E foi embora com a promessa de um dia voltar. Com a mochila
as costas, ela sorria para segurar as lagrimas. Segurava as alças da bolsa a
fim de esconder as mãos tremulas. Controlava a respiração para que não ficasse
muito aparente que seu coração estava a mil e já batia com saudades de sua
terra. E ao se afastar fechou os olhos para se certificar de que havia guardado
tudo o que queria: o que seus olhos viram e fotografaram nas caminhadas
solitárias pela cidade que tanto amava, e principalmente, a última visão de
seus amigos olhando para ela enquanto ela entrava na sala de embarque. Cena que
jamais queria esquecer, e que com certeza guardaria ate que a promessa feita
para si mesma estivesse cumprida.
Hoje deu vontade de ouvir Beatles. Quis correr atrás da inspiração e trazê-la pelo braço, nem que fosse arrastada. Quase fui.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Laços
Sim, ela estava ali, mas já sentia saudades de tudo aquilo.
Sabia que a partida estava perto, embora estivesse bem mais tranquila do que da
primeira vez que partira. Sabia agora que sempre ao voltar, seria como se nada
houvesse acontecido. Tinha o conhecimento de que poderia contar com eles sempre
que quisesse, mesmo estando a 3000 km de distancia. Sabia que embora não se
falassem sempre, e que não convivessem no dia-a-dia como tinha sido algum tempo
antes, eles estariam sempre ali para ela. Sempre. Com todas as suas qualidades
e imperfeiçoes, todos os seus dilemas e experiências. E tudo isso acontecia, simplesmente
porque eram verdadeiros, seus irmãos de alma, a família escolhida por ela e por
eles para ser o seu porto seguro. Um ambiente livre de quaisquer sentimentos
invejosos, ou repressivos, apenas aquela implicância boba que sempre se tem com
quem se ama muito. E ela os amava demais. Amava tanto, tão inexplicavelmente,
tão intensamente. O que havia entre eles não se explica, não se vê, e não
precisa ser falado pois todos que estão envolvidos por aquele laço invisível,
tem a plena e nítida certeza do que se sente uns pelos outros. Uma relação
altamente complexa e, muitas vezes, a mais simples possível.
Todas as vezes que
partia, deixava com eles um pedaço de si, para só se sentir completa novamente
quando os reencontrasse. E sabia que isso nunca aconteceria novamente. Porque
afinal a vida é assim, se deixa pedaços seus com as pessoas que se ama, e você
por sua vez, também leva consigo partes delas.
E assim, caminhando
pela vida e partindo seu coração sempre que podia, ela seguia em frente sabendo
acima de tudo que nada, muito menos uma simples distancia, pode acabar com
sentimentos tão poderosos, bonitos e fortes como esse que ela tinha pelos seus
amigos.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Adeus novamente
Lá estava aquele sentimento de novo, o ar de adeus que ela já conhecia. Sentia o
coração apertar forte, queria aproveitar cada ultimo instante que ainda pudesse.
Queria chorar de forma inconsolável nos braços daqueles que não veria por mais
um longo tempo. E ela os amava tanto... Mas nunca teve coragem de dizer. Talvez
se sentisse como uma boba por dizer o que lhe era obvio demais.
Sabia que tinha de ir, ao contrario de antes, sua vida agora
era vivida em dois lugares ao mesmo tempo. Vivia lá, e estava aqui. E quando
estava lá, sentia seu coração presente aqui. Tinha conhecimento bastante sobre
si mesma para dizer que seria feliz onde estivesse, pois sua felicidade
dependia apenas dela mesma, mas... Como odiava a separação! Porque isso tinha
de acontecer? Porque parti-la ao meio dessa forma? Essas e mais milhares de
perguntas; respostas que sempre estaria à procura. Mas, quem sabe um dia elas
lhe viessem sem pedido e sem culpa, ou simplesmente ela parasse de procurar,
conformada com a realidade, e, possuindo entendimento suficiente, apenas
sorrisse quando a vida lhe pregasse mais e mais peças.
Não podia nem tentou de impedir as lagrimas de lhe escapar
pelos olhos e caminhar pela face diante de seus pensamentos. Tinha vontades,
ela sabia. Tinha vontade de escrever, de correr pela praia, de escutar uma
musica apoiada em alguém conhecido, e que ela amasse loucamente. Mas ela estava
sozinha ali, e entendia que aquele momento era só seu, embora quisesse muito
compartilha-lo. Calou os olhos, fechando-os, e deixou que o coração falasse,
desabafasse para o tudo e o nada que estavam ambos a sua frente. O que viria a
seguir? Não sabia, e a essa pergunta, talvez nunca obtivesse resposta. Mas,
mesmo assim sorriu, tranquila e nervosa. Tranquila porque sabia que nada
estaria mudado quando, um dia, pudesse retornar ate ali. E nervosa porque sabia
que tudo muda o tempo todo.
domingo, 9 de setembro de 2012
Apenas verdadeiros
Os acontecimentos só comprovavam o que a deixava mais
quieta, tranquila, e acima de tudo, feliz. Adorava saber que nada havia mudado,
mesmo em sua ausência. Ou melhor, haviam, sim, mudado afinal tudo muda o
tempo todo, mas nada a tal ponto de mudar os seus sentimentos em relação a todos os quais deixara longe de si.
Adorava o modo como eles se relacionavam com ela, o jeito
sem interesse, o modo igual como a tratavam. Adorava não precisar de nada, a
não ser ser ela mesma sem véus, sem maquiagem ou nada que escondesse seus
defeitos e aumentasse suas qualidades. Eles a apreciavam assim, e talvez a
apreciassem por ser assim. Gostava do modo como riam dela sem pudor, e o modo
doce com que faziam suas piadas só entendidas pelo grupo diferente de todos os
outros que era o deles. Afinal, ali, todos os excluídos se enturmavam, e nada era
considerado anormal diante dos olhos de quem a ali pertencia. E era isso que a
fascinava, poder conviver com as diferenças sem as considerar como métodos de
segregação, mas o contrario, de união. Como ela os amava e eles a faziam bem
apenas por existirem. Como gostava de estar ali, e além de tudo, como se
envergonhava de sentir vergonha de assumir para eles que fizeram suas recordações
muito mais felizes.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Certeza das recordações
E no fundo, tudo aquilo mais lhe parecia um daqueles sonhos
que se tem vontade de viver, mas apenas com a certeza de que se acordará logo
em seguida. Entretanto, tudo estava invertido. Ela vivia o seu sonho agora, e
logo mais acordaria do que desejava que fosse a sua realidade, pois um dia já a
fora.
Sabia que o conformismo chegaria juntamente com a saudade
que seria cotidiana e contínua, mas não gostava de pensar nisso, pois tinha a
leve, porem precisa impressão que isso estaria presente durante o resto de sua
vida. Isto, sabia, não significava que
seria menos feliz, embora existisse um “talvez”. Todos esses sentimentos
faziam-na bem, mesmo através de um jeito mau, já que traziam recordações de
tempos em que fora muito feliz e a certeza de nunca mais esquecê-los.
Amar demais
E no fundo, ela não achava nada daquilo que as pessoas viam.
Ela tinha muito mais sentimentos do que aparentava ter, muito mais do que
mostrava. Sentia um aperto forte no coração sempre ao ver aqueles que lhe eram
especiais decepcioná-la. Porém, nada sairia de sua boca, nenhuma repreensão,
nenhuma dor, a não ser que seus sentimentos estivessem por demais acumulados e
ela lhes deixassem escapar por exaustão de segurá-los.
E sentia que ele, mesmo prometendo não desapontá-la,
seguiria o mesmo caminho de todos os outros. Nenhum deles merece ser comparado,
ou mesmo encaixado numa generalização, afinal, ninguém é igual a ninguém por
mais que existam semelhanças. Entretanto, a ela, por mais que as coisas fossem
diferentes, por mais que ela tentasse mudar-se a si mesma para que os erros não
se repetissem, parecia que sempre escolhiam o mesmo rumo, os mesmo passos, as
mesmas ações... Os mesmos tipos de ferimentos lhe causavam. Julgava que não
conseguiria suportar por mais tanto tempo.
Seu corpo tremia, mas a tristeza não lhe escorria pelos
olhos. A garota sabia que os fatos se repetiriam, como sempre. Quando tudo
terminasse, e apenas ela se machucasse, ai sim, as lágrimas rolariam pela face,
só fazendo com que as coisas piorassem. E a dor permaneceria, oculta, somente
dela. Porem... Por quanto mais aquele ser humano aguentaria? Por mais quanto
ela iria permanecer calada, e com o seu silencio protegendo os outros do mesmo
que ela sentia? Não sabia. Mas permaneceria ate que não houvesse ninguém mais
envolvido, ninguém que pudesse se machucar, porque, apesar de tudo, ela
preferia a automutilação ao flagelamento alheio. Conhecia-se demais pra saber o
que poderia acontecer, mas não o bastante para saber o que aconteceria. E sim,
ela era apenas uma garota, que, às vezes, amava demais.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Vem,
Vamos sair
A rua nos chama
O dia nos chama
Não me deixe ir sozinha
Quero ver você feliz, quero ver seu sorriso
Vem,
Vamos sair
Que a rua nos chama
O dia nos convida
Vem,
Que o tempo não para
O azul dos céus nos aguarda
E a vida não perdoa
Quem não quer viver
Vem,
Segura na minha mão
E não me deixe sorrir sem ter você aqui.
Vem,
vamos ver as nuvens
Vamos correr pela rua
Vamos sorrir para a Lua
Respirar esse vento que vem de longe
Vamos ver o que há pra se viver
Vem,
vem comigo.
Assinar:
Postagens (Atom)






