Era um sentimento bom que ela sentia. Um bem-estar consigo
mesma um tanto inexplicável. Não sabia ao certo se já conhecia aquilo ou se era
novata neste assunto. Mas gostava. Gostava de querer algo que não sabia o que
era, algo como abrir a geladeira e não saber o que deveria pegar, ou escolher,
ir a algum lugar e não saber o que queria fazer ali. Sensações diferentes e que
a muitos seria considerado ações um tanto loucas.
E essa vontade de fugir pra um lugar inexistente continuava.
Uma vontade ensandecida de algo que não estava ali, e ela sabia, que não
existia. Mas, como se pode querer algo que ainda não existe? Como ter vontade de algo não conhecido? Não sabia. Sabia apenas que queria. E olhava pela janela a noite,
contemplando as luzes, que ao se acender iluminavam a sua cidade, deixando a
garota ainda mais apaixonada por ela. Devaneava, e perdida em pensamentos
perguntava-se a si mesma, coisas que não sabia a resposta, e lembrou-se depois
que não sabia as perguntas também. Pensamentos soltos, aleatórios que bailavam
na sua imaginação. Gostava de fazer isso, mesmo não sabendo a logica de
fazê-lo. E ali, naquela janela gradeada
do quarto escuro, ela sabia apenas que queria sair e ao mesmo tempo ficar. Ver
a cidade na qual a sua pessoa fora criada, e ir pra dentro de um livro, pra uma
historia paralela. Mas sabia que no fundo, nada faria. Nada faria pela imensa
dúvida que estava em si mesma, pela falsa confusão presente na mente, camuflada
pelos pensamentos aleatórios e diferentes.
Pensamentos que eram apenas seus. Tão seus que não poderiam
ser sentidos e muito menos explicados por mais ninguém.
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