Viviam em uma casa cor de rosa com plantas penduradas da
varanda. Cuidavam dos jardins todas as tardes, e a hortelã perfumava a casa.
Faziam sua própria comida, e tinha uma vida simples. Mas ela se sentia sozinha.
Presenciava acontecimentos e não tinha para quem contá-los.
Gostava do seu quarto cor de céu, mas ele apenas espelhava a sua solidão.
Apesar da vida sossegada, o seu ser não estava tão tranquilo assim, o estresse
e o mau humor a dominavam. Sentia-se irritada consigo mesmo por ser grossa e
não gentil com os outros. O que havia de errado afinal? Estava a se acostumar
com a vida atual, o processo que vivia era o de guardar os sentimentos antigos
para que pudessem dar lugar a novos. Guardar, sem nunca esquecer, e como havia
escrito uma vez sempre que sua saudade não houvesse fim, os tiraria do armário,
lembrar, e chorar sorrindo. Ter lembranças tão belas e tão profundas, sem a que
a vida lhes desse oportunidade de revivê-las, como ela não dá a ninguém.
Forçava-se a aceitar o presente, mas a solidão sempre
parecia estar em algum lugar muito próximo. Sentia-se na obrigação de melhorar
seu comportamento, e andar adiante, procurando coisas com o que ocupar a mente,
usufruir o que a sua cidade tinha de melhor a oferecer. Tentar novas
oportunidades, almejar novos horizontes. Sentia-se, por dentro, deprimida por
ter que deixar o que tanto a fazia bem, mas, seguiria. Os sentimentos cresciam
em seu íntimo, e podia sentir a força a revigorando. Tais experiências a faziam
forte. Sabia que a vida lhe reservava muitas situações, e ela não podia deixar
de vivê-las. E apesar de todas as falsas aflições, ela era feliz.
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