quarta-feira, 10 de abril de 2013

De sempre, ou perder-se, ou frio plantar.

Destruída. Destroçada. Desconjuntada. Desativada por um milésimo de segundo. Até que as lágrimas surgissem, suas velhas e frias amigas.
Há tempos não as via. Há tempos não lhes permitia que acariciassem sua face, e sua alma. Tinha um tumulto de informações e ideias e opiniões sobre algo que não era concreto. Dentro de tanto alvoroço e expectativa pela verdade, ela apareceu. Tinha esperanças, que se foram. A sinceridade a castigou. Ele a bombardeou usando sua pior qualidade. Calou-lhe gentilmente falando que a gentileza não existia nele. E ela se sentiu criança novamente, sendo mandada ao quarto depois de contar mentiras. Mentiras inventadas, ela querendo acreditar, fossem reais.
Com as mãos silenciosas, precisas e ainda assim trêmulas, chorou como alguém que perde. Perde algo que nunca foi seu, e nem nunca será. Chora por perder esperanças. Chora depois do açoite de elogios seguidos por frases que lhe tiravam toda a graça de imaginar oportunidades.
Pediu desculpas, que lhe foram proibidas, mais uma vez, com gentileza. Sentiu-se reprimida. Nada mais falou. De sua boca, de seus dedos, só saíam besteiras. Nada que ela se sentisse bem em falar. Nada que ela quisesse a não ser se esconder e de lá não mais sair. Fugir pra onde não a conheciam. Mas se manteve. Mandou-lhe um beijo ao final da conversa, prometendo não mais incomodar, depois de tanto se sentir infantil aos olhos dele.
Pegou a caneta, escreveu e se controlou para não rasgar o papel e cada folha preenchida e contida naquele bendito caderno. Passava por uma fase triste da vida, que há muito havia começado e não tinha perspectivas de que terminasse.
E no final do texto, depois de grande parte da inquietação vomitar, agradeceu ao homem sincero, em sincero pensamento, pelos curtos momentos em que ele a fizera voltar à literatura, e lhe devolvera a inspiração. Coisas que ela tanto amava, mas que escorriam pelos dedos feito areia fina, sem chances frequentes de recoloca-las em si mesma. Ao vento.

Depois de se curar de si mesma, até que se lembrasse do dano que ela própria lhe fizera, levantou-se e buscou um par de meias para tirar de si o frio das plantas dos pés, e se conseguia afastar o que restava de batimentos acelerados do seu coração.