domingo, 28 de outubro de 2012

Cores e novos horizontes.


Viviam em uma casa cor de rosa com plantas penduradas da varanda. Cuidavam dos jardins todas as tardes, e a hortelã perfumava a casa. Faziam sua própria comida, e tinha uma vida simples. Mas ela se sentia sozinha.
Presenciava acontecimentos e não tinha para quem contá-los. Gostava do seu quarto cor de céu, mas ele apenas espelhava a sua solidão. Apesar da vida sossegada, o seu ser não estava tão tranquilo assim, o estresse e o mau humor a dominavam. Sentia-se irritada consigo mesmo por ser grossa e não gentil com os outros. O que havia de errado afinal? Estava a se acostumar com a vida atual, o processo que vivia era o de guardar os sentimentos antigos para que pudessem dar lugar a novos. Guardar, sem nunca esquecer, e como havia escrito uma vez sempre que sua saudade não houvesse fim, os tiraria do armário, lembrar, e chorar sorrindo. Ter lembranças tão belas e tão profundas, sem a que a vida lhes desse oportunidade de revivê-las, como ela não dá a ninguém.
Forçava-se a aceitar o presente, mas a solidão sempre parecia estar em algum lugar muito próximo. Sentia-se na obrigação de melhorar seu comportamento, e andar adiante, procurando coisas com o que ocupar a mente, usufruir o que a sua cidade tinha de melhor a oferecer. Tentar novas oportunidades, almejar novos horizontes. Sentia-se, por dentro, deprimida por ter que deixar o que tanto a fazia bem, mas, seguiria. Os sentimentos cresciam em seu íntimo, e podia sentir a força a revigorando. Tais experiências a faziam forte. Sabia que a vida lhe reservava muitas situações, e ela não podia deixar de vivê-las. E apesar de todas as falsas aflições, ela era feliz.

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