quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Aleatoriedade


Era um sentimento bom que ela sentia. Um bem-estar consigo mesma um tanto inexplicável. Não sabia ao certo se já conhecia aquilo ou se era novata neste assunto. Mas gostava. Gostava de querer algo que não sabia o que era, algo como abrir a geladeira e não saber o que deveria pegar, ou escolher, ir a algum lugar e não saber o que queria fazer ali. Sensações diferentes e que a muitos seria considerado ações um tanto loucas.
E essa vontade de fugir pra um lugar inexistente continuava. Uma vontade ensandecida de algo que não estava ali, e ela sabia, que não existia. Mas, como se pode querer algo que ainda não existe? Como ter vontade de algo não conhecido? Não sabia. Sabia apenas que queria. E olhava pela janela a noite, contemplando as luzes, que ao se acender iluminavam a sua cidade, deixando a garota ainda mais apaixonada por ela. Devaneava, e perdida em pensamentos perguntava-se a si mesma, coisas que não sabia a resposta, e lembrou-se depois que não sabia as perguntas também. Pensamentos soltos, aleatórios que bailavam na sua imaginação. Gostava de fazer isso, mesmo não sabendo a logica de fazê-lo.  E ali, naquela janela gradeada do quarto escuro, ela sabia apenas que queria sair e ao mesmo tempo ficar. Ver a cidade na qual a sua pessoa fora criada, e ir pra dentro de um livro, pra uma historia paralela. Mas sabia que no fundo, nada faria. Nada faria pela imensa dúvida que estava em si mesma, pela falsa confusão presente na mente, camuflada pelos pensamentos aleatórios e diferentes.
Pensamentos que eram apenas seus. Tão seus que não poderiam ser sentidos e muito menos explicados por mais ninguém.

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