segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A pulseira Dourada

Eu analisava cada minúscula pedra da brilhante pulseira. Minuciosamente, brilhante por brilhante, arabesco por arabesco. Ela era simplesmente linda. Perfeita.
Coloquei-a em volta do meu pulso, e pela primeira vez em muito tempo gostei da cor amarelada da minha pele. Combinava com o dourado da singela e ao mesmo tempo poderosa jóia.
Desviei-me da peça para prestar atenção na embalagem na qual ela tinha chegado. Não havia remetente, só o lugar de onde viera o pequeno presente: Rio de Janeiro. Um bilhete: "Você é muito especial pra mim, nunca se esqueça".
Lembrei-me da foto fixada na parede.
Rio de Janeiro, séc.XX, 1930. Um Rio de Janeiro diferente, antigo, mas era o Rio. O MEU Rio. Uma cidade tão distante e ao mesmo tão perto dos pensamentos meus. Uma cidade taõ simples e tão imponente. Um Rio cheio de amores, de paixões ardentes.
Uma cidade quente, uma cidade dourada com pedrinhas brilhantes.
Olhei novamente para a minha pulseira dourada que adornava o meu pulso. Linda. Não consegui reunir coragem o bastante para retirá-la dali.
As lágrimas surgiram nos meus olhos, e não pude impedir que elas escorressem, se chocando contra as pedrinhas brilhantes que enfeitavam a jóia dourada.

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