A música tocava no silêncio do quarto, reproduzida por um aparelho eletrônico. Porém fora ele quem tocara para ela. Eram os dedos longos e finos que fizeram aquele som existir. Fizeram para ela. Som esse que tocava não só seus ouvidos mas também sua alma. Cada nota um sentimento moldado, um bater mais forte do seu coração.
Como ela queria que ele estivesse ali junto de si. A saudade apertava muito. Desejava ardentemente sentir o calor da sua pele como quando a abraçava, e seus cabelos a acariciar sua face. Desejava poder segurar sua mão, sentir seus dedos. Queria deitar em seu colo e deixar que mexesse com carinho em seus cabelos. Queria roubá-lo para si e fugir sem deixar rastros. Ir para um lugar onge de tudo, onde ninguém os achasse, a não ser que um dia permitissem ser encontrados.
Queria tê-lo consigo sem nunca pensar em separação. Rir o riso dele. Queria-o como as flores anseiam pelo sol para só assim desabrochar. Queria, egoistamente, ter seus sorrisos só para ela.
jogar-se em seus braços e esquecer que existe maldade e infelicidade. Queria se sentir segura. Sorrir e chorar com a certeza de que ele estaria ali sempre, compartilhando dos sentimentos dela e dividindo os seus.
Num fechar de olhos desejou mais que tudo que ele pudesse tocar, naquele momento, a sua canção de ninar. Queria sonhar. E com os olhos bem fechados acreditar que não estava ali, mas em um lugar bem longe de tudo e bem perto dele.
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