Os acontecimentos só comprovavam o que a deixava mais
quieta, tranquila, e acima de tudo, feliz. Adorava saber que nada havia mudado,
mesmo em sua ausência. Ou melhor, haviam, sim, mudado afinal tudo muda o
tempo todo, mas nada a tal ponto de mudar os seus sentimentos em relação a todos os quais deixara longe de si.
Adorava o modo como eles se relacionavam com ela, o jeito
sem interesse, o modo igual como a tratavam. Adorava não precisar de nada, a
não ser ser ela mesma sem véus, sem maquiagem ou nada que escondesse seus
defeitos e aumentasse suas qualidades. Eles a apreciavam assim, e talvez a
apreciassem por ser assim. Gostava do modo como riam dela sem pudor, e o modo
doce com que faziam suas piadas só entendidas pelo grupo diferente de todos os
outros que era o deles. Afinal, ali, todos os excluídos se enturmavam, e nada era
considerado anormal diante dos olhos de quem a ali pertencia. E era isso que a
fascinava, poder conviver com as diferenças sem as considerar como métodos de
segregação, mas o contrario, de união. Como ela os amava e eles a faziam bem
apenas por existirem. Como gostava de estar ali, e além de tudo, como se
envergonhava de sentir vergonha de assumir para eles que fizeram suas recordações
muito mais felizes.

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