No fundo do ônibus, entre chacoalhadas e conversas, uma garota sorria sozinha. Simplesmente sorria. Sentia-se feliz, achava. Usufruia porém de uma felicidade que não era sua, uma felicidade adquirida, uma felicidade furtada.
Fixava o nada mas prestava atenção a tudo. As risadas alheias a faziam sorrir. Sorria. Sabia o porque e ao mesmo tempo não sabia. Conhecia a origem de sua felicidade mas, às vezes, preferia não conhecê-la. Estava feliz, era um fato. Sorria, talvez por lembranças, remotas ou recentes.
De um momento para o outro, mudou. Estava terrivelmente triste. A tristeza tomou o lugar da alegria que abrasava o coração. As lágrimas que não eram suas acabavam por tomar lugar em seus olhos. O choro alheio a entristecia.
Tentou buscar o sorriso novamente mas só o que conseguiu foram olhos encharcados. Era verdade, talvez convivesse melhor com a tristeza. Quanto à felicidade, não se lembrava quando tinha sido realmente sua.
Felicidade e tristeza, opostos, distintos. Porém, quem garantia que não andavam lado a lado? Queria muito que o sorriso voltasse, não queria se acostumar à tristeza, desejava mudar novamente. Procurou deseperadamente por um sorriso alheio mas não conseguiu enxergar nenhum. Não tinha mais para onde fugir. A felicidade não lhe pertencia, era furtada. Mas a tristeza era sua.
Hoje deu vontade de ouvir Beatles. Quis correr atrás da inspiração e trazê-la pelo braço, nem que fosse arrastada. Quase fui.
domingo, 8 de maio de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
Seu e de mais ninguém
Ele a olhava com carinho. Com os olhos cheios de lágrimas, ela retribuiu o olhar. Não queria que ele fosse embora. Segurava sua mão entrelaçando seus dedos aos dele. Sorrindo, ele a beijou.
Beijou-a como se fosse a primeira. Seus lábios quentes pressionavam os dela delicadamente porém com uma apreensão aparente. Ela sabia que ele iria. Contra a sua vontade e contra a vontade dela mas iria.
ele não queria ir. Desejava que suas mãos nunca deixassem de tocar as dela, que seus lábios nunca ficassem a uma distância tão grande como esta a qual ficariam sujeitos.
Ela não pôde contê-las. Não queria quie ele as visse. Elas escorreram pelo seu rosto deixando-o salgado. As lágrimas. ele secou-as com os dedos e mais uma vez beijou-a.
Já sentia saudades dela. Colocou uma mão em sua cintura enquanto a outra acariciava sua nuca e os cabelos lisos e dourados. Beijou-a como se fosse a ultima vez que o fazia. Sentiu o seu calor . Quando a abraçou sentiu-a ali, pequena, delicada entre os seus braços.
Queria com aquele abraço afastar todas as mágoas e tristezas que a aflingiam. Queria protegê-la. Ela era a sua pequena.
Ela se deixou ser abraçada pelos braços fortes que queriam protegê-la. As lágrimas escorreram pela sua face novamente.Não deixou que ele as visse afundando o rosto no seu uniforme.
Ele abraçou-a com mais força e beijou a sua cabeça. Naquele momento ela percebeu que ele era seu e ninguem poderia tirá-lo dela.
Beijou-a como se fosse a primeira. Seus lábios quentes pressionavam os dela delicadamente porém com uma apreensão aparente. Ela sabia que ele iria. Contra a sua vontade e contra a vontade dela mas iria.
ele não queria ir. Desejava que suas mãos nunca deixassem de tocar as dela, que seus lábios nunca ficassem a uma distância tão grande como esta a qual ficariam sujeitos.
Ela não pôde contê-las. Não queria quie ele as visse. Elas escorreram pelo seu rosto deixando-o salgado. As lágrimas. ele secou-as com os dedos e mais uma vez beijou-a.
Já sentia saudades dela. Colocou uma mão em sua cintura enquanto a outra acariciava sua nuca e os cabelos lisos e dourados. Beijou-a como se fosse a ultima vez que o fazia. Sentiu o seu calor . Quando a abraçou sentiu-a ali, pequena, delicada entre os seus braços.
Queria com aquele abraço afastar todas as mágoas e tristezas que a aflingiam. Queria protegê-la. Ela era a sua pequena.
Ela se deixou ser abraçada pelos braços fortes que queriam protegê-la. As lágrimas escorreram pela sua face novamente.Não deixou que ele as visse afundando o rosto no seu uniforme.
Ele abraçou-a com mais força e beijou a sua cabeça. Naquele momento ela percebeu que ele era seu e ninguem poderia tirá-lo dela.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Anjinho
Já era o quinto teste que dava positivo. Havia uma chance muito pequena de cinco testes estarem errados. Ela estava grávida, tinha quase certeza. Essa seria a melhor notícia que poderia receber se ela não tivesse apenas 16 anos.
Os pensamentos fluiam em sua mente. Qual seria a reação do seu namorado? o que os seus pais diriam? E os seus amigos e parentes? Ela não sabia. Não sabia se deveria chorar ou sorrir porque seria mãe. Ela seria mãe! Um sorriso inconsciente apareceu em seu rosto. Sim, ela tinha escolhido sorrir.
E se os outros quisessem um aborto? Acariciou a pele da sua barriga em um ato protetor. Não, ela não abortaria. ninguém podeira obrigá-la. Aquele era o seu filho. Seu bebê. Seu pequeno bebê que naquele momento cabia na palma da sua mão de tão pequeno. Mas ele cresceria, ela o alimentaria com o próprio sangue enquanto ele estivesse ali dentro.
Seria menina ou menina? Não sabia. Porém, ela o amaria de qualquer jeito. Na verdade, já o amava. Assim como uma mãe ama o seu filho.
Em um ato de carinho, começou a cantar suavemente e baixinho para que apenas os dois ouvissem. As lágrimas escorreram pelo seu rosto. Seu filho, seu anjinho. Uma jóia que Deus havia enviado para que ela cuidasse, para que ela amasse.
Sim, ela cuidaria dele com todo o amor. Seu anjinho enviado por Deus, tão inocente e puro que nunca ninguém deveria ao menos cogitar fazer algum mal.
domingo, 20 de março de 2011
Desilusão
Ela corria o máximo que suas pernas podiam aguentar. Não queria que ninguém mais visse as suas lágrimas. Parou apenas quando não havia mais para onde ir: chegara à praia.
O mar estava extremamente sereno. Já passava da meia-noite e não havia muitas pessoas, apenas um casal solitário que trocava juras e carinhos ali próximo. Sentou-se na areia, encolhendo-se. Apoiou a cabeça entre os joelhos e deixou que o choro a dominasse.
Daquele dia em diante não machucaria mais ninguém ao deixar a mostraseus sentimentos bobos e sem graça. Não, não deixaria que mais ninguém mergulhasse tão fundo. Sua essência estava selada e o seu acesso era proibido a quem quer que fosse.
O vento acariciava suavemente seus cabelos lisos e louros como se quisesse consolá-la.
Os soluços ainda a sacudiam. Houve uma nova enxurrada de pensamentos e lembranças de cenas trazendo novamente as lágrimasque ela tanto odiava. Demonstrava sua fraqueza, sua fragilidade.
Tentou se acalmar. Era dificíl respirar, como se existisse agora uma força invisível comprimindo seu tórax. Obrigou lentamente seus pulmões a se encherem de ar e em seguida a expulsá-los. A angústia a consumia.
levantou o rosto e tentou em vã apagar os resquícios das lagrimas. Olhou em volta e percebeu que o casal havia partido. Não havia ninguém na areia.
Em alguns instantes o Sol nasceria e acordaria consigo a cidade. Fechou os olhos concentrando-se nobarulho das ondas que iame vinham calmamente.
Estava sozinha. Estava sozinha como, na realidade, sempre estivera.
O mar estava extremamente sereno. Já passava da meia-noite e não havia muitas pessoas, apenas um casal solitário que trocava juras e carinhos ali próximo. Sentou-se na areia, encolhendo-se. Apoiou a cabeça entre os joelhos e deixou que o choro a dominasse.
Daquele dia em diante não machucaria mais ninguém ao deixar a mostraseus sentimentos bobos e sem graça. Não, não deixaria que mais ninguém mergulhasse tão fundo. Sua essência estava selada e o seu acesso era proibido a quem quer que fosse.
O vento acariciava suavemente seus cabelos lisos e louros como se quisesse consolá-la.
Os soluços ainda a sacudiam. Houve uma nova enxurrada de pensamentos e lembranças de cenas trazendo novamente as lágrimasque ela tanto odiava. Demonstrava sua fraqueza, sua fragilidade.
Tentou se acalmar. Era dificíl respirar, como se existisse agora uma força invisível comprimindo seu tórax. Obrigou lentamente seus pulmões a se encherem de ar e em seguida a expulsá-los. A angústia a consumia.
levantou o rosto e tentou em vã apagar os resquícios das lagrimas. Olhou em volta e percebeu que o casal havia partido. Não havia ninguém na areia.
Em alguns instantes o Sol nasceria e acordaria consigo a cidade. Fechou os olhos concentrando-se nobarulho das ondas que iame vinham calmamente.
Estava sozinha. Estava sozinha como, na realidade, sempre estivera.
sábado, 5 de março de 2011
De longe
Era aniversário dele. Ela o observava de longe. Os cabelos dele pingavam, completamente encharcados de ovos. Ela apenas observava de longe.
Rodeado por amigos, ele sorria e brincava, provavelmente, muito feliz por completar 18 anos, a maioridade. Ela, infelizmente, observava de longe. Não teve coragem, durante toda a manhã de desejar-lhe um feliz aniversário. Apenas observava, de longe, o que não podia tocar. Aqueles olhos escuros que se ao menor sinal se aproximassemdos dela, já a faziam gelar. Aquele dorso suavemente entalhado, agora despido pra que os respingos de ovos não manchassem sua camisa. O rosto anguloso pelo qual ela suspirava. E finalmente, a pele clara levemente amarelada que tanto a atraía e a qual ela sonhava acariciar.
Observava-o de longe, mas antes que ela pudesse se dar conta, ele já se dirigia na sua direção por simples obra de uma das suas amigas.
- É su aniversário hoje? Parabéns - adiantou-se a amiga.
Ele sorriu olhando para a menina. Era sua vez.
- Feliz aniversário - ela tentou não corar.
Ele agradeceu e , sem mais, se afastou, indo embora com os amigos sem saber, talvez, que sem querer tinha partidoo coração da garota.
Ela continuou observando-o de longe, até que seus olhos não conseguiram mais vê-lo.
Assinar:
Postagens (Atom)


