Deixou. Deixou que ele sentisse
sua falta. Que sentisse falta dos seus olhos e dos olhos que ela só tinha pra
ele. Deixou que sentisse necessidade do seu sorriso sem graça quando ele a
olhava. Até que ele precisasse do ar que ela dava às coisas. Diferente. Esperou
que ele notasse sua ausência nos almoços e nos intervalos durante o dia. Que notasse
a falta do bem que ele a fazia. Da sua admiração por ele. E deixou. Já lhe
dissera que estaria sempre por ali, ele saberia achá-la. Que gostava da sua
conversa. E quando isto lhe disse, não obteve resposta, apenas indiferença. Ela
já começava a acostumar-se com a falta dele. Já tentava ocupar o seu lugar nos
pensamentos com coisas banais, mesmo que depois de escrito é possível apenas
clarear até o ponto de sombra, mas nunca apagar completamente. Queria mesmo um
todo, mas não conseguiam dar-lhe nem partes. Gostava de ser narradora da
própria história, em algumas situações preferia ser somente personagem.
Agora, se ele realmente sentiu
isso tudo, ela não saberá até que ele resolva lhe dizer.
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