sábado, 29 de junho de 2013

Eu sempre soube

Aquela velha frase que sempre faz sentido ou fará apenas mais uma vez. eu sempre soube. Sempre soube que ao pensar em você no caminho para casa não conseguiria falar-lhe quando o visse. Nem que fosse só pela  internet. Sempre soube que um "você é interessante, mas" era apenas uma tentativa de consolo. Sempre soube que com você nada aconteceria. Quanto mais a caneta desliza sobre o papel, mais as palavras somem. E é triste.
A tristeza permaneceu desde que a tua ausência se fez parecer presença. E  a presença mais parecia alucinação. Sempre soube que seria assim, com uma ou duas conversas apenas, algumas considerações pela metade. Algumas músicas, poucos poemas seus, muitos meus. E fim. Sem mais esperanças, sem mais olhares. Sem mais.
No fundo, tentava acreditar que não. Mas sempre soube que acabaria assim. Palavras, sem elas. E eu apenas peguei a caneta e escrevi.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

De sempre, ou perder-se, ou frio plantar.

Destruída. Destroçada. Desconjuntada. Desativada por um milésimo de segundo. Até que as lágrimas surgissem, suas velhas e frias amigas.
Há tempos não as via. Há tempos não lhes permitia que acariciassem sua face, e sua alma. Tinha um tumulto de informações e ideias e opiniões sobre algo que não era concreto. Dentro de tanto alvoroço e expectativa pela verdade, ela apareceu. Tinha esperanças, que se foram. A sinceridade a castigou. Ele a bombardeou usando sua pior qualidade. Calou-lhe gentilmente falando que a gentileza não existia nele. E ela se sentiu criança novamente, sendo mandada ao quarto depois de contar mentiras. Mentiras inventadas, ela querendo acreditar, fossem reais.
Com as mãos silenciosas, precisas e ainda assim trêmulas, chorou como alguém que perde. Perde algo que nunca foi seu, e nem nunca será. Chora por perder esperanças. Chora depois do açoite de elogios seguidos por frases que lhe tiravam toda a graça de imaginar oportunidades.
Pediu desculpas, que lhe foram proibidas, mais uma vez, com gentileza. Sentiu-se reprimida. Nada mais falou. De sua boca, de seus dedos, só saíam besteiras. Nada que ela se sentisse bem em falar. Nada que ela quisesse a não ser se esconder e de lá não mais sair. Fugir pra onde não a conheciam. Mas se manteve. Mandou-lhe um beijo ao final da conversa, prometendo não mais incomodar, depois de tanto se sentir infantil aos olhos dele.
Pegou a caneta, escreveu e se controlou para não rasgar o papel e cada folha preenchida e contida naquele bendito caderno. Passava por uma fase triste da vida, que há muito havia começado e não tinha perspectivas de que terminasse.
E no final do texto, depois de grande parte da inquietação vomitar, agradeceu ao homem sincero, em sincero pensamento, pelos curtos momentos em que ele a fizera voltar à literatura, e lhe devolvera a inspiração. Coisas que ela tanto amava, mas que escorriam pelos dedos feito areia fina, sem chances frequentes de recoloca-las em si mesma. Ao vento.

Depois de se curar de si mesma, até que se lembrasse do dano que ela própria lhe fizera, levantou-se e buscou um par de meias para tirar de si o frio das plantas dos pés, e se conseguia afastar o que restava de batimentos acelerados do seu coração. 

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Mudanças

Por dias eu lembrei de você. Por dias eu pensei nas nossas longas e ao mesmo tão curtas tardes de conversas inteligentes. Lembrei e me deu saudade. Deu saudades de quando éramos próximos, e de quando tudo o que eu mais me preocupava eram as tardse de estudo deixadas de lado apenas para ficarmos juntos. Você não tem ideia de como demorei pra me acostumar a não te ver todos os dias.
Mudei de cidade, mas você me abandonou muito antes disso. Mudei de quarto, de casa, de estado, de região. Mudei de vida e assim também de pensamentos e atitudes. Minha imaginação ainda ia até você sempre que eu colocava os fones de ouvido nos meus poucos momento livres, mas aos poucos isso também mudou. Eu mudei.
Por muitos meses abandonei meus livros, minhas músicas favoritas, minhas antigas ideologias, meu romantismo. Eu me abandonei. Passei a me autocriticar de uma forma tão forte que quase me destruiu. Não me importando com nada, e odiando cada dia mais as pessoas que me cercavam cheias de ignorância e egoísmo.
Até que a saudade me trouxe de volta e me lembrou que eu pertencia a outro local. E hoje, depois de tudo, a inspiração voltou a me visitar.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Companheirismo

A única ação que estava ao seu alcance era abraçá-lo, tê-lo ali consigo. Queria muito poder dizer-lhe que ficaria tudo bem, que eles resolveriam tudo, mas ela sabia que as coisas não eram bem assim.
Os olhos vermelhos, o respirar fundo, o tentar se acalmar e logo em seguida deixar-se tomar pela angústia e um leve toque de desespero eram a prova de que até o mais imponente algum momento torna-se frágil, mas nunca fraco.
Sem palavras, nem exatidão ele demonstrava os sentimentos na frente da garota pela primeira vez. Abraçava-a, envolvendo-a completamente. Encostava a cabeça em seu pescoço procurando explicações sem retorno.
Ela, impossibilitada talvez de fazer qualquer outra coisa abraçava-o, acariciava o pescoço e os cabelos louros. Queria tirar dele toda a tristeza, toda a dor. Queria-o bem. Queria dizer que estava ali com ele pra tudo. Não conseguiu. Não por faltar com a verdade, mas por aquele momento não necessitar de palavras, talvez por não existirem.
Sentia-se feliz em poder acalmá-lo, em abraçá-lo. Mostrava que não era totalmente inútil, e que tinha sentimentos. A respiração dele se acalmava, junto com o bater do coração que ela conseguia sentir pela aproximação.
Fechou os olhos e encostou a cabeça na dele.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Invenções.


Ela queria que não tivessem inventado tantos parâmetros, tantas definições e limites. Queria que pudesse não olhar mais aquelas fotos, e que não chorasse mais. Queria que não tivessem inventado a saudade. A menina sabia que teria que mudar e crescer alguma hora, mas naquele momento ela não era nada mais que isso, uma menina.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Micrônica: Sobre o amor.

- Será que é amor?
- Acho que não, deve ser só uma afeição passageira. Nem sempre que dizem "eu te amo" é real, as pessoas falam e nem sabem o que é.
- Mas, se for amor?
- Não sei. Não sei nem o que é, nem se existem mesmo isso de "amor"... E tenho acreditado a cada dia menos. Pode ser que eu pague a minha língua um dia. Mas quer saber?
- O quê?
- Estou rezando a cada dia pra que isso aconteça.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Eu sei

Eu vivo com saudade. Eu vivo por saudade. Eu vivo de saudade. Eu morro de saudade. Sinto saudade do eu, do meu, do seu. Eu sinto saudade do nosso. E  do vosso também.
Sinto vontade do que não sei. Se soubesse, haveria definição e agradeço por isto  não ter limitações. Quero viver, reviver e sobre viver. Quero muito mais que a vã consciência pode dar.
Sei que falo coisas sem sentido, mas o que são os erros? Há definição, ou são mais coisas criadas?
E eu tenho mais saudade. Saudade do meu verdadeiro lugar, do meu eu, do eu teu. Saudade intensa e constante. Saudade presente e incentivadora. Saudade que não se mata facilmente. Saudade do que já passou e do que ainda virá. Saudade, simples saudade.. eterna e infinita.

"Se cuida",
porque eu já não posso cuidar.