quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sempre

Ela costumava passar por ali sempre. O mesmo lugar, a mesma hora. E sempre ele estava ali. Não sabia o nome dele, muito menos de onde vinha. Se perguntassem a ela o que ele fazia da vida ou onde nascera não saberia responder. Mas poderia jurar que não havia ninguém na face da Terra que conhecesse seus olhos tão bem quanto ela. Não existia uma pessoa que detalhasse melhor o seu jeito de sorrir ou a mudança de corao ficar sem graça.
A garota escolhia o mesmo caminho há semanas na esperança de encontrar com os belos olhos os quais faziam com que ganhasse o dia. sonhava com quanto tomaria coragem parafalar-lhe um mero "boa-tarde"  ou quando seria capaz de direcionar um simples sorriso timido. Mas ela acreditava que ele sempre estaria lá.
Até que um dia, ele sumira sem aparente explicação. Ela tentou em vão se controlar e não demonstrar aflição afinal, poderiam ser motivos banais os de sua ausência. Continuou seu caminho até a venda na esquina do quarteirão. Pediu os pães de costume e enquanto esperava ouviu o que procurava:
- sim, eu soube, apareceu até no noticiário. foi um acidente horrivel. um rapaz tão proximo, nunca ninguém pensava que isso fosse ocorrer. Injustiças do mundo... soube que o carro ficou totalmente estilhaçado.
-Pois é... Tão jovem! É revoltante. Morto pela irresponsabilidade de outros. Tão inteligente, bonito, com a vida toda pela frente. Não consigo pensar que ele não vai estar mais ali sentado todas as tardes... A familia está arrasada.
- Nossa, lembro de tê-lo cumprimentado ainda ontem, ali, no lugar de sempre, na hora de sempre. foi tão repentino..
Os olhos da garota se encheram de lágrimas. O senhor que falava olhos para os lados, e, não notando a presença dela continuou:
- Sabe aquela moça que vem sempre aqui a essa hora comprar o pão da noite? que mora na casa 184?
Ouvi dizer que foram encontrados no carro dele um bouquet de rosas e um possivel cartão que seriam entregues para ela por ele. segundo sua mão, ele estava apaixonadissimo.
-Formariam um belo par.
- E pensar que ele sentava naquele bacon todos os dias, na esperança de falar com ela, ou simplesmente vê-la passar...

Tão Imperfeito

Frase inventadas de ultima hora e ditas aos sussuros no ouvido. Uma cidade feia e cheia de concreto numa noite sem luar.
Ainda lembrava do primeiro beijo e a constrangedora batida de dentes. As estrelas brilhavam meio apagadas pela enorme quantidade de luzes da rua e das casas vizinhas. As mãos se segurando quentes e suadas, na varanda da casa dela. De todo o quarteirão, só eles estavam no escuro.
sentados no chão frio para afugentar o calor do verão, conversavam sobre a escola, sobre os amigos e sobre o futuro. Tinham planos como todo casal revolucionário de 17 anos. Ela sorria das piadas sem graça que ele faziasobre a familia. Eram primos, afinal. Ele, mais velho que ela 5 meses, 3 semanas e 2 dias. Ela, com os cabelos extremamente cacheados, escuros e compridos.
Sozinhos. Ele, com a mão em sua cintura em um meio abraço, confessava ser apaixonado desde pequeno quando ainda tomavam banho juntos. Ela encostada em seu peito nu, com as bochechas queimando de vergonha ao lembrar da infância. Sim, tinham um sentimento mútuo desde pequenos.
O verão acabava, só se veriam agora nas próximas férias ou talvez antes, em alguma reunião de família. Prometeram se falar pela internet e pelo celular. A distância não os afastaria.
Não ficariam trsites. Sempre que batesse a saudade, sorririam ao lembrar de todos os detalhes dos dias passados juntos. Do quase afogamento dela e da respiração boca-a-boca. Da torção do braço dele e do beijinho que segundo ela o curaria. Lembrariam de todas as situações imperfeitas que tornaram tudo mais marcante... e mais perfeito.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Bem Querer

A música tocava no silêncio do quarto, reproduzida por um aparelho eletrônico. Porém fora ele quem tocara para ela. Eram os dedos longos e finos que fizeram aquele som existir. Fizeram para ela. Som esse que tocava não só seus ouvidos mas também sua alma. Cada nota um sentimento moldado, um bater mais forte do seu coração.
Como ela queria que ele estivesse ali junto de si. A saudade apertava muito. Desejava ardentemente sentir o calor da sua pele como quando a abraçava, e seus cabelos a acariciar sua face. Desejava poder segurar sua mão, sentir seus dedos. Queria deitar em seu colo e deixar que mexesse com carinho em seus cabelos. Queria roubá-lo para si e fugir sem deixar rastros. Ir para um lugar onge de tudo, onde ninguém os achasse, a não ser que um dia permitissem ser encontrados.
Queria tê-lo consigo sem nunca pensar em separação. Rir o riso dele. Queria-o como as flores anseiam pelo sol para só assim desabrochar. Queria, egoistamente, ter seus sorrisos só para ela.
jogar-se em seus braços e esquecer que existe maldade e infelicidade. Queria se sentir segura. Sorrir e chorar com a certeza de que ele estaria ali sempre, compartilhando dos sentimentos dela e dividindo os seus.
Num fechar de olhos desejou mais que tudo que ele pudesse tocar, naquele momento, a sua canção de ninar. Queria sonhar. E com os olhos bem fechados acreditar que não estava ali, mas em um lugar bem longe de tudo e bem perto dele.

Luz dos olhos

A garota chorava desesperadamente. O rosto extremamente vermelho e os olhos inchados espelhavam a noite em claro derramando lágrimas por alguém que não estava ali. Alguém que não queria estar com ela. uma pessoa que a iludira com mentiras e carinhos que um dia a fizeram se sentir única.
Em seu coração ainda estava encravado o punhal com o qual foi ferida. Não, ele não estava mais com ela. Mas, o que havia de errado para que ele terminasse sem motivos aparentes? Seria algo de errado com ela?
Levantou-se rapidamente e olhou-se no espelho. Os cabelos louros e muito lisos estavam bem desgrenhados. Os olhos verdes estavam um pouco escondidos pelo inchaço. Observou a linha que delineava a boca fina. O nariz bem afilado. A pele de um moreno apagado pelo bom tempo sem se bronzear.
Passou as mãos pelo seu corpo fazendo a camisa folgada que vestia tocar a sua pele. Seios fartos, cintura, pernas firmes. Não podia dizer que possuía muitas curvas mas não era desprovida delas. Olhou para o conjunto todo. Se o espelho não estivesse mentindo, ela era realmente muito bonita.
Enxugou as lágrimas e correu a se arrumar. Vestido preto, acinturado e curto. Sapatos vermelhos e altos. Sim, estava linda. Coloriu os lábios de rosa e delineou os belos olhos verdes com lápis preto. Alongou os cílios. Penteou os longos cabelos dourados.
Parou novamente em frente ao espelho e observou. A tarde acabava, o Sol derramava seus últimos raios. Um deles tocou seus olhos, acendendo-os.
Um sorriso apareceu em seus lábios. Não iria mais chorar por alguém que não a merecia. Ela era muito mais que isso. Ele não era o único e não seria o ultimo que a faria feliz.
O céu escurecia. A tarde havia acabado, e junto com ela o dia. Mas a noite prometia.

Desculpas...

Bom, antes de postar qualquer coisa, acho que devo muitas desculpas, a vcs que vieram sempre aqui procurar algo e não encontraram por um longo tempo. Desculpem-me e espero não ter perdido nenhum dos poucos leitores...=/
Bom, vai aqui dois textos.

sábado, 21 de maio de 2011

Angústia e Felicidade

A angústia a consumia mutilando-a por dentro. Os pensamentos fluiam como a água jorrando de uma fonte, porém uma água es

Amar

Ela sentia saudades imensas dele. Sentia falta das conversas, das risadas, das confidências à meia voz. Sentia falta dos dedos se tocando e do olhar desviado, incapaz de persistir no seu. Queria poder abraçá-lo, como se nada houvesse acontecido e chorar em sua camisa, mas não tinha coragem. As coisas haviam mudado. Ele parecia nem notar. Parecia não sentir falta de nada.
Sem sombra de dúvidas as coisas haviam mudado. Ele arranjara alguém para suprir suas necessidades. Esta pessoa certamente supria entre tantas, a da sua amizade. Se é que um dia essa amizade fôra necessária.
Ela o observava de longe, sem esperar nada, sem dizer nada. Observava os seus gestos de afeto, seus sorrisos. Ela o queria assim, feliz. A felicidade dele a deixava feliz. Mesmo ele a tendo machucado profundamente com seus atos, ela o queria feliz.
Nunca sentira isso. Queria demais a felicidade dele. Os sorrisos dele a deixavam feliz mesmo estando triste. Não se importava consigo. As lágrimas rolaram e foram secadas rapidamente.