Sim, ela estava ali, mas já sentia saudades de tudo aquilo.
Sabia que a partida estava perto, embora estivesse bem mais tranquila do que da
primeira vez que partira. Sabia agora que sempre ao voltar, seria como se nada
houvesse acontecido. Tinha o conhecimento de que poderia contar com eles sempre
que quisesse, mesmo estando a 3000 km de distancia. Sabia que embora não se
falassem sempre, e que não convivessem no dia-a-dia como tinha sido algum tempo
antes, eles estariam sempre ali para ela. Sempre. Com todas as suas qualidades
e imperfeiçoes, todos os seus dilemas e experiências. E tudo isso acontecia, simplesmente
porque eram verdadeiros, seus irmãos de alma, a família escolhida por ela e por
eles para ser o seu porto seguro. Um ambiente livre de quaisquer sentimentos
invejosos, ou repressivos, apenas aquela implicância boba que sempre se tem com
quem se ama muito. E ela os amava demais. Amava tanto, tão inexplicavelmente,
tão intensamente. O que havia entre eles não se explica, não se vê, e não
precisa ser falado pois todos que estão envolvidos por aquele laço invisível,
tem a plena e nítida certeza do que se sente uns pelos outros. Uma relação
altamente complexa e, muitas vezes, a mais simples possível.
Todas as vezes que
partia, deixava com eles um pedaço de si, para só se sentir completa novamente
quando os reencontrasse. E sabia que isso nunca aconteceria novamente. Porque
afinal a vida é assim, se deixa pedaços seus com as pessoas que se ama, e você
por sua vez, também leva consigo partes delas.
E assim, caminhando
pela vida e partindo seu coração sempre que podia, ela seguia em frente sabendo
acima de tudo que nada, muito menos uma simples distancia, pode acabar com
sentimentos tão poderosos, bonitos e fortes como esse que ela tinha pelos seus
amigos.

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