quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Incostância

A garota chorava mas não conhecia o motivo. Ou tinha motivos demais para chorar apenas por um deles. Tremia, as mãos suavam, os olhos ora fixos ora extremamente agitados.
Tinha certeza que ele estava entre os motivos. Ele, os amigos, a baixa-autoestima, a escola, as pessoas que a olhavam atravessado sem aparente motivo. Não deveria ligar para elas, mas estava triste demais para pensar assim.
Sentia que não tinha nada a acrescentar à vida das pessoas que cruzavam seus caminhos. Beleza? Isso não serve para nada além de atrair pessoas em sua maioria fúteis, que não veem o que vale a pena ser visto, usufruido e amado.
Porque ver apenas o exterior? A garota chorava ainda mais em pensar nisso. Ela era ridícula, fútil, feia e sem graça. O que ganhariam em ficar ao seu lado? Nada.
As lágrimas rolavam em cascata sem fim. Não queria estar sozinha, mas estava. Queria muito alguém ali com ela, dizendo que entendia tudo, que isso iria passar, que a vida é muito mais que tudo aquilo, muito mais que o mundinho em que ela vivia agora. Que existem pessoas maravilhosas e que valem a pena. Queria que alguém a abraçasse e dissesse que já estavam longe de tudo.
Mas tal alguém estava bem longe dela e perto de outra garota, sendoseu melhor amigo, seu namorado e tudo o mais que ela desejasse. Naquele exato momento, enquanto seu corpo sangrava em lágrimas.

O sapo Gordo e a plantinha

Essa história é bem simples. Achei que devesse colocá-la aqui porque apesar de ser ingênua, e alguns poderão dizer infantil e boba, diz muito. Principalmente pra mim.
(Perdoem a má estrutura do texto e a terrível formação das frases. Essa história foi fruto de uma brincadeira, e é simplesmente pelo que ela representa que está aqui.)

Era uma vez um sapo chamado Ronaldo. Ronaldo era um sapo muito gordo, mas mesmo assim ele era feliz. Ele tinha uma amiga chamada plantinha. Plantinhaera muito emo, gostava de Coldplay e adorava fazer fotossíntese. Um certo dia o sapo tentou animar a "mudinha", tentou cantar, pular, contar piadas, falar inglês, mas não estava conseguindo. Ele estava quase desistindo quando teve uma brilhante idéia. Foi então que ele decidiu dar um presente para ela. Ele ficou muito feliz pois sua idéia era mesmo brilhante. Porém, hesitou alguns momentos,"será que a idéia era assim tão boa mesmo?". Não sabia, mas só tinha essa. Decidiu, além de tudo, arriscar. Neste instante lembrou-se da plantinha e se deu conta de que ela veria a intenção, não o físico. Animou-se.
A plantinha se aquecia ao Sol quando Ronaldo se aproximou com um pequeno embrulho nas mãos. A "mudinha" olhou bem para ele, o olhar de sempre. Ele retribuiu o olhar e entregou o presente. Ela aceitou meio desconfiada, abriu e logo ficou radiante: eram os dois pilotos que ela tanto queria.
A plantinha agradeceu imensamente o singelo presente, agradeceu por ele ter se lembrado dela. mas além de tudo, como ele já supunha, ela agradeceu a representação de carinho presente em suas ações e atitudes.

sábado, 1 de outubro de 2011

Ela nada podia fazer, apenas abraçá-lo e tê-lo ali consigo. Sentia-se inútil e o silêncio dele agravava ainda mais o seu sentimento. Através do seu abraço podia sentir o coração dele a bater, sua respiração quente no pescoço, seus dedos acariciando sua cintura. Os olhos vermelhos, a tristeza calada.
Em contradição, possuía um sentimento estranho e ainda sem explicação que se opunha a sua inutilidade. Sentia que podia acalmar, dizer sem palavras que tudo ficaria bem, que já estavam longe de tudo. Queria-o bem, palhaço e chato de sempre. Não sentia pena dele. Ela apenas o amava demais.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Simples ou Essencia

Fechava os olhos para se concentrar totalmente na audição. Fechava os olhos para não ver. Praticava essa ação até porque muitas vezes não queria enxergar a beleza física das pessoas. Queria ver muito mais que isso. Não queria ver o egoísmo e a frieza dos seres humanos. A humanidade é desumana.
Ela queria muito mais que isso. Muito mais do que esse mundinho em que vivia poderia oferecer. Não queria parecer boçal... ela queria poder enxergar a essência das coisas.
Ouvia ao longe as pessoas conversando. Conseguia ouvir o leve bater da cortina na janela. Escutava o vento balançando as folhas das árvores e ao mesmo tempo o apito dos ônibus que freavam na esquina. Sorriu.
Sorriu porque queria sorrir. Às vezes, sabendo sempre que não deveria querer tal coisa, desejava fechar os olhos para não mais  ver as coisas ruins que o mundo oferecia todos os dias.
Porque o mundo era assim? Porque as pessoas agiam de tal forma? Não queria mais ver. Na inocência, achava cada dia mais que aquele não era o seu lugar. Queria sair dali. Conhecer pessoas novas. Estava saturada, embora se achasse extremamente ingrata e idiota por isso.
Desejava acima de tudo ser cega e enxergar. Enxergar o verdadeiro eu das pessoas, a essência. queria ir embora e ser livre. Estava necessitada de autenticidade.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Certeza ou verdade

Ela, com toda certeza, sentiria uma enorme falta deles. De todos; cada um em particular e juntos como um todo. Juntos.
Juntos, era como ela achava que deveriam ficar. Mas a vida não tem piedade e acaba sempre por afastar a todos. Afastar não, separar. Ou seria mesmo afastar? Sim, era realmente afastar. Porque para ela, nada poderia separá-los.
Nada mudaria o que ficara na memória. Cada memória guardada e bem guardada. Risadas de piadas sem graça. Apelidos reveladores porém carinhosos. Conversas sérias e descontraídas. Micos e dias depressivos de chuva. Fotos engraçadas e "espontâneas" que fazem todos se divertirem. A força que nos unia até na recuperação. Os novatos que já conquistaram a afeição. Os veteranos que, como verdadeiros companheiros, estuveram aqui sempre. As aulas a tarde e os 'estudos' da tarde. As paqueras e rolos. As lágrimas e as flores.
Quanto a eles, nada tinha a reclamar ou a esquecer, apagar. Eles eram maravilhosos. Faziam os seus dias mais radiantes. Cada um com seu jeito, sua marca registrada. Um se importando com o outro. Abraçando quando era ou não necessário. Desejando um "bom-dia" animado nas provas aos domingos. Todos.
Como ela sentiria falta. O mundo mandara cada um para lugar diferente. Afastou-os fisicamente, e até emocionalmente. Afastou um do convívio do outro. Mas não conseguirá apagar das lembranças tempos de tanta felicidade mútua que só quem ama guarda com carinho: verdadeiros amigos.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sempre

Ela costumava passar por ali sempre. O mesmo lugar, a mesma hora. E sempre ele estava ali. Não sabia o nome dele, muito menos de onde vinha. Se perguntassem a ela o que ele fazia da vida ou onde nascera não saberia responder. Mas poderia jurar que não havia ninguém na face da Terra que conhecesse seus olhos tão bem quanto ela. Não existia uma pessoa que detalhasse melhor o seu jeito de sorrir ou a mudança de corao ficar sem graça.
A garota escolhia o mesmo caminho há semanas na esperança de encontrar com os belos olhos os quais faziam com que ganhasse o dia. sonhava com quanto tomaria coragem parafalar-lhe um mero "boa-tarde"  ou quando seria capaz de direcionar um simples sorriso timido. Mas ela acreditava que ele sempre estaria lá.
Até que um dia, ele sumira sem aparente explicação. Ela tentou em vão se controlar e não demonstrar aflição afinal, poderiam ser motivos banais os de sua ausência. Continuou seu caminho até a venda na esquina do quarteirão. Pediu os pães de costume e enquanto esperava ouviu o que procurava:
- sim, eu soube, apareceu até no noticiário. foi um acidente horrivel. um rapaz tão proximo, nunca ninguém pensava que isso fosse ocorrer. Injustiças do mundo... soube que o carro ficou totalmente estilhaçado.
-Pois é... Tão jovem! É revoltante. Morto pela irresponsabilidade de outros. Tão inteligente, bonito, com a vida toda pela frente. Não consigo pensar que ele não vai estar mais ali sentado todas as tardes... A familia está arrasada.
- Nossa, lembro de tê-lo cumprimentado ainda ontem, ali, no lugar de sempre, na hora de sempre. foi tão repentino..
Os olhos da garota se encheram de lágrimas. O senhor que falava olhos para os lados, e, não notando a presença dela continuou:
- Sabe aquela moça que vem sempre aqui a essa hora comprar o pão da noite? que mora na casa 184?
Ouvi dizer que foram encontrados no carro dele um bouquet de rosas e um possivel cartão que seriam entregues para ela por ele. segundo sua mão, ele estava apaixonadissimo.
-Formariam um belo par.
- E pensar que ele sentava naquele bacon todos os dias, na esperança de falar com ela, ou simplesmente vê-la passar...

Tão Imperfeito

Frase inventadas de ultima hora e ditas aos sussuros no ouvido. Uma cidade feia e cheia de concreto numa noite sem luar.
Ainda lembrava do primeiro beijo e a constrangedora batida de dentes. As estrelas brilhavam meio apagadas pela enorme quantidade de luzes da rua e das casas vizinhas. As mãos se segurando quentes e suadas, na varanda da casa dela. De todo o quarteirão, só eles estavam no escuro.
sentados no chão frio para afugentar o calor do verão, conversavam sobre a escola, sobre os amigos e sobre o futuro. Tinham planos como todo casal revolucionário de 17 anos. Ela sorria das piadas sem graça que ele faziasobre a familia. Eram primos, afinal. Ele, mais velho que ela 5 meses, 3 semanas e 2 dias. Ela, com os cabelos extremamente cacheados, escuros e compridos.
Sozinhos. Ele, com a mão em sua cintura em um meio abraço, confessava ser apaixonado desde pequeno quando ainda tomavam banho juntos. Ela encostada em seu peito nu, com as bochechas queimando de vergonha ao lembrar da infância. Sim, tinham um sentimento mútuo desde pequenos.
O verão acabava, só se veriam agora nas próximas férias ou talvez antes, em alguma reunião de família. Prometeram se falar pela internet e pelo celular. A distância não os afastaria.
Não ficariam trsites. Sempre que batesse a saudade, sorririam ao lembrar de todos os detalhes dos dias passados juntos. Do quase afogamento dela e da respiração boca-a-boca. Da torção do braço dele e do beijinho que segundo ela o curaria. Lembrariam de todas as situações imperfeitas que tornaram tudo mais marcante... e mais perfeito.