sábado, 4 de agosto de 2012

Cheia de utopias



E a garota, que a tanto se sentia vazia e sem lugar no mundo, voltara a sorrir. Voltara a se sentir cheia, viva. Sentia os sentimentos percorrerem lhe a pele, sem saber expulsá-los de si. Sentia a inspiração subir à cabeça, os arrepios vagarem pela espinha, a quentura no pescoço lhe pedir um pouco mais de calor. Sentia que deveria aplicar aquilo tudo em algum lugar, fazer algo antes que aquela sensação se perdesse e demorasse a voltar, como sempre acontecia. E logo ela, a inspiração, que pouco a visitava recentemente e que lhe proporcionava tantas saudades.
Saudades? Saudades não lhe traziam também a inspiração? Sim. Traziam. Saudades de um passado que não volta e que ela desejava profundamente que voltasse. Desejava o passado de volta, todos os momentos deliciosos, alegres, profundos, de amizade, de amor, de historias e de tristeza... Sim, de tristeza, afinal, essa também faz parte da vida, e, de certo modo, lhe fazia bem, porque sem a tristeza, não se pode conhecer a felicidade. Essa tese clichê, que alguém um dia pensou era um dos pensamentos que ela almejava trazer para sua vida, escreve-lo na agenda mental diária e dificilmente esquece-lo. Queria coisas inteligentes e não intencionadas a partir de agora. Coisas simples e bonitas, coisas naturais. Coisas descomplicadas, pois de complicações já estava farta. Estava farta do pseudo-lirismo, do pseudo-intelectualismo, do pseudo romantismo, e de todos os outros pseudos. Estava cansada de tudo que era falso. Queria mais carpe diem, queria mais carpe noche. Queria algo puro, algo simples. Algo que bastasse em sua essência. Esse algo que ainda não tinha sido inventado, e para sua alegria, não tinha definição, pois também se cansara delas, definições que nada mais eram do que limitações disfarçadas.
Sentiu falta do papel e do lápis, mas eles estavam muito longe naquele momento, bem guardados, mas longe. Sentiu falta do que as pessoas haviam sido para ela em um tempo passado, e sentiu falta do que ela havia sido antes. Sentia falta do seu eu antigo. Sentia que queria poder falar tudo o que viesse a sua mente, sem que fosse julgada. Queria ser ela mesma, sem ser alvo de críticas maldosas e fofocas sem base. Queria um mundo mais limpo e justo. Mas querer nem sempre é ter o que se quer. O que lhe trazia tristeza, pois acreditava que aquele mundo imaginário era melhor que esse. Pensar assim poderia fazer dela uma pessoa muito cheia de si ao afirmar que o que ela tinha guardado na cabeça era melhor. Mas também a podia fazer uma boba por acreditar em contos de fadas.

domingo, 15 de julho de 2012

Acumulo.

E aquilo que estava dentro dela só crescia mais e mais, consumindo-a a cada instante. As palavras fugiam de sua mente para logo em seguida surgir milhões de sensações. Queria colocar aquilo para fora...mas nada adiantava. Sentia a tristeza por dentro, se acumulando, as lágrimas presas, travadas. Ela gritava mas ninguém ouvia. Queria que o mundo visse u que se passava, mas não havia ninguém perto dela.
Tinha a sensação de que tudo aquilo que vivia naquele momento era passageiro. Que aquela situação era temporária. Seu inconsciente dizia que nada daquilo era seu, nada do que estava ali lhe pertencia. No entanto, ela teria que aceitar.
Fingia para todos que tudo estava bem, agia como se estivesse, mas não estava. Na sua mente, ela só queria voltar a ser ela mesma. Pedia ajuda mas ninguém entendia o seu chamado. Queria alguém a quem confiar todos os sentimentos, todo o seu coração e pensamentos, besteiras e filosofias. Mas as pessoas que a faziam bem estavam muito longe dali. Os momentos mais felizes da  sua vida, tinham ficado guardados na sua mente, foram vividos a tempos e longe de onde estava agora.
O lugar onde ela nascera era lindo, intensamente apaixonante, mas não pertencia a ela. E tudo o que ela sentia eram saudades e lágrimas salgadas.

domingo, 13 de maio de 2012

Paixão cruel

Em meio a um turbilhão de pensamentos embaralhados, ela pensava incansavelmente nele. Fora apenas uma noite e alguns beijos, como apaixonara-se em apenas um momento?
O toque doce e macio dos lábios, a firmeza gentil de suas mãos nas costas dela. Momentos esquecidos intercalavam-se com os que mais lembrava em uma sequencia que se repetia em sua mente fazendo-a sonhar inocentemente.
Talvez tenha surgido do modo galante e diferente com o qual ele a tratava. Não haviam muitos agindo assim no seu pequeno mundo. Mas fora apenas uma noite...a qual poderia acrescentar na lista das melhores da sua medíocre vida.
O modo como ele interrompera sua procura ágil. cada traço do seu rosto ao sorrir desviando o olhar para os lados antes de beijá-la. O jeito como se aproximara dela. Os beijos protegidos pela enorme coluna ao lado deles. Os galanteios e por último, a promessa jamais cumprida de encontrarem-se naquela mesma noite.
Porém, além de tudo, ele não era o rapaz encantado que aparentava ser. Era no mínimo um cafajeste conquistador. Mas porque essa era a característica que mais a atraía?

Passado presente

E na noite fria e chuvosa de Outono, ela lembrava do passado. Lembrava de sorrisos e lágrimas passados juntos. Momentos que a faziam sorrir enquanto a saudade escorria, quente, pela sua face.
Cada segundo que passaram juntos valiam mais que uma vida inteira. Cada detalhe, cada abraço, cada besteira falada, cada implicância, cada almoço e banho de  chuva : tudo muito bem guardado nela.
A garota se apegava fielmente ao passado. Tinha medo de deixar que o tempo apagasse as coisas que eram tão importante para ela. Medo de deixar tudo passar, medo de deixar que a vida seguisse sem que se pudesse reviver tudo o que tinha passado, e que para sua tristeza, não voltariam mais. Tinha medo do esquecimento, embora já sentisse as lembranças se esvaindo pela mente como areia pelos dedos. Mas não, não queria pensar nisso. As pessoas, os momentos, e principalmente, os sentimentos estariam sempre presentes em sua mente. Em sua mente e nas ações que a regiam.

sábado, 5 de maio de 2012

Medo. Devia ser isso que ela sentia. Medo de que tudo acabasse e não voltasse mais, como sabia que aconteceria o tempo todo e já estava acontecendo. Medo de que o encanto se quebrasse e as coisas voltassem a ser apenas a realidade, crua. Tinha medo de que aquilo fosse apenas um sonho e que um dia se esquecesse de tudo. E, acima de qualquer coisa, que ela própria fosse esquecida. Não que ela fosse algo digno de ser lembrado, não. Mas tinha medo do esquecimento, assim como da solidão e , algumas vezes do escuro.
Não sabia se estava fazendo a escolha certa, ela era tão insegura de si mesma. Sempre fazia mil promessas, nunca cumpridas. Desejava sempre fazer algo mais, mas como? Queria ser muito mais que aquelas besteiras que caracterizava seu perfil, mas o que conseguia era se odiar ainda mais. Onde estava "ouvir mais, falar menos"? Resumindo, era uma horrível pessoa que queria mostrar-se boa. Para conhecê-la, deveriam mergulhar muito mais afundo. Era tão terrível, e lhe retribuíam com tanta bondade.
Isso tudo. E talvez fosse apenas difícil aceitar. Ela tinha medo.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Mais

No seu quarto, ela sorria, feliz e sozinha. colocou as grandes argolas que pouco usava, passou delineador nos olhos e soltou os cabelos curtos. aumentou o volume do som quando sua música favorita começou e pôs-se a mexer nos cabelos, ora bagunçando ora alisando-os.
Ria de si mesma ao fazer caretas no espelho. Procurava seu melhor ângulo ao sorrir, o melhor jeito de arrumar os cabelos. No espelho, procurava o seu melhor, talvez conseguisse mostrar aos outros. Mas o quarto estava vazio, o que, na verdade pouco parecia lhe importar.
Pulo, dançou, cantou.. e cansou. Jogou-se na cadeira a pensar, embora seus olhos vivos e marcantes nunca dessem a entender que estava cansada. E em meio minuto, colocou-se em pé novamente e tudo recomeçou. Parou em frente ao espelho e olhou no fundo dos próprios olhos como se visse algo que não era visível a mais ninguém. Depois dos olhos, observou o nariz e em seguida a boca pintada de carmim e os pés descalços.
Decidiu calçá-los escolhendo seu maior salto, todo cravejado com lantejoulas prateadas. E assim, interpretou milhares de personagens, rindo sempre ao mudar de um para outro. foi a pessoa mais esnobe, depois a mais rica e poderosa. No fim, riu, se sentindo a mais boba, e agradeceu por estar sozinha.
A noite estava escura e sem Lua, e ele observava a vizinha através da janela em frente a dela. Com a luz apagada para que não fosse descoberto. Sem duvidas havia encontrado a pessoa mais engraçada, mais viva, mais delicada, mais linda...e acima de tudo, a mais feliz que já vira na sua vida.

Inexistente.Ou apenas solidão.(04.01.2012)

Não se lembrava o momento exato e nem como deixara que as lágrimas caíssem. Diante de rudes palavras sem necessidade e a não oportunidade de se explicar, o choro a alcançou. Em meio a investidas injustas contra ela tiraram-lhe o direito de falar. E ela tinha muito o que expressar.
Chorava de raiva diante da impotência que vivia. Talvez devesse entrar nos livros para nunca mais sair. Viver na solidão do seu quarto era bem melhor. Era a ela mais agradável, só seu. Lá ela não era chamada de irresponsável, mesmo não sendo. Lá não tinha medo de contar a verdade, porque o que quer que falasse no seu mundo seria a verdade plena ou talvez apenas mentiras inventadas. Um lugar de sonhos onde seus personagens preferidos habitavam juntos um mesmo ambiente. Porém um lugar inexistente.
Mas talvez não caiba no saber humano uma forma que faça o mundo acreditar. E talvez ela só quisesse sair de casa para nunca mais voltar. Sim, modernismo.