O mar estava extremamente sereno. Já passava da meia-noite e não havia muitas pessoas, apenas um casal solitário que trocava juras e carinhos ali próximo. Sentou-se na areia, encolhendo-se. Apoiou a cabeça entre os joelhos e deixou que o choro a dominasse.
Daquele dia em diante não machucaria mais ninguém ao deixar a mostraseus sentimentos bobos e sem graça. Não, não deixaria que mais ninguém mergulhasse tão fundo. Sua essência estava selada e o seu acesso era proibido a quem quer que fosse.
O vento acariciava suavemente seus cabelos lisos e louros como se quisesse consolá-la.
Os soluços ainda a sacudiam. Houve uma nova enxurrada de pensamentos e lembranças de cenas trazendo novamente as lágrimasque ela tanto odiava. Demonstrava sua fraqueza, sua fragilidade.
Tentou se acalmar. Era dificíl respirar, como se existisse agora uma força invisível comprimindo seu tórax. Obrigou lentamente seus pulmões a se encherem de ar e em seguida a expulsá-los. A angústia a consumia.
levantou o rosto e tentou em vã apagar os resquícios das lagrimas. Olhou em volta e percebeu que o casal havia partido. Não havia ninguém na areia.
Em alguns instantes o Sol nasceria e acordaria consigo a cidade. Fechou os olhos concentrando-se nobarulho das ondas que iame vinham calmamente.
Estava sozinha. Estava sozinha como, na realidade, sempre estivera.

Bom... o que dizer...
ResponderExcluirTão Triste
Por que me magoa a tristeza?
Antes, nada eu tinha tudo
Onde mora a certeza...?
Que se foi em minhas mãos e o mundo!
Agora só,
Enquanto escrevo estás tão perto!
Chorando não desfaço o nó...
Mas canto por querer o teu afeto
E nem vou te ver por um bom tempo...
E me deixas...?
Ah, de saudade ele se queixa,
Por não saber ao tempo dar um tempo!
Que só se ganha a saudade...
Perdeu-se em longe na lembrança,
Por partir passado em liberdade...
Embora em chôro a esperança!
Aonde estás amor meu...?
Aqui tão perto... vou te falar
Fecho os olhos... sinto um beijo teu,
Mas acordo, por não poder te tocar...
Douglas Buarque
E se voltam para o silêncio...
ResponderExcluirO Silêncio
(Se palavras me condenam... Jamais palavra alguma falarei)
Já não sei o que fazer,
Contudo tuas normas me retraem
Ao saber da vida é não saber
Tão poucos momentos me distraem;
Ah, se um dia estiver certo
E tudo o que vivi for mais passado,
Estarás longe ou perto?
Sabendo o "não" não evitado... O Silêncio
Aos poucos,
Serei a memória onde antes
Haver ali uns tantos loucos
E amou, chorou, gritou perante;
Mas de todas elas vou dizer
Havia sempre algum sem nome
Que mal me dava pra me ver,
E quando vejo, às sombras some... é o silêncio...
Douglas Buarque
Talvez essa menina não tenha percebido a imensidade dos grãos de areia nessa praia, a infinidade de possibilidades."Basta que olhemos para os lados"
ResponderExcluir