Lá estava aquele sentimento de novo, o ar de adeus que ela já conhecia. Sentia o
coração apertar forte, queria aproveitar cada ultimo instante que ainda pudesse.
Queria chorar de forma inconsolável nos braços daqueles que não veria por mais
um longo tempo. E ela os amava tanto... Mas nunca teve coragem de dizer. Talvez
se sentisse como uma boba por dizer o que lhe era obvio demais.
Sabia que tinha de ir, ao contrario de antes, sua vida agora
era vivida em dois lugares ao mesmo tempo. Vivia lá, e estava aqui. E quando
estava lá, sentia seu coração presente aqui. Tinha conhecimento bastante sobre
si mesma para dizer que seria feliz onde estivesse, pois sua felicidade
dependia apenas dela mesma, mas... Como odiava a separação! Porque isso tinha
de acontecer? Porque parti-la ao meio dessa forma? Essas e mais milhares de
perguntas; respostas que sempre estaria à procura. Mas, quem sabe um dia elas
lhe viessem sem pedido e sem culpa, ou simplesmente ela parasse de procurar,
conformada com a realidade, e, possuindo entendimento suficiente, apenas
sorrisse quando a vida lhe pregasse mais e mais peças.
Não podia nem tentou de impedir as lagrimas de lhe escapar
pelos olhos e caminhar pela face diante de seus pensamentos. Tinha vontades,
ela sabia. Tinha vontade de escrever, de correr pela praia, de escutar uma
musica apoiada em alguém conhecido, e que ela amasse loucamente. Mas ela estava
sozinha ali, e entendia que aquele momento era só seu, embora quisesse muito
compartilha-lo. Calou os olhos, fechando-os, e deixou que o coração falasse,
desabafasse para o tudo e o nada que estavam ambos a sua frente. O que viria a
seguir? Não sabia, e a essa pergunta, talvez nunca obtivesse resposta. Mas,
mesmo assim sorriu, tranquila e nervosa. Tranquila porque sabia que nada
estaria mudado quando, um dia, pudesse retornar ate ali. E nervosa porque sabia
que tudo muda o tempo todo.

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