sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Amar demais



E no fundo, ela não achava nada daquilo que as pessoas viam. Ela tinha muito mais sentimentos do que aparentava ter, muito mais do que mostrava. Sentia um aperto forte no coração sempre ao ver aqueles que lhe eram especiais decepcioná-la. Porém, nada sairia de sua boca, nenhuma repreensão, nenhuma dor, a não ser que seus sentimentos estivessem por demais acumulados e ela lhes deixassem escapar por exaustão de segurá-los.
E sentia que ele, mesmo prometendo não desapontá-la, seguiria o mesmo caminho de todos os outros. Nenhum deles merece ser comparado, ou mesmo encaixado numa generalização, afinal, ninguém é igual a ninguém por mais que existam semelhanças. Entretanto, a ela, por mais que as coisas fossem diferentes, por mais que ela tentasse mudar-se a si mesma para que os erros não se repetissem, parecia que sempre escolhiam o mesmo rumo, os mesmo passos, as mesmas ações... Os mesmos tipos de ferimentos lhe causavam. Julgava que não conseguiria suportar por mais tanto tempo.
Seu corpo tremia, mas a tristeza não lhe escorria pelos olhos. A garota sabia que os fatos se repetiriam, como sempre. Quando tudo terminasse, e apenas ela se machucasse, ai sim, as lágrimas rolariam pela face, só fazendo com que as coisas piorassem. E a dor permaneceria, oculta, somente dela. Porem... Por quanto mais aquele ser humano aguentaria? Por mais quanto ela iria permanecer calada, e com o seu silencio protegendo os outros do mesmo que ela sentia? Não sabia. Mas permaneceria ate que não houvesse ninguém mais envolvido, ninguém que pudesse se machucar, porque, apesar de tudo, ela preferia a automutilação ao flagelamento alheio. Conhecia-se demais pra saber o que poderia acontecer, mas não o bastante para saber o que aconteceria. E sim, ela era apenas uma garota, que, às vezes, amava demais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário