E no fundo, ela não achava nada daquilo que as pessoas viam.
Ela tinha muito mais sentimentos do que aparentava ter, muito mais do que
mostrava. Sentia um aperto forte no coração sempre ao ver aqueles que lhe eram
especiais decepcioná-la. Porém, nada sairia de sua boca, nenhuma repreensão,
nenhuma dor, a não ser que seus sentimentos estivessem por demais acumulados e
ela lhes deixassem escapar por exaustão de segurá-los.
E sentia que ele, mesmo prometendo não desapontá-la,
seguiria o mesmo caminho de todos os outros. Nenhum deles merece ser comparado,
ou mesmo encaixado numa generalização, afinal, ninguém é igual a ninguém por
mais que existam semelhanças. Entretanto, a ela, por mais que as coisas fossem
diferentes, por mais que ela tentasse mudar-se a si mesma para que os erros não
se repetissem, parecia que sempre escolhiam o mesmo rumo, os mesmo passos, as
mesmas ações... Os mesmos tipos de ferimentos lhe causavam. Julgava que não
conseguiria suportar por mais tanto tempo.
Seu corpo tremia, mas a tristeza não lhe escorria pelos
olhos. A garota sabia que os fatos se repetiriam, como sempre. Quando tudo
terminasse, e apenas ela se machucasse, ai sim, as lágrimas rolariam pela face,
só fazendo com que as coisas piorassem. E a dor permaneceria, oculta, somente
dela. Porem... Por quanto mais aquele ser humano aguentaria? Por mais quanto
ela iria permanecer calada, e com o seu silencio protegendo os outros do mesmo
que ela sentia? Não sabia. Mas permaneceria ate que não houvesse ninguém mais
envolvido, ninguém que pudesse se machucar, porque, apesar de tudo, ela
preferia a automutilação ao flagelamento alheio. Conhecia-se demais pra saber o
que poderia acontecer, mas não o bastante para saber o que aconteceria. E sim,
ela era apenas uma garota, que, às vezes, amava demais.

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