quinta-feira, 14 de julho de 2011

Bem Querer

A música tocava no silêncio do quarto, reproduzida por um aparelho eletrônico. Porém fora ele quem tocara para ela. Eram os dedos longos e finos que fizeram aquele som existir. Fizeram para ela. Som esse que tocava não só seus ouvidos mas também sua alma. Cada nota um sentimento moldado, um bater mais forte do seu coração.
Como ela queria que ele estivesse ali junto de si. A saudade apertava muito. Desejava ardentemente sentir o calor da sua pele como quando a abraçava, e seus cabelos a acariciar sua face. Desejava poder segurar sua mão, sentir seus dedos. Queria deitar em seu colo e deixar que mexesse com carinho em seus cabelos. Queria roubá-lo para si e fugir sem deixar rastros. Ir para um lugar onge de tudo, onde ninguém os achasse, a não ser que um dia permitissem ser encontrados.
Queria tê-lo consigo sem nunca pensar em separação. Rir o riso dele. Queria-o como as flores anseiam pelo sol para só assim desabrochar. Queria, egoistamente, ter seus sorrisos só para ela.
jogar-se em seus braços e esquecer que existe maldade e infelicidade. Queria se sentir segura. Sorrir e chorar com a certeza de que ele estaria ali sempre, compartilhando dos sentimentos dela e dividindo os seus.
Num fechar de olhos desejou mais que tudo que ele pudesse tocar, naquele momento, a sua canção de ninar. Queria sonhar. E com os olhos bem fechados acreditar que não estava ali, mas em um lugar bem longe de tudo e bem perto dele.

Luz dos olhos

A garota chorava desesperadamente. O rosto extremamente vermelho e os olhos inchados espelhavam a noite em claro derramando lágrimas por alguém que não estava ali. Alguém que não queria estar com ela. uma pessoa que a iludira com mentiras e carinhos que um dia a fizeram se sentir única.
Em seu coração ainda estava encravado o punhal com o qual foi ferida. Não, ele não estava mais com ela. Mas, o que havia de errado para que ele terminasse sem motivos aparentes? Seria algo de errado com ela?
Levantou-se rapidamente e olhou-se no espelho. Os cabelos louros e muito lisos estavam bem desgrenhados. Os olhos verdes estavam um pouco escondidos pelo inchaço. Observou a linha que delineava a boca fina. O nariz bem afilado. A pele de um moreno apagado pelo bom tempo sem se bronzear.
Passou as mãos pelo seu corpo fazendo a camisa folgada que vestia tocar a sua pele. Seios fartos, cintura, pernas firmes. Não podia dizer que possuía muitas curvas mas não era desprovida delas. Olhou para o conjunto todo. Se o espelho não estivesse mentindo, ela era realmente muito bonita.
Enxugou as lágrimas e correu a se arrumar. Vestido preto, acinturado e curto. Sapatos vermelhos e altos. Sim, estava linda. Coloriu os lábios de rosa e delineou os belos olhos verdes com lápis preto. Alongou os cílios. Penteou os longos cabelos dourados.
Parou novamente em frente ao espelho e observou. A tarde acabava, o Sol derramava seus últimos raios. Um deles tocou seus olhos, acendendo-os.
Um sorriso apareceu em seus lábios. Não iria mais chorar por alguém que não a merecia. Ela era muito mais que isso. Ele não era o único e não seria o ultimo que a faria feliz.
O céu escurecia. A tarde havia acabado, e junto com ela o dia. Mas a noite prometia.

Desculpas...

Bom, antes de postar qualquer coisa, acho que devo muitas desculpas, a vcs que vieram sempre aqui procurar algo e não encontraram por um longo tempo. Desculpem-me e espero não ter perdido nenhum dos poucos leitores...=/
Bom, vai aqui dois textos.

sábado, 21 de maio de 2011

Angústia e Felicidade

A angústia a consumia mutilando-a por dentro. Os pensamentos fluiam como a água jorrando de uma fonte, porém uma água es

Amar

Ela sentia saudades imensas dele. Sentia falta das conversas, das risadas, das confidências à meia voz. Sentia falta dos dedos se tocando e do olhar desviado, incapaz de persistir no seu. Queria poder abraçá-lo, como se nada houvesse acontecido e chorar em sua camisa, mas não tinha coragem. As coisas haviam mudado. Ele parecia nem notar. Parecia não sentir falta de nada.
Sem sombra de dúvidas as coisas haviam mudado. Ele arranjara alguém para suprir suas necessidades. Esta pessoa certamente supria entre tantas, a da sua amizade. Se é que um dia essa amizade fôra necessária.
Ela o observava de longe, sem esperar nada, sem dizer nada. Observava os seus gestos de afeto, seus sorrisos. Ela o queria assim, feliz. A felicidade dele a deixava feliz. Mesmo ele a tendo machucado profundamente com seus atos, ela o queria feliz.
Nunca sentira isso. Queria demais a felicidade dele. Os sorrisos dele a deixavam feliz mesmo estando triste. Não se importava consigo. As lágrimas rolaram e foram secadas rapidamente.

sábado, 14 de maio de 2011

Alegria apenas

A garota corria de um lado para o outro, pulando nas poças que a chuva deixava. Sorria sozinha. Desejava ardentemente que os vizinhos vissem os seus atos das janelas fechadas e com isso tivessem certeza da sua loucura. Estava feliz. Isso bastava.
Os cabelos cacheados e negros grudavam no seu rosto. ela parava, esticava os braços e girva o corpo, desenhado piruetas tortas até ficar tonta e cair no gramado. Um sorriso moleque brincava em seu rosto. Estava extremamente feliz. Queria pular, dançar, cantar, gritar, sorrir. Tudo ao mesmotempo. Desejava que o mundo todo partilhasse da sua alegria.
Felicidade. Estava totalmente anestesiada. Não existiam problemas nem preocupações. Não havia espaço para tristeza ou angústia. Seus olhos verdes espelhavam os raios e trovões que ocorriam no céu. As nuvens pareciam partilhar de sua alegria. Ela realmente adorava  a chuva e o barulho dos relâmpagos. Eles só completavama perfeição do momento.
Uma música começou a tocar. Rapidamente ela levantou-se, e, fazendo uma reverencia para o seu cavalheiro, começou a dançar. Deixava que ele a guiasse, fechando os olhos. A grama macia acariciava a ponta dos seus pés, causando-lhe cócegas. Não havia ninguém que pudesse tirar do seu rosto aquele sorriso.

Presente

Com os braços envoltos em seu pescoço ela cantava baixinho ao pé do ouvido. Pronunciava palavra por palavra saboreando cada uma delas. Mudava o ritmo da música transformando a canção em versos que são declamados.
Os braços dele envolviam sua cintura, obrigando-a a ficar bem próximo. Seus pés se mexiam lentamente sobre a grama molhada como se dançassem. Ela equilibrava-se nas pontas dos dedos, descalça.
A canção acabou. Sorrisos. Ele a beijou no pescoço causando arrepios.
- O seu afeto é o melhor presente que se pode ter sem comprar.
Ela sorriu embora ele não pudesse ver. Fechou os olhos e as lágrimas escorreram pela sua face.
- Como disse o poeta, verbo amar não se conjuga no passado.O amor não acaba, apenas muda de forma.
Silêncio. Tomou coragem e terminou:
- Eu amo você. Muito.
A noite ficava ainda mais escura com as nuvens carregadas que brigavam por espaço no céu.
A garota beijou-lhe o pescoço. Percorreu um caminho até o queixo. Afastou o rosto para olhá-lo nos olhos.
-Posso dar meu presente?
As primeiras gotas começaram a cair. Ambos olharam para cima. Ela o beijou. A chuva ficava cada vez mais grossa e não dava sinais de que cessaria.
Em poucos minutos estavam completamente molhados. Ela sorriu mais uma vez, encostou seu rosto no dele e recomeçou a cantar.