Os postes de luz já estavam acesos. A rua estava calma e silenciosa.
Sophia ainda admirava as nuvens acinzentadas quando o rapaz parou em frente ao portão. Sorriu para ela enquanto abria a grade e atravessava o jardim para ir ao seu encontro.
Aproximou-se se sentando ao seu lado. Cheirou seu cabelo, beijando-lhe a testa carinhosamente.
Ela sorriu em resposta, um sorriso triste. Ele abraçou-a quando ela apoiou sal cabeça em seu peito. Entrelaçou sua mão na dela, aquecendo seus dedos gelados. Não disse palavra alguma. Afinal, ele sabia que não existia nenhuma que poderia ser dita.
Lembrou-se da flor que trouxera. Pôs o lírio delicadamente entre os cabelos cacheados dela.
Sophia não conseguiu conter mais uma vez as lágrimas que inundavam seus olhos. Escondeu o rosto na camisa do namorado. Ele puxou-a para perto, envolvendo-a com seus braços.
As primeiras estrelas já apareciam no céu. Aos poucos os soluços foram se amenizando e sumiram. Ele ainda a envolvia com seus braços.
Ela sentia o seu cheiro, o seu calor. Ele olhou-a nos olhos e seus lábios se tocaram. Ele a beijou com ternura.
Dimitri. Ele fazia com que ela se esquecesse de tudo. Sempre que precisou ele esteve ali ao seu lado. Ele era seu amigo, antes de tudo. O melhor. Ela o amava muito, principalmente o jeito como ele lhe dava asas e a levava para caminhar nas nuvens.
A pulseira Dourada
Eu analisava cada minúscula pedra da brilhante pulseira. Minuciosamente, brilhante por brilhante, arabesco por arabesco. Ela era simplesmente linda. Perfeita.
Coloquei-a em volta do meu pulso, e pela primeira vez em muito tempo gostei da cor amarelada da minha pele. Combinava com o dourado da singela e ao mesmo tempo poderosa jóia.
Desviei-me da peça para prestar atenção na embalagem na qual ela tinha chegado. Não havia remetente, só o lugar de onde viera o pequeno presente: Rio de Janeiro. Um bilhete: "Você é muito especial pra mim, nunca se esqueça".
Lembrei-me da foto fixada na parede.
Rio de Janeiro, séc.XX, 1930. Um Rio de Janeiro diferente, antigo, mas era o Rio. O MEU Rio. Uma cidade tão distante e ao mesmo tão perto dos pensamentos meus. Uma cidade taõ simples e tão imponente. Um Rio cheio de amores, de paixões ardentes.
Uma cidade quente, uma cidade dourada com pedrinhas brilhantes.
Olhei novamente para a minha pulseira dourada que adornava o meu pulso. Linda. Não consegui reunir coragem o bastante para retirá-la dali.
As lágrimas surgiram nos meus olhos, e não pude impedir que elas escorressem, se chocando contra as pedrinhas brilhantes que enfeitavam a jóia dourada.
Coloquei-a em volta do meu pulso, e pela primeira vez em muito tempo gostei da cor amarelada da minha pele. Combinava com o dourado da singela e ao mesmo tempo poderosa jóia.
Desviei-me da peça para prestar atenção na embalagem na qual ela tinha chegado. Não havia remetente, só o lugar de onde viera o pequeno presente: Rio de Janeiro. Um bilhete: "Você é muito especial pra mim, nunca se esqueça".
Lembrei-me da foto fixada na parede.
Rio de Janeiro, séc.XX, 1930. Um Rio de Janeiro diferente, antigo, mas era o Rio. O MEU Rio. Uma cidade tão distante e ao mesmo tão perto dos pensamentos meus. Uma cidade taõ simples e tão imponente. Um Rio cheio de amores, de paixões ardentes.
Uma cidade quente, uma cidade dourada com pedrinhas brilhantes.
Olhei novamente para a minha pulseira dourada que adornava o meu pulso. Linda. Não consegui reunir coragem o bastante para retirá-la dali.
As lágrimas surgiram nos meus olhos, e não pude impedir que elas escorressem, se chocando contra as pedrinhas brilhantes que enfeitavam a jóia dourada.
O par de alianças
Ela acariciava, com os dedos muito brancos, os brincos em sua orelha. Os cabelos caiam-lhe pelos ombros em grandes cachos negros. Estava ali havia horas. Sentada em sua cama não ousava se mexer, exceto pelos dedos que tocavam um piano invisível. Seus olhos não tinham luz, não havia brilho neles. Fitava o nada. Dava para ouvir a chuva fustigando as janelas do cômodo. Era o único som que se ouvia. Saindo de repente do seu suposto transe, a garota olhou para a sua mão direita e observou o novo anel que se juntara a poucos dias com o seu. Duas alianças prateadas cintilavam em seu dedo.Observou o quarto atentamente como se fosse uma estranha no ambiente. As paredes eram brancas, exceto uma delas que apresentava um tom de verde-claro. A colcha que cobria a cama continha flores coloridas, assim como as cortinas. Um quarto relativamente alegre. Haviam ainda fotos de pessoas sorridentes espalhadas pelas paredes e em cima da mesa. Um belo casal chamava a atenção pela alegria que podia ser vista em seus olhos. O par de namorados estava presente em todas as fotos. A moça que fora fotografada também possuía os mesmos cabelos negros e curtos, porém pouco se assemelhava à garota triste que sentava na cama, mais uma vez imóvel, devido às vestes negras, à falta de brilho no olhar e à maquiagem borrada que manchava o seu rosto.
A Janela
Aquele quarto era muito pequeno para manter todos os pensamentos dela cativos. A janela, porém, era bem pequena e suas grades eram fortes demais, o que impedia que ela saísse voando.
Ficou parada, como uma estátua, aos pés da única abertura que tinha para o mundo do lado de fora: a janela. Com as mãos agarradas aos ferros que a reprimiam, observou durante horas o exterior. Um mundo bem diferente do seu.
Com um pouco de esforço, conseguiu perceber umas crianças na rua que brincavam e riam. Crianças sujas e descalças corriam de um lado para o outro. Conseguiu ouvir o riso, as gargalhadas que ecoavam no Sol poente. Ouviu a felicidade nos olhos delas.
A tarde estava acabando. Mudou o olhar das crianças para o Sol, quase totalmente se posto, e em seguida para o imenso céu azul a sua frente. Fechou os olhos sentindo a brisa fria e salina que vinha do mar.
Voltando a si, depois de alguns instantes, algo lhe chamou a atenção. Ouviu atentamente e percebeu o que se aproximava. Um casal que tinha as mãos unidas, sentavam-se na grama. Com a atenção fixa nos dedos entrelaçados dos apaixonados, percebeu que nunca alguém fora tão carinhoso com ela como aquele rapaz era com a sua namorada. Os beijos freqüentes e calorosos do casal lhe deixavam feliz, pois mais uma vez ouviu nos olhos deles a felicidade.
Desviou a atenção do casal porque novamente algo a roubou. Um passarinho pousou ao lado de fora da janela. A jovem colocou as mãos fora da grade e para sua surpresa, o pequeno animal aninhou-se em seus dedos. Seu coração disparou. As penas macias acariciavam sua pele quente, e com isso descobriu que o passarinho tinha a cor azul. A pequena ave ali permaneceu.
O tempo havia passado desde que tinha ouvido as crianças na rua. O casal e o Sol também já não estavam lá. Só o passarinho ainda estava presente em suas mãos. E seu corpinho ficava cada vez mais frio. Com os dedos, tentou aquecê-lo, mas foi em vão. Ele se fora. Tentou olhar para ele, mas há tempos a única luz que saíam dos seus olhos eram lágrimas. E assim aconteceu. As lágrimas rolaram pelo seu rosto, e pela primeira vez naquele dia, ela sentiu tristeza.
Com a ave ainda dentro das mãos, sentiu a luz gélida da Lua na pele. As lágrimas não paravam de rolar. Sua boca não conseguiu proferir palavra alguma. Lembrou-se então dos primeiros pensamentos que teve assim que chegou à janela. Liberdade.
Com os sentimentos à flor da pele, agarrou-se à grade, e, usando todas as suas forças, arrancou-a da janela. Apanhou o passarinho azul e passou pela única abertura para o mundo exterior. Um mundo bem diferente do seu.
Despencou do oitavo andar porque a gravidade aprisionou o seu corpo impedindo-o de voar, o que para este foi fatal. Porém nada impediu que sua alma se libertasse e voasse com o passarinho para a Lua que tudo observava.
A menina que era mais uma menina, nunca mais viu a tristeza.
No dia seguinte, os vários jornais da cidade noticiaram:
" Uma grande tragédia aconteceu ontem, quando uma garota despencou do oitavo andar em um bairro pouco conhecido. A jovem se encontrava sozinha em um quarto quando ocorreu o ato.
O que muitos especialistas não entendem é como as grades que protegiam a janela podem ter sido arrancadas. A garota sofria de cegueira que adquiriu em um acidente de carro que matou seus pais. Os médicos não descartam a possibilidade de suicídio, embora as pessoas que moravam com ela afirmem que a jovem era totalmente saudável..."
Ficou parada, como uma estátua, aos pés da única abertura que tinha para o mundo do lado de fora: a janela. Com as mãos agarradas aos ferros que a reprimiam, observou durante horas o exterior. Um mundo bem diferente do seu.
Com um pouco de esforço, conseguiu perceber umas crianças na rua que brincavam e riam. Crianças sujas e descalças corriam de um lado para o outro. Conseguiu ouvir o riso, as gargalhadas que ecoavam no Sol poente. Ouviu a felicidade nos olhos delas.
A tarde estava acabando. Mudou o olhar das crianças para o Sol, quase totalmente se posto, e em seguida para o imenso céu azul a sua frente. Fechou os olhos sentindo a brisa fria e salina que vinha do mar.
Voltando a si, depois de alguns instantes, algo lhe chamou a atenção. Ouviu atentamente e percebeu o que se aproximava. Um casal que tinha as mãos unidas, sentavam-se na grama. Com a atenção fixa nos dedos entrelaçados dos apaixonados, percebeu que nunca alguém fora tão carinhoso com ela como aquele rapaz era com a sua namorada. Os beijos freqüentes e calorosos do casal lhe deixavam feliz, pois mais uma vez ouviu nos olhos deles a felicidade.
Desviou a atenção do casal porque novamente algo a roubou. Um passarinho pousou ao lado de fora da janela. A jovem colocou as mãos fora da grade e para sua surpresa, o pequeno animal aninhou-se em seus dedos. Seu coração disparou. As penas macias acariciavam sua pele quente, e com isso descobriu que o passarinho tinha a cor azul. A pequena ave ali permaneceu.
O tempo havia passado desde que tinha ouvido as crianças na rua. O casal e o Sol também já não estavam lá. Só o passarinho ainda estava presente em suas mãos. E seu corpinho ficava cada vez mais frio. Com os dedos, tentou aquecê-lo, mas foi em vão. Ele se fora. Tentou olhar para ele, mas há tempos a única luz que saíam dos seus olhos eram lágrimas. E assim aconteceu. As lágrimas rolaram pelo seu rosto, e pela primeira vez naquele dia, ela sentiu tristeza.
Com a ave ainda dentro das mãos, sentiu a luz gélida da Lua na pele. As lágrimas não paravam de rolar. Sua boca não conseguiu proferir palavra alguma. Lembrou-se então dos primeiros pensamentos que teve assim que chegou à janela. Liberdade.
Com os sentimentos à flor da pele, agarrou-se à grade, e, usando todas as suas forças, arrancou-a da janela. Apanhou o passarinho azul e passou pela única abertura para o mundo exterior. Um mundo bem diferente do seu.
Despencou do oitavo andar porque a gravidade aprisionou o seu corpo impedindo-o de voar, o que para este foi fatal. Porém nada impediu que sua alma se libertasse e voasse com o passarinho para a Lua que tudo observava.
A menina que era mais uma menina, nunca mais viu a tristeza.
No dia seguinte, os vários jornais da cidade noticiaram:
" Uma grande tragédia aconteceu ontem, quando uma garota despencou do oitavo andar em um bairro pouco conhecido. A jovem se encontrava sozinha em um quarto quando ocorreu o ato.
O que muitos especialistas não entendem é como as grades que protegiam a janela podem ter sido arrancadas. A garota sofria de cegueira que adquiriu em um acidente de carro que matou seus pais. Os médicos não descartam a possibilidade de suicídio, embora as pessoas que moravam com ela afirmem que a jovem era totalmente saudável..."
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