Por dias eu lembrei de você. Por dias eu pensei nas nossas longas e ao mesmo tão curtas tardes de conversas inteligentes. Lembrei e me deu saudade. Deu saudades de quando éramos próximos, e de quando tudo o que eu mais me preocupava eram as tardse de estudo deixadas de lado apenas para ficarmos juntos. Você não tem ideia de como demorei pra me acostumar a não te ver todos os dias.
Mudei de cidade, mas você me abandonou muito antes disso. Mudei de quarto, de casa, de estado, de região. Mudei de vida e assim também de pensamentos e atitudes. Minha imaginação ainda ia até você sempre que eu colocava os fones de ouvido nos meus poucos momento livres, mas aos poucos isso também mudou. Eu mudei.
Por muitos meses abandonei meus livros, minhas músicas favoritas, minhas antigas ideologias, meu romantismo. Eu me abandonei. Passei a me autocriticar de uma forma tão forte que quase me destruiu. Não me importando com nada, e odiando cada dia mais as pessoas que me cercavam cheias de ignorância e egoísmo.
Até que a saudade me trouxe de volta e me lembrou que eu pertencia a outro local. E hoje, depois de tudo, a inspiração voltou a me visitar.
Hoje deu vontade de ouvir Beatles. Quis correr atrás da inspiração e trazê-la pelo braço, nem que fosse arrastada. Quase fui.
sábado, 16 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Companheirismo
A única ação que estava ao seu alcance era abraçá-lo, tê-lo ali consigo. Queria muito poder dizer-lhe que ficaria tudo bem, que eles resolveriam tudo, mas ela sabia que as coisas não eram bem assim.
Os olhos vermelhos, o respirar fundo, o tentar se acalmar e logo em seguida deixar-se tomar pela angústia e um leve toque de desespero eram a prova de que até o mais imponente algum momento torna-se frágil, mas nunca fraco.
Sem palavras, nem exatidão ele demonstrava os sentimentos na frente da garota pela primeira vez. Abraçava-a, envolvendo-a completamente. Encostava a cabeça em seu pescoço procurando explicações sem retorno.
Ela, impossibilitada talvez de fazer qualquer outra coisa abraçava-o, acariciava o pescoço e os cabelos louros. Queria tirar dele toda a tristeza, toda a dor. Queria-o bem. Queria dizer que estava ali com ele pra tudo. Não conseguiu. Não por faltar com a verdade, mas por aquele momento não necessitar de palavras, talvez por não existirem.
Sentia-se feliz em poder acalmá-lo, em abraçá-lo. Mostrava que não era totalmente inútil, e que tinha sentimentos. A respiração dele se acalmava, junto com o bater do coração que ela conseguia sentir pela aproximação.
Fechou os olhos e encostou a cabeça na dele.
Os olhos vermelhos, o respirar fundo, o tentar se acalmar e logo em seguida deixar-se tomar pela angústia e um leve toque de desespero eram a prova de que até o mais imponente algum momento torna-se frágil, mas nunca fraco.
Sem palavras, nem exatidão ele demonstrava os sentimentos na frente da garota pela primeira vez. Abraçava-a, envolvendo-a completamente. Encostava a cabeça em seu pescoço procurando explicações sem retorno.
Ela, impossibilitada talvez de fazer qualquer outra coisa abraçava-o, acariciava o pescoço e os cabelos louros. Queria tirar dele toda a tristeza, toda a dor. Queria-o bem. Queria dizer que estava ali com ele pra tudo. Não conseguiu. Não por faltar com a verdade, mas por aquele momento não necessitar de palavras, talvez por não existirem.
Sentia-se feliz em poder acalmá-lo, em abraçá-lo. Mostrava que não era totalmente inútil, e que tinha sentimentos. A respiração dele se acalmava, junto com o bater do coração que ela conseguia sentir pela aproximação.
Fechou os olhos e encostou a cabeça na dele.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Invenções.
Ela queria que não tivessem inventado tantos parâmetros,
tantas definições e limites. Queria que pudesse não olhar mais aquelas fotos, e
que não chorasse mais. Queria que não tivessem inventado a saudade. A menina
sabia que teria que mudar e crescer alguma hora, mas naquele momento ela não era nada mais que isso, uma menina.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Micrônica: Sobre o amor.
- Será que é amor?
- Acho que não, deve ser só uma afeição passageira. Nem sempre que dizem "eu te amo" é real, as pessoas falam e nem sabem o que é.
- Mas, se for amor?
- Não sei. Não sei nem o que é, nem se existem mesmo isso de "amor"... E tenho acreditado a cada dia menos. Pode ser que eu pague a minha língua um dia. Mas quer saber?
- O quê?
- Estou rezando a cada dia pra que isso aconteça.
- Acho que não, deve ser só uma afeição passageira. Nem sempre que dizem "eu te amo" é real, as pessoas falam e nem sabem o que é.
- Mas, se for amor?
- Não sei. Não sei nem o que é, nem se existem mesmo isso de "amor"... E tenho acreditado a cada dia menos. Pode ser que eu pague a minha língua um dia. Mas quer saber?
- O quê?
- Estou rezando a cada dia pra que isso aconteça.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Eu sei
Eu vivo com saudade. Eu vivo por saudade. Eu vivo de saudade. Eu morro de saudade. Sinto saudade do eu, do meu, do seu. Eu sinto saudade do nosso. E do vosso também.
Sinto vontade do que não sei. Se soubesse, haveria definição e agradeço por isto não ter limitações. Quero viver, reviver e sobre viver. Quero muito mais que a vã consciência pode dar.
Sei que falo coisas sem sentido, mas o que são os erros? Há definição, ou são mais coisas criadas?
E eu tenho mais saudade. Saudade do meu verdadeiro lugar, do meu eu, do eu teu. Saudade intensa e constante. Saudade presente e incentivadora. Saudade que não se mata facilmente. Saudade do que já passou e do que ainda virá. Saudade, simples saudade.. eterna e infinita.
"Se cuida",
porque eu já não posso cuidar.
Sinto vontade do que não sei. Se soubesse, haveria definição e agradeço por isto não ter limitações. Quero viver, reviver e sobre viver. Quero muito mais que a vã consciência pode dar.
Sei que falo coisas sem sentido, mas o que são os erros? Há definição, ou são mais coisas criadas?
E eu tenho mais saudade. Saudade do meu verdadeiro lugar, do meu eu, do eu teu. Saudade intensa e constante. Saudade presente e incentivadora. Saudade que não se mata facilmente. Saudade do que já passou e do que ainda virá. Saudade, simples saudade.. eterna e infinita.
"Se cuida",
porque eu já não posso cuidar.
domingo, 28 de outubro de 2012
Cores e novos horizontes.
Viviam em uma casa cor de rosa com plantas penduradas da
varanda. Cuidavam dos jardins todas as tardes, e a hortelã perfumava a casa.
Faziam sua própria comida, e tinha uma vida simples. Mas ela se sentia sozinha.
Presenciava acontecimentos e não tinha para quem contá-los.
Gostava do seu quarto cor de céu, mas ele apenas espelhava a sua solidão.
Apesar da vida sossegada, o seu ser não estava tão tranquilo assim, o estresse
e o mau humor a dominavam. Sentia-se irritada consigo mesmo por ser grossa e
não gentil com os outros. O que havia de errado afinal? Estava a se acostumar
com a vida atual, o processo que vivia era o de guardar os sentimentos antigos
para que pudessem dar lugar a novos. Guardar, sem nunca esquecer, e como havia
escrito uma vez sempre que sua saudade não houvesse fim, os tiraria do armário,
lembrar, e chorar sorrindo. Ter lembranças tão belas e tão profundas, sem a que
a vida lhes desse oportunidade de revivê-las, como ela não dá a ninguém.
Forçava-se a aceitar o presente, mas a solidão sempre
parecia estar em algum lugar muito próximo. Sentia-se na obrigação de melhorar
seu comportamento, e andar adiante, procurando coisas com o que ocupar a mente,
usufruir o que a sua cidade tinha de melhor a oferecer. Tentar novas
oportunidades, almejar novos horizontes. Sentia-se, por dentro, deprimida por
ter que deixar o que tanto a fazia bem, mas, seguiria. Os sentimentos cresciam
em seu íntimo, e podia sentir a força a revigorando. Tais experiências a faziam
forte. Sabia que a vida lhe reservava muitas situações, e ela não podia deixar
de vivê-las. E apesar de todas as falsas aflições, ela era feliz.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Pele ou Rápida história boba
Das belas e imponentes asas só restaram cicatrizes brancas e
lisas. Os dedos dela deslizavam suavemente pelas marcas simétricas que, frias,
contrastavam com a pele quente ao redor. Ele contava-lhe seus sentimentos e
tudo o que se passara pela sua cabeça quando o prenderam e, sangrentamente,
arrancaram as partes diferentes de seu corpo que carregava as costas. Contava a ela tudo o que havia escondido por
medo, e principalmente, por tristeza e dor.
Ela ouvia tudo em silencio tomada por uma tristeza
inexplicável. Chorava desesperadamente sem exprimir som ou mudança de
fisionomia. Continuava a acariciar as costas bem talhadas da criatura mutilada
a sua frente, desejando de todo o seu ser que nenhuma daquelas palavras tivesse
acontecido, mesmo que isso significasse não tê-lo em sua vida. Apoiou a testa
nas cicatrizes bem marcadas fechando os olhos para que pudesse apenas sentir. A
pele dele contra a sua, o movimento de sua respiração, seus batimentos
cardíacos tão próximos. As lagrimas escorreram pela sua face, correram e também
o tocaram causando arrepios na pele nua. Ele a abraçou sem saber o que falar
para consolá-la por inteiro. Porem, ao perceber o que acontecia, o medo lhe
tomou. Tentou rapidamente se afastar-se da pele dela, mas era tarde demais. O
amor que ela sentia por ele já havia transformado tudo.
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