quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O que ainda virá

Dias de chuva eram para ela, antes de tudo, nostalgicos. Faziam-na recordar tempos, não longe mas recentes, dos quais já sentia uma saudade que para ela seria eterna. Tempos que não voltariam jamais.As gotas de chuva remexiam a terra em busca de algo desconhecido e traziam a sensação fria e ao mesmo tempo cálida na pele que se arrepiava. Um sentir-se bem.
Dias de chuva, em sua simplicidade, mergulhavam-na em uma multidão de pensamentos. Dias de chuva a levavam a pensar. Pensar nas suas amarguras guardadas, jogadas fora e vestigios que ainda permaniciam ali. Pessoas, pessoas e pessoas. Pessoas que a trocaram po outras sem ao menos pensar duas vezes. Pessoas que a fizeram se sentir no topo do mundo de tão especial. Pessoas maravilhosas que tivera tão pouco tempo para conhecer e conviver. Pessoas que pareciam muito com ela mesma. Pessoas que a surpreendiam ao se mostrar de uma forma diferente da qual ela achava que fossem. Pessoas , tão simples mas as quais muitas vezes teima-se em dizer complicadas.
Dias de chuva a lembravam de outros dias de chuva, passados em ótimas companhias. Já tinha aceitado que nunguém possui o poder para manter uma situação eternamente. E que a vida é muito curta para se viver tudo o que vale a pena ser vivido. Momentos bons devem ser arquivados na memória e recordados sempre que se sentir saudades imensas daquilo que , como todos sabem, não voltará jamais.
Sim, ela adorava dias de chuva. Traziam-na um sentimento inexplicável. A alegria, a tristeza, a nostalgia. O frio que abraçava e acariciava suavemente a pele. Por dentro, o calor que acalentava e fazi o coração bater mais rápido. A vontade de ir embora e deixar tudo para trás. E a dor que isso causa ao ser humano. Algo que a corroía por dentro e que, por fora, a impulsionava a seguir em frente.
E por último, a vontade de que nada mudasse. O querer que se pudesse continuar por um longo tempo o que era vivido no ano agora terminado.
Depois de um turbilhão de sensações, a garota chorou. Viu-se pequena diante do Universo. Inexperiente, e a vida que batia à sua porta, louca para puxá-la pela mão e mostra tudo o que havia de bom. Tirá-la do seu mindinho e dizer que há muito a se fazer, principalmente pelos que estariam próximos a ela. As lágrimas escorriam. Sim, ela iria, mas sabia: nunca esqueceria nada do que vivera, sem dúvidas, que se pudesse viveria tudo outra vez. Não se prenderia ao passado, a vida exigiria que vivesse o presente. Entretanto, quando a idade avançasse e com ela surgissem as tão famosas rugas e cabelos brancos poderá dizer que viveu intensamente tudo o que tinha para viver e sorrirá ao lembrar e contar suas histórias.
E a garota chorava calada. Lágrimas quantes de saudade do que passou e do que ainda viria.

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