Aquele quarto era muito pequeno para manter todos os pensamentos dela cativos. A janela, porém, era bem pequena e suas grades eram fortes demais, o que impedia que ela saísse voando.
Ficou parada, como uma estátua, aos pés da única abertura que tinha para o mundo do lado de fora: a janela. Com as mãos agarradas aos ferros que a reprimiam, observou durante horas o exterior. Um mundo bem diferente do seu.
Com um pouco de esforço, conseguiu perceber umas crianças na rua que brincavam e riam. Crianças sujas e descalças corriam de um lado para o outro. Conseguiu ouvir o riso, as gargalhadas que ecoavam no Sol poente. Ouviu a felicidade nos olhos delas.
A tarde estava acabando. Mudou o olhar das crianças para o Sol, quase totalmente se posto, e em seguida para o imenso céu azul a sua frente. Fechou os olhos sentindo a brisa fria e salina que vinha do mar.
Voltando a si, depois de alguns instantes, algo lhe chamou a atenção. Ouviu atentamente e percebeu o que se aproximava. Um casal que tinha as mãos unidas, sentavam-se na grama. Com a atenção fixa nos dedos entrelaçados dos apaixonados, percebeu que nunca alguém fora tão carinhoso com ela como aquele rapaz era com a sua namorada. Os beijos freqüentes e calorosos do casal lhe deixavam feliz, pois mais uma vez ouviu nos olhos deles a felicidade.
Desviou a atenção do casal porque novamente algo a roubou. Um passarinho pousou ao lado de fora da janela. A jovem colocou as mãos fora da grade e para sua surpresa, o pequeno animal aninhou-se em seus dedos. Seu coração disparou. As penas macias acariciavam sua pele quente, e com isso descobriu que o passarinho tinha a cor azul. A pequena ave ali permaneceu.
O tempo havia passado desde que tinha ouvido as crianças na rua. O casal e o Sol também já não estavam lá. Só o passarinho ainda estava presente em suas mãos. E seu corpinho ficava cada vez mais frio. Com os dedos, tentou aquecê-lo, mas foi em vão. Ele se fora. Tentou olhar para ele, mas há tempos a única luz que saíam dos seus olhos eram lágrimas. E assim aconteceu. As lágrimas rolaram pelo seu rosto, e pela primeira vez naquele dia, ela sentiu tristeza.
Com a ave ainda dentro das mãos, sentiu a luz gélida da Lua na pele. As lágrimas não paravam de rolar. Sua boca não conseguiu proferir palavra alguma. Lembrou-se então dos primeiros pensamentos que teve assim que chegou à janela. Liberdade.
Com os sentimentos à flor da pele, agarrou-se à grade, e, usando todas as suas forças, arrancou-a da janela. Apanhou o passarinho azul e passou pela única abertura para o mundo exterior. Um mundo bem diferente do seu.
Despencou do oitavo andar porque a gravidade aprisionou o seu corpo impedindo-o de voar, o que para este foi fatal. Porém nada impediu que sua alma se libertasse e voasse com o passarinho para a Lua que tudo observava.
A menina que era mais uma menina, nunca mais viu a tristeza.
No dia seguinte, os vários jornais da cidade noticiaram:
" Uma grande tragédia aconteceu ontem, quando uma garota despencou do oitavo andar em um bairro pouco conhecido. A jovem se encontrava sozinha em um quarto quando ocorreu o ato.
O que muitos especialistas não entendem é como as grades que protegiam a janela podem ter sido arrancadas. A garota sofria de cegueira que adquiriu em um acidente de carro que matou seus pais. Os médicos não descartam a possibilidade de suicídio, embora as pessoas que moravam com ela afirmem que a jovem era totalmente saudável..."
Ficou parada, como uma estátua, aos pés da única abertura que tinha para o mundo do lado de fora: a janela. Com as mãos agarradas aos ferros que a reprimiam, observou durante horas o exterior. Um mundo bem diferente do seu.
Com um pouco de esforço, conseguiu perceber umas crianças na rua que brincavam e riam. Crianças sujas e descalças corriam de um lado para o outro. Conseguiu ouvir o riso, as gargalhadas que ecoavam no Sol poente. Ouviu a felicidade nos olhos delas.
A tarde estava acabando. Mudou o olhar das crianças para o Sol, quase totalmente se posto, e em seguida para o imenso céu azul a sua frente. Fechou os olhos sentindo a brisa fria e salina que vinha do mar.
Voltando a si, depois de alguns instantes, algo lhe chamou a atenção. Ouviu atentamente e percebeu o que se aproximava. Um casal que tinha as mãos unidas, sentavam-se na grama. Com a atenção fixa nos dedos entrelaçados dos apaixonados, percebeu que nunca alguém fora tão carinhoso com ela como aquele rapaz era com a sua namorada. Os beijos freqüentes e calorosos do casal lhe deixavam feliz, pois mais uma vez ouviu nos olhos deles a felicidade.
Desviou a atenção do casal porque novamente algo a roubou. Um passarinho pousou ao lado de fora da janela. A jovem colocou as mãos fora da grade e para sua surpresa, o pequeno animal aninhou-se em seus dedos. Seu coração disparou. As penas macias acariciavam sua pele quente, e com isso descobriu que o passarinho tinha a cor azul. A pequena ave ali permaneceu.
O tempo havia passado desde que tinha ouvido as crianças na rua. O casal e o Sol também já não estavam lá. Só o passarinho ainda estava presente em suas mãos. E seu corpinho ficava cada vez mais frio. Com os dedos, tentou aquecê-lo, mas foi em vão. Ele se fora. Tentou olhar para ele, mas há tempos a única luz que saíam dos seus olhos eram lágrimas. E assim aconteceu. As lágrimas rolaram pelo seu rosto, e pela primeira vez naquele dia, ela sentiu tristeza.
Com a ave ainda dentro das mãos, sentiu a luz gélida da Lua na pele. As lágrimas não paravam de rolar. Sua boca não conseguiu proferir palavra alguma. Lembrou-se então dos primeiros pensamentos que teve assim que chegou à janela. Liberdade.
Com os sentimentos à flor da pele, agarrou-se à grade, e, usando todas as suas forças, arrancou-a da janela. Apanhou o passarinho azul e passou pela única abertura para o mundo exterior. Um mundo bem diferente do seu.
Despencou do oitavo andar porque a gravidade aprisionou o seu corpo impedindo-o de voar, o que para este foi fatal. Porém nada impediu que sua alma se libertasse e voasse com o passarinho para a Lua que tudo observava.
A menina que era mais uma menina, nunca mais viu a tristeza.
No dia seguinte, os vários jornais da cidade noticiaram:
" Uma grande tragédia aconteceu ontem, quando uma garota despencou do oitavo andar em um bairro pouco conhecido. A jovem se encontrava sozinha em um quarto quando ocorreu o ato.
O que muitos especialistas não entendem é como as grades que protegiam a janela podem ter sido arrancadas. A garota sofria de cegueira que adquiriu em um acidente de carro que matou seus pais. Os médicos não descartam a possibilidade de suicídio, embora as pessoas que moravam com ela afirmem que a jovem era totalmente saudável..."

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