Meus pensamentos são todos seus, moço. Já lhe disse que não quero ir embora? Não quero. Ou melhor, quero, sim. Mas quero você com a mão na minha. Quero a sua companhia, a sua atenção, seus dedos enrolados nos meus, assim como seus olhos, sorriso e tudo mais que eu tiver direito.
Mas antes de tudo, moço, quero também a sua sinceridade, se eu puder tê-la. Preciso saber se você quer vir comigo. Quero saber se quer a minha companhia como eu quero a sua. Quero saber se eu lhe faço bem como você me faz. Porque você me faz um bem tão grande, que o coração quer se expandir além do possível, e ao mesmo tempo quer bater pequenininho.
Não lhe prometo nada, moço. Não tenho nada pra lhe oferecer, fora toda a minha atenção, os meus sonhos e aspirações, além de uma vida inteirinha pela frente. Pronto, nada mais. Só isso.
Eu tinha muitas coisas pra lhe falar mais, mas vou esperar você se decidir vir, pra contar-lhe. Se você vier, se você quiser. Se não quiser, tudo bem, meu bem, meus pensamentos vão continuar sendo seus, até que alguém os roube de você.
Um cheiro, meu bem, nesse seu pescoço lindo, e que ele lhe cause arrepios e risadas de nervoso.
Hoje deu vontade de ouvir Beatles. Quis correr atrás da inspiração e trazê-la pelo braço, nem que fosse arrastada. Quase fui.
sábado, 29 de março de 2014
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Eu gosto do gosto
Eu gosto do gosto
De você do meu lado
Num domingo gelado
De um frio Agosto.
Eu gosto do gosto
Da tua pele fria
Da tua boca macia
E da beleza misteriosa do teu rosto.
Eu gosto do cheiro
Do sabor
E da cor
Que tem o sorriso faceiro.
Eu gosto do gosto
Do desgosto que me provoca
Não te ter todo o mês
Mas a tua calidez
No carinho que tu me dá
Me faz querer te mais
E tudo outra vez.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Verdades
Queria a verdade,
Ela apareceu.
Tinha esperança
E se perdeu.
Não queria a tristeza
Nem lágrima
Pois a beleza
Do conto que não se ouvia
Estava prestes a se transformar em lástima.
Ela apareceu.
Tinha esperança
E se perdeu.
Não queria a tristeza
Nem lágrima
Pois a beleza
Do conto que não se ouvia
Estava prestes a se transformar em lástima.
domingo, 7 de julho de 2013
Sentir
Deixou. Deixou que ele sentisse
sua falta. Que sentisse falta dos seus olhos e dos olhos que ela só tinha pra
ele. Deixou que sentisse necessidade do seu sorriso sem graça quando ele a
olhava. Até que ele precisasse do ar que ela dava às coisas. Diferente. Esperou
que ele notasse sua ausência nos almoços e nos intervalos durante o dia. Que notasse
a falta do bem que ele a fazia. Da sua admiração por ele. E deixou. Já lhe
dissera que estaria sempre por ali, ele saberia achá-la. Que gostava da sua
conversa. E quando isto lhe disse, não obteve resposta, apenas indiferença. Ela
já começava a acostumar-se com a falta dele. Já tentava ocupar o seu lugar nos
pensamentos com coisas banais, mesmo que depois de escrito é possível apenas
clarear até o ponto de sombra, mas nunca apagar completamente. Queria mesmo um
todo, mas não conseguiam dar-lhe nem partes. Gostava de ser narradora da
própria história, em algumas situações preferia ser somente personagem.
Agora, se ele realmente sentiu
isso tudo, ela não saberá até que ele resolva lhe dizer.
sábado, 29 de junho de 2013
Eu sempre soube
Aquela velha frase que sempre faz sentido ou fará apenas mais uma vez. eu sempre soube. Sempre soube que ao pensar em você no caminho para casa não conseguiria falar-lhe quando o visse. Nem que fosse só pela internet. Sempre soube que um "você é interessante, mas" era apenas uma tentativa de consolo. Sempre soube que com você nada aconteceria. Quanto mais a caneta desliza sobre o papel, mais as palavras somem. E é triste.
A tristeza permaneceu desde que a tua ausência se fez parecer presença. E a presença mais parecia alucinação. Sempre soube que seria assim, com uma ou duas conversas apenas, algumas considerações pela metade. Algumas músicas, poucos poemas seus, muitos meus. E fim. Sem mais esperanças, sem mais olhares. Sem mais.
No fundo, tentava acreditar que não. Mas sempre soube que acabaria assim. Palavras, sem elas. E eu apenas peguei a caneta e escrevi.
A tristeza permaneceu desde que a tua ausência se fez parecer presença. E a presença mais parecia alucinação. Sempre soube que seria assim, com uma ou duas conversas apenas, algumas considerações pela metade. Algumas músicas, poucos poemas seus, muitos meus. E fim. Sem mais esperanças, sem mais olhares. Sem mais.
No fundo, tentava acreditar que não. Mas sempre soube que acabaria assim. Palavras, sem elas. E eu apenas peguei a caneta e escrevi.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
De sempre, ou perder-se, ou frio plantar.
Destruída. Destroçada. Desconjuntada.
Desativada por um milésimo de segundo. Até que as lágrimas surgissem, suas
velhas e frias amigas.
Há tempos não as via. Há tempos
não lhes permitia que acariciassem sua face, e sua alma. Tinha um tumulto de
informações e ideias e opiniões sobre algo que não era concreto. Dentro de
tanto alvoroço e expectativa pela verdade, ela apareceu. Tinha esperanças, que
se foram. A sinceridade a castigou. Ele a bombardeou usando sua pior qualidade.
Calou-lhe gentilmente falando que a gentileza não existia nele. E ela se sentiu
criança novamente, sendo mandada ao quarto depois de contar mentiras. Mentiras inventadas,
ela querendo acreditar, fossem reais.
Com as mãos silenciosas, precisas
e ainda assim trêmulas, chorou como alguém que perde. Perde algo que nunca foi
seu, e nem nunca será. Chora por perder esperanças. Chora depois do açoite de
elogios seguidos por frases que lhe tiravam toda a graça de imaginar
oportunidades.
Pediu desculpas, que lhe foram
proibidas, mais uma vez, com gentileza. Sentiu-se reprimida. Nada mais falou. De
sua boca, de seus dedos, só saíam besteiras. Nada que ela se sentisse bem em
falar. Nada que ela quisesse a não ser se esconder e de lá não mais sair. Fugir
pra onde não a conheciam. Mas se manteve. Mandou-lhe um beijo ao final da
conversa, prometendo não mais incomodar, depois de tanto se sentir infantil aos
olhos dele.
Pegou a caneta, escreveu e se
controlou para não rasgar o papel e cada folha preenchida e contida naquele
bendito caderno. Passava por uma fase triste da vida, que há muito havia
começado e não tinha perspectivas de que terminasse.
E no final do texto, depois de
grande parte da inquietação vomitar, agradeceu ao homem sincero, em sincero
pensamento, pelos curtos momentos em que ele a fizera voltar à literatura, e
lhe devolvera a inspiração. Coisas que ela tanto amava, mas que escorriam pelos
dedos feito areia fina, sem chances frequentes de recoloca-las em si mesma. Ao
vento.
Depois de se curar de si mesma, até
que se lembrasse do dano que ela própria lhe fizera, levantou-se e buscou um par
de meias para tirar de si o frio das plantas dos pés, e se conseguia afastar o
que restava de batimentos acelerados do seu coração.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Mudanças
Por dias eu lembrei de você. Por dias eu pensei nas nossas longas e ao mesmo tão curtas tardes de conversas inteligentes. Lembrei e me deu saudade. Deu saudades de quando éramos próximos, e de quando tudo o que eu mais me preocupava eram as tardse de estudo deixadas de lado apenas para ficarmos juntos. Você não tem ideia de como demorei pra me acostumar a não te ver todos os dias.
Mudei de cidade, mas você me abandonou muito antes disso. Mudei de quarto, de casa, de estado, de região. Mudei de vida e assim também de pensamentos e atitudes. Minha imaginação ainda ia até você sempre que eu colocava os fones de ouvido nos meus poucos momento livres, mas aos poucos isso também mudou. Eu mudei.
Por muitos meses abandonei meus livros, minhas músicas favoritas, minhas antigas ideologias, meu romantismo. Eu me abandonei. Passei a me autocriticar de uma forma tão forte que quase me destruiu. Não me importando com nada, e odiando cada dia mais as pessoas que me cercavam cheias de ignorância e egoísmo.
Até que a saudade me trouxe de volta e me lembrou que eu pertencia a outro local. E hoje, depois de tudo, a inspiração voltou a me visitar.
Mudei de cidade, mas você me abandonou muito antes disso. Mudei de quarto, de casa, de estado, de região. Mudei de vida e assim também de pensamentos e atitudes. Minha imaginação ainda ia até você sempre que eu colocava os fones de ouvido nos meus poucos momento livres, mas aos poucos isso também mudou. Eu mudei.
Por muitos meses abandonei meus livros, minhas músicas favoritas, minhas antigas ideologias, meu romantismo. Eu me abandonei. Passei a me autocriticar de uma forma tão forte que quase me destruiu. Não me importando com nada, e odiando cada dia mais as pessoas que me cercavam cheias de ignorância e egoísmo.
Até que a saudade me trouxe de volta e me lembrou que eu pertencia a outro local. E hoje, depois de tudo, a inspiração voltou a me visitar.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Companheirismo
A única ação que estava ao seu alcance era abraçá-lo, tê-lo ali consigo. Queria muito poder dizer-lhe que ficaria tudo bem, que eles resolveriam tudo, mas ela sabia que as coisas não eram bem assim.
Os olhos vermelhos, o respirar fundo, o tentar se acalmar e logo em seguida deixar-se tomar pela angústia e um leve toque de desespero eram a prova de que até o mais imponente algum momento torna-se frágil, mas nunca fraco.
Sem palavras, nem exatidão ele demonstrava os sentimentos na frente da garota pela primeira vez. Abraçava-a, envolvendo-a completamente. Encostava a cabeça em seu pescoço procurando explicações sem retorno.
Ela, impossibilitada talvez de fazer qualquer outra coisa abraçava-o, acariciava o pescoço e os cabelos louros. Queria tirar dele toda a tristeza, toda a dor. Queria-o bem. Queria dizer que estava ali com ele pra tudo. Não conseguiu. Não por faltar com a verdade, mas por aquele momento não necessitar de palavras, talvez por não existirem.
Sentia-se feliz em poder acalmá-lo, em abraçá-lo. Mostrava que não era totalmente inútil, e que tinha sentimentos. A respiração dele se acalmava, junto com o bater do coração que ela conseguia sentir pela aproximação.
Fechou os olhos e encostou a cabeça na dele.
Os olhos vermelhos, o respirar fundo, o tentar se acalmar e logo em seguida deixar-se tomar pela angústia e um leve toque de desespero eram a prova de que até o mais imponente algum momento torna-se frágil, mas nunca fraco.
Sem palavras, nem exatidão ele demonstrava os sentimentos na frente da garota pela primeira vez. Abraçava-a, envolvendo-a completamente. Encostava a cabeça em seu pescoço procurando explicações sem retorno.
Ela, impossibilitada talvez de fazer qualquer outra coisa abraçava-o, acariciava o pescoço e os cabelos louros. Queria tirar dele toda a tristeza, toda a dor. Queria-o bem. Queria dizer que estava ali com ele pra tudo. Não conseguiu. Não por faltar com a verdade, mas por aquele momento não necessitar de palavras, talvez por não existirem.
Sentia-se feliz em poder acalmá-lo, em abraçá-lo. Mostrava que não era totalmente inútil, e que tinha sentimentos. A respiração dele se acalmava, junto com o bater do coração que ela conseguia sentir pela aproximação.
Fechou os olhos e encostou a cabeça na dele.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Invenções.
Ela queria que não tivessem inventado tantos parâmetros,
tantas definições e limites. Queria que pudesse não olhar mais aquelas fotos, e
que não chorasse mais. Queria que não tivessem inventado a saudade. A menina
sabia que teria que mudar e crescer alguma hora, mas naquele momento ela não era nada mais que isso, uma menina.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Micrônica: Sobre o amor.
- Será que é amor?
- Acho que não, deve ser só uma afeição passageira. Nem sempre que dizem "eu te amo" é real, as pessoas falam e nem sabem o que é.
- Mas, se for amor?
- Não sei. Não sei nem o que é, nem se existem mesmo isso de "amor"... E tenho acreditado a cada dia menos. Pode ser que eu pague a minha língua um dia. Mas quer saber?
- O quê?
- Estou rezando a cada dia pra que isso aconteça.
- Acho que não, deve ser só uma afeição passageira. Nem sempre que dizem "eu te amo" é real, as pessoas falam e nem sabem o que é.
- Mas, se for amor?
- Não sei. Não sei nem o que é, nem se existem mesmo isso de "amor"... E tenho acreditado a cada dia menos. Pode ser que eu pague a minha língua um dia. Mas quer saber?
- O quê?
- Estou rezando a cada dia pra que isso aconteça.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Eu sei
Eu vivo com saudade. Eu vivo por saudade. Eu vivo de saudade. Eu morro de saudade. Sinto saudade do eu, do meu, do seu. Eu sinto saudade do nosso. E do vosso também.
Sinto vontade do que não sei. Se soubesse, haveria definição e agradeço por isto não ter limitações. Quero viver, reviver e sobre viver. Quero muito mais que a vã consciência pode dar.
Sei que falo coisas sem sentido, mas o que são os erros? Há definição, ou são mais coisas criadas?
E eu tenho mais saudade. Saudade do meu verdadeiro lugar, do meu eu, do eu teu. Saudade intensa e constante. Saudade presente e incentivadora. Saudade que não se mata facilmente. Saudade do que já passou e do que ainda virá. Saudade, simples saudade.. eterna e infinita.
"Se cuida",
porque eu já não posso cuidar.
Sinto vontade do que não sei. Se soubesse, haveria definição e agradeço por isto não ter limitações. Quero viver, reviver e sobre viver. Quero muito mais que a vã consciência pode dar.
Sei que falo coisas sem sentido, mas o que são os erros? Há definição, ou são mais coisas criadas?
E eu tenho mais saudade. Saudade do meu verdadeiro lugar, do meu eu, do eu teu. Saudade intensa e constante. Saudade presente e incentivadora. Saudade que não se mata facilmente. Saudade do que já passou e do que ainda virá. Saudade, simples saudade.. eterna e infinita.
"Se cuida",
porque eu já não posso cuidar.
domingo, 28 de outubro de 2012
Cores e novos horizontes.
Viviam em uma casa cor de rosa com plantas penduradas da
varanda. Cuidavam dos jardins todas as tardes, e a hortelã perfumava a casa.
Faziam sua própria comida, e tinha uma vida simples. Mas ela se sentia sozinha.
Presenciava acontecimentos e não tinha para quem contá-los.
Gostava do seu quarto cor de céu, mas ele apenas espelhava a sua solidão.
Apesar da vida sossegada, o seu ser não estava tão tranquilo assim, o estresse
e o mau humor a dominavam. Sentia-se irritada consigo mesmo por ser grossa e
não gentil com os outros. O que havia de errado afinal? Estava a se acostumar
com a vida atual, o processo que vivia era o de guardar os sentimentos antigos
para que pudessem dar lugar a novos. Guardar, sem nunca esquecer, e como havia
escrito uma vez sempre que sua saudade não houvesse fim, os tiraria do armário,
lembrar, e chorar sorrindo. Ter lembranças tão belas e tão profundas, sem a que
a vida lhes desse oportunidade de revivê-las, como ela não dá a ninguém.
Forçava-se a aceitar o presente, mas a solidão sempre
parecia estar em algum lugar muito próximo. Sentia-se na obrigação de melhorar
seu comportamento, e andar adiante, procurando coisas com o que ocupar a mente,
usufruir o que a sua cidade tinha de melhor a oferecer. Tentar novas
oportunidades, almejar novos horizontes. Sentia-se, por dentro, deprimida por
ter que deixar o que tanto a fazia bem, mas, seguiria. Os sentimentos cresciam
em seu íntimo, e podia sentir a força a revigorando. Tais experiências a faziam
forte. Sabia que a vida lhe reservava muitas situações, e ela não podia deixar
de vivê-las. E apesar de todas as falsas aflições, ela era feliz.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Pele ou Rápida história boba
Das belas e imponentes asas só restaram cicatrizes brancas e
lisas. Os dedos dela deslizavam suavemente pelas marcas simétricas que, frias,
contrastavam com a pele quente ao redor. Ele contava-lhe seus sentimentos e
tudo o que se passara pela sua cabeça quando o prenderam e, sangrentamente,
arrancaram as partes diferentes de seu corpo que carregava as costas. Contava a ela tudo o que havia escondido por
medo, e principalmente, por tristeza e dor.
Ela ouvia tudo em silencio tomada por uma tristeza
inexplicável. Chorava desesperadamente sem exprimir som ou mudança de
fisionomia. Continuava a acariciar as costas bem talhadas da criatura mutilada
a sua frente, desejando de todo o seu ser que nenhuma daquelas palavras tivesse
acontecido, mesmo que isso significasse não tê-lo em sua vida. Apoiou a testa
nas cicatrizes bem marcadas fechando os olhos para que pudesse apenas sentir. A
pele dele contra a sua, o movimento de sua respiração, seus batimentos
cardíacos tão próximos. As lagrimas escorreram pela sua face, correram e também
o tocaram causando arrepios na pele nua. Ele a abraçou sem saber o que falar
para consolá-la por inteiro. Porem, ao perceber o que acontecia, o medo lhe
tomou. Tentou rapidamente se afastar-se da pele dela, mas era tarde demais. O
amor que ela sentia por ele já havia transformado tudo.
sábado, 15 de setembro de 2012
Ela, com toda certeza, sentiria uma enorme falta deles. De todos;
cada um em particular e juntos como um todo. Juntos.
Juntos, era como ela achava que deveria ficar. Mas a vida não
tem piedade e acaba sempre por afastar a todos. Afastar não, separar. Ou seria
mesmo afastar? Sim, era realmente afastar. Porque para ela, nada poderia
separa-los. Nada mudaria o que ficara na memoria. Cada memoria guardada e bem
guardada. Risadas de piadas sem graça. Apelidos reveladores porem carinhosos. Conversas
sérias e descontraídas. Micos e dias depressivos de chuva. Fotos engraçadas e “espontâneas”
que fazem todos se divertirem. A força que os unia ate nas provas finais. Os novatos
que já conquistaram afeição. Os veteranos que, como verdadeiros companheiros,
estiveram aqui sempre. As aulas à tarde e os “estudos” da tarde. As paqueras e
rolos. As lagrimas e as flores.
Quanto a eles, nada tinha a reclamar ou a esquecer, apagar. Eles
eram maravilhosos, faziam os seus dias mais radiantes. Cada um com seu jeito,
sua marca registrada. Um se importando com o outro. Abraçando quando era ou não
necessário. Desejando um “bom dia” animado nas provas das manhas de domingo. Todos.
Como ela sentiria falta. O mundo mandara cada um para um
lugar diferente. Afastou-os fisicamente, e ate emocionalmente. Afastou um do convívio
do outro. Mas não conseguirá apagar das lembranças tempos de tanta felicidade
mútua que só quem ama guarda com carinho: os verdadeiros amigos.
O falso dono da casa
Elas riam por falarem coisas que nunca pensariam em falar
pra ninguém e por serem também tão parecidas. Eles por sua vez, achavam graça
das besteiras sobre as quais discutiam e mantinham seus pensamentos em segredo.
Acomodavam-se nas cadeiras e em cima dos moveis da cozinham, enquanto os dois
cozinhavam o almoço, embora um deles fizesse mais coisas que o outro. Divertiam-se comendo creme de chocolate 10
minutos antes de a refeição estar pronta.
Fora sem duvidas uma tarde bem agradável. Depois de comer e
lavar a louça, foram pro quarto se espalhando na lentidão de depois de almoço.
Escutaram musicas, falaram sobre a faculdade, e sobre oportunidades, e também
sobre o que cada um faria da vida a seguir. Sabiam que se separariam em breve,
porem, ninguém gostava muito de pensar nisso, e quando o assunto chegou,
trocaram palavras de possíveis reencontros futuros.
Riram, brincaram, se alongaram. Fumaram e comeram doces. O
final da tarde se aproximava e sabiam que com ele, chegava também a partida de
todos, um deles ainda mais para longe do que os outros, que por enquanto, ainda
moravam na mesma cidade. E chegou a despedida, se arrumaram, desceram a rua e
chamaram o taxi. Despediram-se gentilmente por alguns minutos, com acenos como
“você faz falta” ou então, “espero que nos vejamos em breve”, e sem mais partiu
o mais velho deles para a rodoviária. Os outros se encaminharam para o ponto de
ônibus e as garotas foram embora no mesmo veiculo, deixando para trás o dono da
casa sozinho.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Últimas promessas
E foi embora com a promessa de um dia voltar. Com a mochila
as costas, ela sorria para segurar as lagrimas. Segurava as alças da bolsa a
fim de esconder as mãos tremulas. Controlava a respiração para que não ficasse
muito aparente que seu coração estava a mil e já batia com saudades de sua
terra. E ao se afastar fechou os olhos para se certificar de que havia guardado
tudo o que queria: o que seus olhos viram e fotografaram nas caminhadas
solitárias pela cidade que tanto amava, e principalmente, a última visão de
seus amigos olhando para ela enquanto ela entrava na sala de embarque. Cena que
jamais queria esquecer, e que com certeza guardaria ate que a promessa feita
para si mesma estivesse cumprida.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Laços
Sim, ela estava ali, mas já sentia saudades de tudo aquilo.
Sabia que a partida estava perto, embora estivesse bem mais tranquila do que da
primeira vez que partira. Sabia agora que sempre ao voltar, seria como se nada
houvesse acontecido. Tinha o conhecimento de que poderia contar com eles sempre
que quisesse, mesmo estando a 3000 km de distancia. Sabia que embora não se
falassem sempre, e que não convivessem no dia-a-dia como tinha sido algum tempo
antes, eles estariam sempre ali para ela. Sempre. Com todas as suas qualidades
e imperfeiçoes, todos os seus dilemas e experiências. E tudo isso acontecia, simplesmente
porque eram verdadeiros, seus irmãos de alma, a família escolhida por ela e por
eles para ser o seu porto seguro. Um ambiente livre de quaisquer sentimentos
invejosos, ou repressivos, apenas aquela implicância boba que sempre se tem com
quem se ama muito. E ela os amava demais. Amava tanto, tão inexplicavelmente,
tão intensamente. O que havia entre eles não se explica, não se vê, e não
precisa ser falado pois todos que estão envolvidos por aquele laço invisível,
tem a plena e nítida certeza do que se sente uns pelos outros. Uma relação
altamente complexa e, muitas vezes, a mais simples possível.
Todas as vezes que
partia, deixava com eles um pedaço de si, para só se sentir completa novamente
quando os reencontrasse. E sabia que isso nunca aconteceria novamente. Porque
afinal a vida é assim, se deixa pedaços seus com as pessoas que se ama, e você
por sua vez, também leva consigo partes delas.
E assim, caminhando
pela vida e partindo seu coração sempre que podia, ela seguia em frente sabendo
acima de tudo que nada, muito menos uma simples distancia, pode acabar com
sentimentos tão poderosos, bonitos e fortes como esse que ela tinha pelos seus
amigos.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Adeus novamente
Lá estava aquele sentimento de novo, o ar de adeus que ela já conhecia. Sentia o
coração apertar forte, queria aproveitar cada ultimo instante que ainda pudesse.
Queria chorar de forma inconsolável nos braços daqueles que não veria por mais
um longo tempo. E ela os amava tanto... Mas nunca teve coragem de dizer. Talvez
se sentisse como uma boba por dizer o que lhe era obvio demais.
Sabia que tinha de ir, ao contrario de antes, sua vida agora
era vivida em dois lugares ao mesmo tempo. Vivia lá, e estava aqui. E quando
estava lá, sentia seu coração presente aqui. Tinha conhecimento bastante sobre
si mesma para dizer que seria feliz onde estivesse, pois sua felicidade
dependia apenas dela mesma, mas... Como odiava a separação! Porque isso tinha
de acontecer? Porque parti-la ao meio dessa forma? Essas e mais milhares de
perguntas; respostas que sempre estaria à procura. Mas, quem sabe um dia elas
lhe viessem sem pedido e sem culpa, ou simplesmente ela parasse de procurar,
conformada com a realidade, e, possuindo entendimento suficiente, apenas
sorrisse quando a vida lhe pregasse mais e mais peças.
Não podia nem tentou de impedir as lagrimas de lhe escapar
pelos olhos e caminhar pela face diante de seus pensamentos. Tinha vontades,
ela sabia. Tinha vontade de escrever, de correr pela praia, de escutar uma
musica apoiada em alguém conhecido, e que ela amasse loucamente. Mas ela estava
sozinha ali, e entendia que aquele momento era só seu, embora quisesse muito
compartilha-lo. Calou os olhos, fechando-os, e deixou que o coração falasse,
desabafasse para o tudo e o nada que estavam ambos a sua frente. O que viria a
seguir? Não sabia, e a essa pergunta, talvez nunca obtivesse resposta. Mas,
mesmo assim sorriu, tranquila e nervosa. Tranquila porque sabia que nada
estaria mudado quando, um dia, pudesse retornar ate ali. E nervosa porque sabia
que tudo muda o tempo todo.
domingo, 9 de setembro de 2012
Apenas verdadeiros
Os acontecimentos só comprovavam o que a deixava mais
quieta, tranquila, e acima de tudo, feliz. Adorava saber que nada havia mudado,
mesmo em sua ausência. Ou melhor, haviam, sim, mudado afinal tudo muda o
tempo todo, mas nada a tal ponto de mudar os seus sentimentos em relação a todos os quais deixara longe de si.
Adorava o modo como eles se relacionavam com ela, o jeito
sem interesse, o modo igual como a tratavam. Adorava não precisar de nada, a
não ser ser ela mesma sem véus, sem maquiagem ou nada que escondesse seus
defeitos e aumentasse suas qualidades. Eles a apreciavam assim, e talvez a
apreciassem por ser assim. Gostava do modo como riam dela sem pudor, e o modo
doce com que faziam suas piadas só entendidas pelo grupo diferente de todos os
outros que era o deles. Afinal, ali, todos os excluídos se enturmavam, e nada era
considerado anormal diante dos olhos de quem a ali pertencia. E era isso que a
fascinava, poder conviver com as diferenças sem as considerar como métodos de
segregação, mas o contrario, de união. Como ela os amava e eles a faziam bem
apenas por existirem. Como gostava de estar ali, e além de tudo, como se
envergonhava de sentir vergonha de assumir para eles que fizeram suas recordações
muito mais felizes.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Certeza das recordações
E no fundo, tudo aquilo mais lhe parecia um daqueles sonhos
que se tem vontade de viver, mas apenas com a certeza de que se acordará logo
em seguida. Entretanto, tudo estava invertido. Ela vivia o seu sonho agora, e
logo mais acordaria do que desejava que fosse a sua realidade, pois um dia já a
fora.
Sabia que o conformismo chegaria juntamente com a saudade
que seria cotidiana e contínua, mas não gostava de pensar nisso, pois tinha a
leve, porem precisa impressão que isso estaria presente durante o resto de sua
vida. Isto, sabia, não significava que
seria menos feliz, embora existisse um “talvez”. Todos esses sentimentos
faziam-na bem, mesmo através de um jeito mau, já que traziam recordações de
tempos em que fora muito feliz e a certeza de nunca mais esquecê-los.
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